Inflação

Tombini destaca que regime de metas para inflação emergiu mais forte após crise

"No final, o regime de metas para inflação emergiu ainda mais forte depois da crise. Nenhum dos principais bancos centrais abandonou o regime de metas para inflação, e alguns bancos centrais que não o seguiam passaram a fazê-lo", afirmou Tombini

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O regime de metas para inflação emergiu ainda mais forte após a crise financeira mundial, afirmou nesta quarta-feira, 10, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Em discurso de abertura da mesa-redonda “Central Banking – the next 50 years”, no Rio, ele afirmou que o sistema de metas é “realmente útil” para transmitir mensagens claras ao público sobre a necessidade e as condições para a adoção de medidas não convencionais. “No final, o regime de metas para inflação emergiu ainda mais forte depois da crise. Nenhum dos principais bancos centrais abandonou o regime de metas para inflação, e alguns bancos centrais que não o seguiam passaram a fazê-lo”, disse.

O presidente do BC ainda disse não estar convencido da hipótese de estagnação secular, relançada por Larry Summers e Paul Krugman. “Enquanto houver oportunidades de investimentos rentáveis em algum lugar do mundo, o capital tende a fluir de economias onde há excesso de poupança para aquelas em que haja excesso de demanda por investimento”, afirmou. “De fato, há diversas oportunidades para se investir em projetos de alto retorno em muitas economias emergentes, incluindo o Brasil, especialmente em infraestrutura”, acrescentou Tombini.

O presidente do BC afirmou ainda que os bancos centrais e os formuladores de políticas econômicas no mundo ainda não têm uma avaliação sobre os efeitos e a eficácia de políticas não convencionais, mais notadamente o Quantitative Easing (QE). “Ainda não há uma visão consensual sobre os efeitos colaterais e a eficácia dessas políticas não convencionais”, disse.

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Fluxo de capitais

Tombini afirmou que é importante fazer uma abordagem múltipla para lidar com o surto de fluxo de capitais provocado pelo excesso de liquidez nos mercados globais após a adoção de políticas monetárias não convencionais pelos bancos centrais dos países desenvolvidos. Essa abordagem, segundo Tombini, inclui políticas estruturais, macroeconômicas e macroprudenciais. “Os mercados emergentes foram fustigados por fluxos de capitais extraordinariamente intensos e voláteis”, afirmou.

Segundo Tombini, “as intervenções nos mercados cambiais foram insuficientes para manter a estabilidade financeira”, após os fluxos de capitais intensos e voláteis por causa da liquidez global a nível sem precedentes. “Há atualmente amplo consenso sobre a importância de uma abordagem múltipla, que inclua políticas estruturais, macroeconômicas e macroprudenciais a fim de lidar com surtos muito intensos de fluxos de capitais”, disse.

O presidente do BC destacou os custos das políticas para lidar com os fluxos de capitais. “Essas medidas de gestão de fluxo têm custos, incluindo distorções de mercado, encargos administrativos e reações negativas do mercado”, afirmou.ni aproveitou para criticar a excessiva falta de regulação. “A abordagem ‘laissez-faire’ para os fluxos de capital não é uma opção. Ainda há desacordo, no entanto, sobre como lidar com os fluxos, sobre em quem deveria recair o ônus de ajustes e sobre o escopo da cooperação global”, afirmou o presidente do BC.

“A crise foi uma grande surpresa, não porque nós não tenhamos observado a formação das bolhas financeiras, mas sim porque a comunidade financeira não levou na devida conta as vulnerabilidades decorrentes do shadow banking, a opacidade dos novos instrumentos que ajudaram a alimentar as bolhas e as complexas conexões entre diferentes intermediários do setor financeiro”, completou Tombini.