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SÃO PAULO – O Tesouro Nacional buscará maneiras de chegar a uma melhor diversificação na base de investidores nos títulos públicos para melhorar o perfil da dívida. Segundo a STN (Secretaria do Tesouro Nacional), a atual distribuição, apesar de ser positiva, reserva alguns problemas que podem ser corrigidos.
Diversificando a base de investidores, a STN julga ser possível evitar o efeito manada, ou seja, quando um movimento brusco de um determinado grupo que concentra a maior parte da dívida implica numa alteração na curva de juros da dívida. “Com uma base mais diluída os movimentos são mais suaves e o Tesouro consegue administrar melhor a venda dos seus papéis”, retrata a STN. O Tesouro Nacional diz ainda que o objetivo com essa proposta de diversificação é mostrar sua transparência à sociedade.
Interferindo na demanda
Ainda de acordo com o comunicado, a STN pode alterar a estrutura de demanda dos títulos no médio prazo, ao fazer um “retrato” dos detentores dos títulos de dívida do governo. Assim, se, por exemplo, houver aumento ou queda no volume de títulos pertencentes aos fundos de pensão, que tendem a comprar títulos de longo prazo atrelados a índices de preços, as chamadas NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – série B), e o Tesouro observar esse movimento, poderá haver uma alteração nesta dinâmica.
Para o Tesouro, a melhor estratégia seria a venda de títulos prefixados e atrelados a índices de preços, porém a própria autarquia admite que esse modelo não seria o melhor para os fundos de investimento, interessados em LFT (Letras Financeiras do Tesouro) de curto prazo, títulos corrigidos pela Selic. O atual cenário de elevação de juros torna esse tipo de investimento mais rentável.
Estrutura dos detentores de títulos do governo
Essa ideia de diversificação se deve à estrutura dos detentores de títulos públicos atualmente. Segundo o último relatório da DPF (Dívida Pública Federal), eles estão divididos em seis categorias: instituições financeiras, com a maior participação nos títulos da dívida, de 29,4% do estoque de R$ 1,67 trilhão; fundos de investimentos, com participação de 26,6%; Previdência, com 14,7% do estoque; Não residentes, com 11,4%; Governo, com 10,7%; e Seguradoras, com 3,9%. Há ainda o grupo Outros, que engloba os perfis de investidores que não se encaixam nas seis categorias anteriores, com apenas 3,3% do total do estoque.