Tombini: transportes e serviços pressionam inflação

No entanto, segundo ele, como alimentos fazem parte do cotidiano, altas trazem mais desconforto para a população e maior percepção da inflação

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SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou durante evento nesta sexta-feira (25) que a inflação no Brasil não é apenas decorrente do comportamento das commodities, mas de itens como tarifas de transporte público e serviços.

De acordo com ele, há uma concentração atípica de choques de preços no início de 2011, especificamente em preços administrados, como preços de transporte público, e de alimentos in natura, decorrentes estes últimos de efeitos climáticos adversos.

“Como se tratam de itens que, de certa forma, fazem parte do cotidiano de todos nós, as altas dos preços de alimentos determinam mais desconforto da sociedade em geral com a dinâmica dos preços e a percepção de inflação se acentua”, afirmou.

Além disso, ele cita uma pressão de preços de serviços, que não é exclusivo do momento atual, mas que vem persistindo há algum tempo, fruto de uma mudança estrutural da economia brasileira.

Cenário internacional
O cenário externo também tem influenciado a inflação no Brasil. O presidente do BC apontou que a crise nos países do Norte da África e do Oriente Médio influencia a cotação do petróleo, com potenciais impactos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial.

“O trágico terremoto, seguido de tsunami, ocorrido no Japão e os seus desdobramentos de curto, médio e longo prazos, ampliam as incertezas sobre a recuperação da economia global e a evolução dos preços de importantes ativos”, completou.

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Segundo Tombini, nessas circunstâncias, o ambiente analítico se apresenta mais desafiador porque a magnitude do choque, em geral, leva certo tempo para se revelar com precisão.

Em relação à tendência para a alta de preços, ele disse: “Olhando adiante, entretanto, impactos residuais ainda estão por vir, ou seja, é possível que vejamos alguma piora marginal na percepção dos agentes sobre a inflação, mas, na ausência de novos choques, esse processo tende a se esgotar no curto prazo”.