Tráfego no Estreito de Ormuz já parou quase totalmente, diz centro naval

Nenhum carregamento de petróleo passou pelo estreito nas últimas 24 horas, segundo monitoramento de sinais marítimos

Bloomberg

Navios de carga no Estreito de Ormuz em fevereiro. (Foto: Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images/via Bloomberg)
Navios de carga no Estreito de Ormuz em fevereiro. (Foto: Giuseppe Cacace/AFP/Getty Images/via Bloomberg)

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O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz entrou em uma pausa quase total, sem registros de transporte de petróleo nas últimas 24 horas, segundo avaliação do Joint Maritime Information Center (JMIC), grupo multinacional de monitoramento naval focado no Oriente Médio.

Uma análise de sinais de navegação mostrou apenas duas travessias comerciais no período, informou o centro em relatório divulgado nesta sexta-feira (6). As duas embarcações eram navios de carga, e não petroleiros.

A guerra no Oriente Médio levou dezenas de petroleiros carregados com petróleo e gás a permanecerem ancorados dentro do Golfo Pérsico, interrompendo o fornecimento para compradores importantes na Ásia e na Europa.

Segundo o JMIC, a frequência de ataques contra embarcações na região do estreito permanece elevada, o que torna a travessia arriscada para navios transportando cargas de energia avaliadas em milhões de dólares.

Nesta semana, os Estados Unidos ofereceram garantias de seguro e escolta naval para navios que cruzarem a região, após seguradoras internacionais começarem a retirar cobertura contra riscos de guerra. Mesmo assim, armadores ainda não consideram as medidas suficientes para retomar as operações.

“Isso representa uma pausa temporária quase total no tráfego comercial rotineiro”, afirmou o JMIC. No dia 4 de março, apenas uma embarcação entrou e outra saiu do estreito.

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O levantamento considera navios com transponders de rastreamento ativados e pode não capturar embarcações que tenham cruzado a passagem com os sistemas desligados. O relatório também aponta interferência sofisticada em sinais de GPS na região, afetando navegação e comunicações.

Dois navios — MSC Grace e Sonangol Namibe — também teriam se envolvido em incidentes no Golfo Pérsico e próximo ao Iraque.

Algumas embarcações têm adotado estratégias incomuns para tentar atravessar o estreito com segurança. O navio graneleiro Iron Maiden, por exemplo, deixou a região transmitindo a mensagem “CHINA OWNER” ao cruzar a passagem. Antes disso, o navio de gás liquefeito Bogazici havia transmitido que era uma embarcação de propriedade muçulmana e operada pela Turquia.

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