Tesouro dos EUA anuncia recompra de US$ 6 bi, mas juros seguem em alta

A operação, amplamente aguardada pelos investidores, representa um aumento significativo em relação ao programa regular de recompras, normalmente de US$ 2 bilhões

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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (9) a recompra de US$ 6 bilhões em títulos da dívida pública, em uma medida voltada a preservar a liquidez e o bom funcionamento do mercado de Treasuries.

A operação, amplamente aguardada pelos investidores, representa um aumento significativo em relação ao programa regular de recompras, normalmente de US$ 2 bilhões. O anúncio ocorre após o secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizar em agosto que o governo ampliaria substancialmente o montante destinado a esse tipo de operação.

Embora o objetivo oficial seja melhorar a liquidez dos papéis, especialmente dos vencimentos mais longos, como os títulos de 10 e 20 anos, participantes do mercado também interpretaram a iniciativa como uma tentativa de aliviar a pressão sobre os rendimentos dos Treasuries, que vinham operando nos níveis mais elevados desde antes da crise financeira de 2008.

A reação dos mercados, contudo, foi oposta ao esperado. Após o anúncio, os juros dos títulos americanos avançaram ainda mais, com o rendimento do Treasury de 10 anos alcançando 4,841%, alta de quase quatro pontos-base no dia.

Antes da divulgação, investidores especulavam que o volume da recompra poderia superar com folga os valores tradicionais, especialmente após o Tesouro afirmar anteriormente que o programa seria ampliado para pelo menos o dobro do tamanho habitual.

A recompra está programada para ocorrer na quinta-feira, em uma janela operacional de 20 minutos com encerramento previsto para as 14h no horário da Costa Leste dos Estados Unidos.

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O movimento recente dos rendimentos dos Treasuries reflete uma combinação de fatores, incluindo o aumento do endividamento público americano, que ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões, as preocupações com inflação associadas às tarifas comerciais e às tensões geopolíticas envolvendo o Irã, além da disparada dos preços da energia, que levou o petróleo a superar US$ 100 por barril.

Outro fator apontado por analistas é a menor liquidez dos títulos mais longos da curva americana, segmento que costuma apresentar menor atividade de negociação mesmo dentro do mercado de Treasuries, considerado o maior e mais líquido do mundo.