Tensões internacionais determinam queda de linhas de crédito em janeiro

Nota do Setor Externo divulgada pelo Banco Central mostra que estoque de linhas de crédito continuou caindo em janeiro

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SÃO PAULO – As incertezas dos bancos internacionais em relação aos mercados emergentes, refletindo a persistência da crise no Golfo Pérsico, continuaram determinando a queda no estoque de linhas de crédito interbancárias no mês de janeiro. Com a maior incerteza do mercado, houve um aumento da aversão ao risco por parte das instituições, o que acabou restringindo o crédito no período.

De acordo com a Nota do Setor Externo referente a janeiro e divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central, a disponibilidade total de linhas de crédito sofreu leve retração de 0,60% em relação a dezembro de 2002, passando de US$ 14,545 bilhões no último mês do ano passado para US$ 14,457 bilhões em janeiro de 2003.

Créditos de comércio são responsáveis por queda

A análise dos dados divulgados pelo Banco Central mostra que, em compasso com o contexto de maior aversão ao risco dos investidores, a maior restrição ocorreu dentre as linhas de crédito de comércio, que registraram queda em seu estoque da ordem de 1,45% frente a dezembro de 2002. No último mês de 2002, a disponibilidade de linhas de crédito de comércio era de US$ 9,862 bilhões, passando para US$ 9,719 bilhões em janeiro.

As demais linhas de crédito, que englobam overdrafts, time deposits, certificate of deposits etc, registraram, ao contrário das linhas de comércio, um aumento da ordem de 1,17% em janeiro. Neste sentido, o estoque passou de US$ 4,683 bilhões em dezembro de 2002 para US$ 4,738 bilhões em janeiro de 2003.

É interessante notar, com relação às linhas de crédito desvinculadas do comércio, que o aumento verificado em janeiro interrompe uma seqüência de quedas no estoque desta categoria de linhas de crédito. Neste sentido, esta foi a primeira elevação do estoque de linhas não vinculadas ao comércio em oito meses, uma vez que foi a partir de maio de 2002 que a trajetória passou a ser declinante.

Crise de confiança no Brasil abala crédito em 2002

A crise conjuntural pela qual passou a economia mundial em 2002 não foi o único fator que contribuiu para a forte queda nos estoques de linhas de crédito no Brasil ao longo do ano. Problemas de natureza interna, intrinsicamente ligados com a crise de confiança gerada pelo processo eleitoral, determinaram, em grande medida, o recuo das linhas de crédito.

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Neste sentido, em janeiro de 2002, o saldo total de linhas de crédito interbancárias era de US$ 20,220 bilhões. Com as indefinições políticas, este saldo foi sendo gradativamente corroído, de forma que, segundo os dados do Banco Central, os estoques de linhas de crédito em janeiro de 2003 sofreram retração de 28,50% quando comparados ao mesmo período do ano anterior.

O estoque de linhas de crédito segue uma trajetória declinante desde maio de 2002, quando definiu-se com maior precisão o cenário eleitoral. Para se ter uma idéia, o estoque de linhas de crédito era de US$ 19,928 bilhões em maio de 2002, passando para US$ 15,408 bilhões em novembro e US$ 14,545 bilhões em dezembro de 2002.

Conjuntura internacional é crucial para crédito

Além de medidas concretas do governo brasileiro no sentido de mostrar aos investidores internacionais austeridade fiscal e monetária, a elevação do estoque de linhas de crédito depende, em grande medida, do desempenho da economia global nos próximos meses.

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Neste sentido, uma possível guerra entre Estados Unidos e Iraque pode contribuir para maior queda nas disponibilidades de crédito, visto que o conflito abala a confiança dos investidores, à medida que cria obstáculos para a recuperação e bom desempenho das principais economias mundiais.