Grupo Toky, dona da Tok&Stok e da Mobly, tem prejuízo de R$ 232,7 milhões no 2T

O grupo fechou 12 lojas no semestre e vê a receita cair 37,3%

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O Grupo Toky (TOKY3), holding que controla as varejistas de móveis e decoração Mobly e Tok&Stok, registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026, aumentando o prejuízo de R$ 88,8 milhões apurado um ano antes.

No acumulado do primeiro semestre, o resultado negativo somou R$ 308,3 milhões. O balanço reflete os primeiros meses da companhia sob recuperação judicial, processo que a própria administração credita como agravante das dificuldades operacionais do período.

Receita cai 37,3%

A retração dos negócios foi generalizada. O GMV (volume bruto de mercadorias) consolidado somou R$ 295,2 milhões no trimestre, queda de 31,9% em relação ao 2º trimestre de 2025, enquanto a receita operacional líquida caiu 37,3%, para R$ 207,1 milhões. A diferença entre as duas quedas decorre do aumento nos cancelamentos de pedidos, que reduziu a taxa de conversão do GMV em receita reconhecida.

Praticamente todos os canais de venda recuaram: o site caiu 46,8%, o marketplace 40,9% e as lojas físicas 23,4% no consolidado (queda de 41,0% na Mobly e de 18,9% na Tok&Stok).

A administração atribui o desempenho a uma combinação de dois fatores: um cenário macroeconômico “severamente restritivo”, com juros elevados, alto endividamento das famílias e escassez de crédito pressionando o consumo de móveis e decoração; e rupturas de estoque provocadas pelo próprio pedido de recuperação judicial, que abalou a confiança de fornecedores e parceiros comerciais, interrompeu o abastecimento e prolongou os prazos de entrega.

A margem bruta consolidada ficou em 52,1%, retração de 1,6 ponto percentual, pressionada por descontos concedidos pela Mobly para tentar mitigar o impacto das rupturas de estoque nas vendas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) do período foi negativo em R$ 156,2 milhões, e mesmo na visão ajustada — que exclui R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes — o indicador ficou negativo em R$ 7,6 milhões, com margem de -3,7% (ante +7,0% no 2T25). O caixa do Grupo encerrou o trimestre em R$ 23,4 milhões, com liquidez total de R$ 92,9 milhões.

Doze lojas fechadas e reestruturação em curso

Como parte do plano de reestruturação, a rede de lojas próprias do Grupo passou de 64 para 52 unidades entre dezembro de 2025 e junho de 2026, além da manutenção dos 5 centros de distribuição.

Somente no 2º trimestre, a companhia encerrou de forma antecipada 10 lojas deficitárias, o que gerou R$ 25 milhões em multas por distratos contratuais e R$ 9,4 milhões em baixa de benfeitorias dessas unidades. Entre os contratos de aluguel encerrados no período estão lojas como Pátio Batel (Curitiba), Pompéia, Sorocaba, Santos, Tijuca, Salvador Shopping, Iguatemi Ribeirão Preto, Shopping Ponta Negra (Manaus) e D&D Shopping.

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O Grupo também descontinuou o Seller Center — serviço que permitia a varejistas terceiros vender no site da Mobly —, concentrando esforços e investimentos em produtos de marca própria, e promoveu a devolução parcial do centro de distribuição de Extrema, consolidando os estoques no CD de Cajamar, movimento que deve gerar economia anual estimada em R$ 23 milhões em 2026.

Do total de R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes reconhecidos no trimestre, R$ 64,2 milhões (43,2%) vieram de reestruturação societária, honorários de assessorias jurídicas ligadas à recuperação judicial e rescisões decorrentes do fechamento de lojas — incluindo R$ 19,2 milhões provisionados para rescisão da diretoria. Outros R$ 47,4 milhões referem-se a ajustes em contas a receber do canal de marketplace e sellers, e R$ 19,1 milhões a custos logísticos para recomposição de saldos de fretes com terceiros.

Apesar do cenário adverso, a administração destacou avanços na integração entre Mobly e Tok&Stok, com a diluição dos custos logísticos praticamente estável mesmo com a receita 37,3% menor — sinal, segundo a companhia, de captura de sinergias operacionais em curso.

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Recuperação judicial

O Grupo Toky e suas controladas protocolaram o pedido de recuperação judicial em 12 de maio de 2026, com base na Lei nº 11.101/2005, perante a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da Comarca de São Paulo/SP. O processamento foi deferido em 15 de junho de 2026, com a AJ Ruiz Consultoria Empresarial Ltda. nomeada Administradora Judicial. Em 27 de julho de 2026, os acionistas ratificaram o ajuizamento do pedido em Assembleia Geral Extraordinária.

Até a data de autorização das demonstrações financeiras, em 12 de agosto de 2026, o Grupo ainda aguardava o envio da lista de credores ao processo — ou seja, o plano de recuperação judicial propriamente dito ainda não havia sido apresentado nem homologado.

Segundo a administração, a medida é “o instrumento adequado para reestruturar as obrigações financeiras do Grupo e reconstruir uma estrutura de capital compatível com sua geração de caixa”, mas não elimina, por si só, os riscos relacionados à liquidez e à continuidade operacional.

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O processo atual não se confunde com um episódio anterior para a varejista: o Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE) da Tok&Stok. O PRE foi homologado em 6 de novembro de 2024, ele resultou na emissão das atuais debêntures públicas (R$ 454,4 milhões, com vencimento em julho de 2031) e debêntures privadas conversíveis em ações (vencimento em dezembro de 2035).

A menor incidência de juros sobre esse plano, aliás, contribuiu para uma melhora de 38% no resultado financeiro do 2º trimestre, que passou de R$ 65,9 milhões negativos para R$ 40,6 milhões negativos.

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Camille Bocanegra
Mercados | Investimentos | Mundo

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.