Tombini reafirma compromisso com inflação “baixa e estável”

Em discurso de posse, Alexandre Tombini se disse honrado pela responsabilidade de presidir o BC e lembrou desafios à frente

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SÃO PAULO – Durante cerimônia de transição da presidência do Banco Central, Alexandre Tombini agradeceu Dilma Rousseff não só pela confiança, mas também “pela honra e responsabilidade de presidir essa instituição”.

O novo presidente do BC aproveitou a ocasião para expressar agradecimento a Henrique Meirelles, que em sua opinião fez não só a mais longa gestão à frente da autoridade monetária, mas também uma das mais bem sucedidas das mais de cinco décadas da instituição. “Como participei dessa gestão, a minha humildade não me permite dizer que foi a melhor”, disse.

Tombini reafirmou ainda seu compromisso em assegurar a estabilidade do poder de compra do real e garantir um sistema financeiro sólido. “Sabemos os efeitos nocivos que a inflação impõe à economia. Atualmente, o crescimento sustentável só pode ser alcançado com inflação baixa e estável”, declarou Tombini, que continua a enxergar no sistema de metas para a inflação o melhor caminho para cumprir a missão institucional do BC. 

Este é um dos pilares macroeconômicos, ao lado de uma política fiscal consistente e câmbio flutuante. “A consolidação dessas políticas com aperfeiçoamento do marco legal e regulatório propiciará condições para, no futuro, discutir a convergência da taxa de juros brasileira para patamares condizentes com os praticados pelos mercados em desenvolvimento”, disse Tombini. 

Sistema financeiro sólido
Na gestão de Tombini, o BC continuará a promover um sistema financeiro sólido, com regulação prudencial rigorosa e supervisão intensa, segundo o novo presidente da autoridade monetária nacional. “O BC não hesita em atuar de maneira intempestiva. Isso foi essencial em 2008 para superar a crise sem que nenhuma instituição financeira precisasse ser socorrida com dinheiro público”, lembrou. 

O novo presidente da autoridade monetária lembrou ainda que foram implementadas medidas que visam promover a inclusão no sistema financeiro, o que contribuiu para o desenvolvimento do mercado de crédito. “Mas o crescimento tem que ser cuidadoso, para evitar formação de bolhas. O BC monitora diariamente o desenvolvimento do mercado de crédito e sempre que necessário irá adotar medidas macroprudenciais”, exaltou Tombini. A expectativa dele é que a expansão do crédito ao consumo se dê, no futuro, a taxas menores, enquanto o crédito imobiliário deverá ganhar importância. 

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Apesar dos sucessos recentes, Tombini disse que a instituição tem plena consciência que não pode se acomodar. “Os desafios continuam grandes. Tenho convicção de que reunimos condições para superá-los”, declarou. Um deles é a renovação dos quadros do Banco Central, fruto das aposentadorias nos últimos dois anos. “É um momento propício para revisão de rotinas” e aperfeiçoamento da gestão, disse. 

Inclusão com educação
Tombini tomou como objetivo em seu discurso de posse, além da manutenção da inflação, a inclusão dos indivíduos no sistema financeiro, o que contribui para redução das desigualdades e fortalece o principal canal de transmissão da política monetária: o próprio sistema financeiro. Assim, quanto maior for a inclusão, oscilações menores das taxas de juros têm efeitos mais imediatos na demanda. Tombini defendeu ainda a educação financeira, com difusão dos conhecimentos sobre finanças pessoais, o que contribui para evitar o mau uso dos instrumentos disponíveis e o sobre-endividamento. 

Dessa vez, no entanto, ao contrário do discurso feito durante sabatina no Senado, Tombini não reafirmou o compromisso de Dilma Rousseff com autonomia operacional plena da instituição.