Temporada de balanços

Resultado da Tesla (TSLA34) vem melhor do que o consenso, apesar de dificuldades de produção; ações fecham em alta

Companhia conseguiu sustentar margens mesmo em meio a cenário macroeconômico desafiador

Por  Vitor Azevedo -

A Tesla (TSLA34) divulgou na noite de quarta-feira (21) seu resultado do segundo trimestre de 2022 – a companhia de Elon Musk trouxe lucro de US$ 2,27 por ação (totalizando US$ 2,26 bilhões), mais do que os US$ 1,81 do consenso e crescendo 98% no ano. A receita, por sua vez, totalizou US$ 16,93 bilhões, menor do que os US$ 17,1 bilhões projetados, mas avançando 44% na mesma base de comparação.

Com o resultado, as ações da empresa listadas na Nasdaq avançaram 9,78%, a US$ 815,12, voltando a um patamar não visto desde maio.

“A companhia do emblemático CEO surpreendeu em lucros mesmo com sua produção caindo 18% na base trimestral”, comentam os analistas da XP Expert em relatório. “A Tesla superou as estimativas apesar dos contratempos em sua cadeia de fabricação, devido às restrições contra a Covid-19 na China, escassez de semicondutores e problemas logísticos”, completam.

Guilherme Zanin, analista da Avenue, vai no mesmo caminho, apontando que a guerra da Ucrânia e os surtos de Covid-19 na China “exacerbaram a escassez contínua de semicondutores e peças automotivas”.

Ele destaca, porém, entre os destaques positivos, que a companhia de Elon Musk conseguiu manter sua orientação de crescimento médio anual de 50%, com a ajuda das novas fábricas no Texas e em Berlim. “No início deste mês, a Tesla reportou as vendas de 254.695 carros elétricos para o período encerrado em 30 de junho de 2022, mostrando um crescimento de 27% na base anual, mas com uma queda de 18% na trimestral ”, comenta.

Para a Levante, a Tesla trouxe um bom resultado em termos de receita, margem e lucro. “Mesmo com as paralisações na fábrica de Xangai e preço de insumos para a fabricação dos carros mais elevados, enxergamos que a Tesla efetuou um excelente trabalho, conseguindo repassar grande parte desse aumento no valor de seus veículos”, comentam os especialistas da research.

Apesar dos contratempos, a margem bruta da Tesla ficou em 28%, retraindo apenas 0,46 ponto percentual no ano. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de US$ 3,8 bilhões, subindo 52% no ano, com  a margem ficando em 22,5%, queda de 1,59 ponto.

“Esperamos melhores resultados nos próximos trimestres, com a continuidade do avanço da produção nas fábricas do Texas e de Berlin, além da retomada da atividade na planta de Xangai”, pontua a Levante. “Uma melhora nas cadeias produtivas de chips e uma redução nos preços de commodities metálicas também seriam positivos para uma melhora considerável na rentabilidade da operação”.

Por fim, os analistas chamaram atenção também o fato de a Tesla ter vendido 75% de suas reservas de Bitcoin, adicionando US$ 936 milhões em caixa ao seu balanço, buscando aumentar sua a liquidez.

“No geral, o caixa e equivalentes de caixa da empresa aumentaram US$ 847 milhões durante o trimestre. A Tesla causou ondas entre os entusiastas de criptomoedas quando anunciou no início de 2021 que havia comprado US$ 1,5 bilhão em bitcoin”, explica a Levante.

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