Tráfego aéreo internacional declina 11,1% em março, e pode piorar com epidemia

Fraca demanda preocupa setor, que tende a ver ainda mais deterioração caso a gripe suína torne-se pandemia

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SÃO PAULO – De acordo com dados divulgados pela Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), o tráfego aéreo mundial declinou 11,1% no decorrer de março, quando comparado ao desempenho obtido no mesmo período do ano passado.

Em meio a este cenário, com fraca demanda, as companhias aéreas reduziram a capacidade dos voos em 4,4%, o que culminou numa utilização de 72,1% do número de assentos nas aeronaves durante o período.

Receita deve cair

“A crise econômica global continua reduzindo a demanda por transporte aéreo”, afirmou Giovanni Bisignani, CEO (Chief Exectuive Officer) e diretor geral da Iata, que reúne 293 companhias aéreas, correspondentes a 93% do tráfego aéreo internacional.

Nesse sentido, a associação prevê declínio de 20% na receita gerada durante o último mês. Cabe ressaltar que, nas mesmas bases anuais, houve queda de 21,4% no transporte de cargas e 9% no de passageiros.

Esperança

Há maiores culpadas pela contração: Ásia e América do Norte. Ao passo que os continentes apresentaram variações negativas respectivas de 14,5% e 13,4% no volume de passageiros.

“A única luz de esperança é que a demanda por transporte de cargas se estabilizou em março, embora permaneça em patamares baixos”, completou o executivo, ao ressaltar a estabilidade mês a mês, na comparação com fevereiro.

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Gripe suína em foco

Se o presente é desfavorável, a gripe suína veio para acabar com qualquer perspectiva de melhora no curto prazo. “Ainda é muito cedo para julgar o impacto da enfermidade”, pondera Bisignani. Contudo, o executivo ressalta que fatos responsáveis por diminuir a confiança do consumidor sempre detêm efeitos negativos no negócio, o que não poderia ocorrer “numa época pior, dados os outros problemas econômicos existentes”.

Bisignani enxerga como prematura a preocupação, mas reflexos da gripe suína sobre companhias norte-americanas já se fazem presentes. Com a confirmação de quarenta diagnósticos da doença nos EUA, elevam-se a restrições no trafego internacional, sendo ruim para companhias do setor, como a Continental Airlines, que detém 7% de seus voos destinados à América Central.

Além dos prospectos na economia real, respostas negativas na renda variável preocupam. Como evidência, as ações de companhias aéreas fecharam com desvalorização superior a 10% em Wall Street na última sessão, estendendo as perdas inclusive no pré-market desta terça-feira (28), mas com menor intensidade, dadas as baixas aproximadas de 1,5% a 2% nas negociações que precedem a abertura de Wall Street.