Montanha russa

Traders de câmbio esperam clareza após volatilidade causada por gafes de política econômica

Manchetes das negociações com a Grécia são o exemplo mais recente

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(SÃO PAULO) – Se existe uma coisa que os traders do mercado de câmbio querem dos políticos e banqueiros centrais no segundo semestre é mais clareza – e menos gafes – em relação ao rumo das políticas econômicas.

As manchetes das negociações com a Grécia são o exemplo mais recente: o euro despencou depois que uma autoridade grega informou na semana passada que o primeiro-ministro Alexis Tsipras havia dito que os credores tinham rejeitado sua última proposta de reforma, mas teve um rali quando se soube que não tinha sido exatamente isso que ele quis dizer. De Barack Obama e Angela Merkel até o presidente do Banco do Japão, autoridades do mundo inteiro fizeram, ou foram-lhes atribuídos, comentários que movimentaram as moedas de maneiras que aparentemente eles não esperavam.

As reviravoltas da política econômica transformaram os primeiros seis meses de 2015 em um período difícil para prever as taxas de câmbio, sendo que as principais moedas estão em média a uma distância de 6 por cento do ponto em que se previa que estivessem no fim do ano passado. A divergência se compara com uma variação de 4,5 por cento no primeiro semestre de 2014.

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“A perigosa oscilação dos preços nos últimos meses fará com que muitos traders se perguntem se é mais seguro ignorar a maioria dos comentários dos responsáveis pela política econômica do que tentar operar segundo as manchetes”, disse Sean Callow, estrategista da Westpac Banking Corp. em Sydney.

Volatilidade em alta

Os anúncios imprevistos, as gafes e tudo o mais têm mantido os mercados de câmbio voláteis neste ano e os países desenvolvidos mostraram as maiores oscilações nas cotações.

Um índice de volatilidade das moedas do G7 do JPMorgan Chase Co. foi de em média 10,2 por cento em 2015, na comparação com 7,2 por cento em todo o ano passado, a maior taxa desde a crise da dívida da zona do euro em 2011. A brecha entre esse indicador e uma medição para mercados emergentes está se aproximando do patamar mais amplo neste ano.

O motivo pelo qual os investidores são particularmente sensíveis aos pronunciamentos das autoridades é que políticas monetárias ultraliberais na Europa e no Japão desencadearam uma nova sequência de desvalorizações para aumentar a competitividade, processo conhecido como guerras cambais.

O euro apagou seus ganhos em 24 de junho, quando uma autoridade do governo grego disse a repórteres que Tsipras havia dito que as reformas propostas por ele tinham sido rejeitadas. A moeda única estava novamente em um rali duas horas depois, quando se soube que na verdade o líder grego tinha dito que apenas alguns credores haviam rejeitado sua proposta.

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Drama grego

A Europa e o euro têm sido o campo de batalha para muitas das surpresas em matéria de política econômica nas últimas semanas.

Merkel, a chanceler alemã, fez com que a moeda caísse no dia 12 de junho, quando disse que um euro forte torna difícil que países como a Espanha e Portugal se beneficiem das reformas. O BNP Paribas SA disse que suas palavras foram irônicas porque a Alemanha é o país que mais está se beneficiando com o declínio de 18 por cento do euro nos últimos doze meses.

O dólar caiu até 1 por cento em 8 de junho, quando se atribuiu a Obama, o presidente dos EUA, o comentário de que o dólar forte poderia se tornar um problema, informação desmentida mais tarde. Os supostos comentários feitos a delegados na cúpula do G7 na Alemanha, transmitidos aos jornalistas por uma autoridade francesa, foram desmentidas por Obama no mesmo dia.

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, desencadeou o maior rali do iene neste ano quando disse em 10 de junho que era “improvável que a moeda se enfraquecesse mais em termos reais e efetivos”. Ele deu uma guinada em uma semana, dizendo que seus comentários não pretendiam influir na taxa de câmbio.

“Esta é uma era dos bancos centrais em que cada um responde por si”, disse Grant Williams, veterano do setor que trabalha nos mercados financeiros há trinta anos, com experiência como trader em vários bancos, entre eles o UBS Group AG e o Bank of America. “Agora, qualquer pequena mudança feita por um banco central criará agitações enormes nos mercados”.