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SÃO PAULO – A tragédia natural que atingiu o Japão nos últimos dias pode chegar aos consumidores do Brasil, principalmente porque deve acentuar a inflação dos alimentos percebida em todo o mundo.
O professor de economia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), José Nicolau Pompeo, disse que o primeiro impacto da tragédia foi a paralisação da produção em algumas indústrias, seguida da falta de energia no país, inclusive em Tóquio.
Segundo Pompeo, diversos problemas climáticos têm reduzido a produção de alimentos no mundo e, com isso, provocado uma alta nos preços, o que vai ser acentuado pela tragédia no Japão e essas paralisações na produção.
“Haverá inflação não só de alimentos, mas de bens industriais japoneses, até para as empresas terem recuperação do prejuízo”, afirmou, dizendo que isso é algo que deve ocorrer em um médio prazo. “Haverá queda no lucro das empresas japonesas e elas terão de fazer recomposição de preços”.
Impactos contidos
De acordo com o analista de Internacional da Tendências Consultoria, Raphael Martello, diversas empresas diminuíram a produção por conta dos desastres, como petroquímicas e montadoras, e até perderam estoques.
No entanto, ele disse que os impactos disso no Brasil devem ser contidos. “A relação comercial do Brasil com o Japão não é das mais fortes”, afirmou, completando que, no caso do setor de eletrônicos, por exemplo, a migração da produção do Japão para a China nos últimos anos permitirá que os efeitos sejam menores.
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Investidores
Em relação aos investidores, Martello acredita que eles não devem ser tão prejudicados pelas tragédias quanto pelas tensões no Oriente Médio.
“Pode ter algum efeito, mas não vai ser tão relevante quanto as tensões no Oriente Médio com o petróleo. Na própria sexta (11) já sabíamos do terremoto e a bolsa subiu. Como a relação Brasil e Japão não é tão forte, a própria bolsa não impacta tanto. Os impactos devem ser moderados”, disse.
Já Pompeo afirmou que “a certeza é de volatilidade alta esses dias todos, e não tem como o mercado segurar”.