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RIO DE JANEIRO, 18 Mar (Reuters) – A Transpetro, subsidiária da Petrobras, começará a atuar como uma empresa de navegação marítima também para clientes fora do sistema da petroleira estatal e já firmou contratos com Trafigura e Ipiranga, em movimento que amplia seu portfólio e busca novas fontes de receita, disse o diretor-financeiro da companhia, Danilo Silva, à Reuters.
Silva afirmou que a decisão não foi tomada por causa do ambiente geopolítico, mas reconheceu que o cenário internacional reforça a atratividade de soluções locais, ao reduzir exposição a rotas mais arriscadas e trazer mais previsibilidade de custos a clientes. A iniciativa está em linha com a estratégia da empresa, sob a gestão atual, de ampliar e diversificar os negócios, com o aumento da lista de seus clientes.

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A nova atuação permitirá viabilizar operações para terceiros com afretamento de embarcações estrangeiras tanto na cabotagem, pela costa brasileira, quanto no longo curso, em rotas internacionais.
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‘É a possibilidade de oferecermos o serviço que a gente oferece para a Petrobras, para as demais empresas’, disse o executivo da maior empresa de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina e maior subsidiária da Petrobras, destacando ganhos de sinergias com outros serviços prestados.
Silva disse que a decisão considera o avanço do transporte aquaviário, a maior demanda por afretamento de navios estrangeiros diante da ‘baixa disponibilidade’ de embarcações brasileiras e o aumento da produção nacional de petróleo.
A Transpetro já havia atuado de forma pontual para terceiros em navegação marítima, segundo Silva, como em operações de importação de gás liquefeito de petróleo (gás de cozinha) e transporte de óleo, sob demanda, mas sem a modelagem que se busca agora. ‘A ideia (agora) é que faça sempre e que você preencha essa lacuna que tem no mercado, de falta de embarcação brasileira’, afirmou.
O pacote oferecido a clientes poderá incluir ‘vetting’ — avaliação técnica e operacional de segurança — e ‘fitting’, que adapta embarcações às exigências dos terminais, além de suporte regulatório e monitoramento operacional.
Segundo Silva, a iniciativa permite combinar os novos serviços de transporte marítimo a terceiros com operações que já realiza envolvendo dutos, tancagem, operações de transferência entre navios e outras soluções logísticas já realizadas pela companhia, oferecendo um ‘portfólio mais completo’, com ganhos de agilidade, eficiência e maior controle das operações ao longo da cadeia logística.
‘Para a gente é uma quebra de paradigma… Todo mundo vê a Transpetro, muito como Petrobras. Em dutos e terminais, já fazemos isso, temos mais de 100 clientes…, somos referência. Agora, quando pega o transporte marítimo, é um pouco mais novidade.’
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No acordo com a multinacional Trafigura, a empresa já realizou um transporte internacional de derivados a partir de Guamaré (RN), na semana passada. ‘É um contrato guarda-chuva, a gente fez uma operação, mas a gente deve fazer com certeza mais’, disse Silva, sem dar mais detalhes, por impedimento contratual. A companhia também negocia com a Ipiranga sua primeira operação nessa frente.
‘Esse é um projeto que está rodando aqui já faz um tempo, a gente conseguiu colocar agora de pé’, afirmou, explicando que movimentos desse tipo não dependem apenas das condições do momento.
‘Você não toma uma decisão dessa baseado no momento atual, mas o momento atual favorece’, disse, acrescentando que uma empresa brasileira pode ajudar a amortecer efeitos externos, como alta de fretes, um dos reflexos da guerra no Irã.
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‘Sim, a gente pode ajudar nisso (reduzir custos com frete) e o Brasil vem se consolidando, pelas descobertas, pela sua política, como um lugar mais tranquilo nesses aspectos (geopolíticos), saindo desses cursos mais arriscados’, afirmou.
A empresa opera 33 navios, com capacidade total de 3,17 milhões de toneladas de porte bruto, além de 46 terminais e aproximadamente 8,5 mil quilômetros de dutos. A carteira inclui mais de 130 clientes de distribuição, petroquímica e óleo e gás.
Silva afirmou que o ritmo de expansão ainda está sendo calibrado, com negociações em andamento. ‘Estamos conversando com bastante gente…’, disse, reforçando que o crescimento seguirá padrões rigorosos. ‘O rigor técnico e, principalmente, a segurança da operação são coisas que não dá para negociar.’
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