Tensões entre Brasil e Irã podem afetar Minerva, Marfrig e JBS, diz BofA

Bloqueio das exportações brasileiras representa risco potencial para setor e precisa ser monitorado, comentaram analistas

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SÃO PAULO – O aumento das tensões entre Irã e Brasil devem afetar as vendas de exportação dos processadores de carne no segmento de proteínas no País, disse o Bank of America Merrill Lynch. No ano passado, aproximadamente 13% das vendas de exportação de carne e 1% das de aves foram para o Irã.

Entre as companhias que o banco faz cobertura, a Minerva (BEEF3) é que representa a maior exposição dado seu perfil exportador, configurando 66% de sua receita, enquanto a Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3) são as menos expostas. 

Embora os processadores brasileiros de proteína atenderem a um mercado diversificado e possuírem capacidade de redirecionar suas vendas para outros mercados tão bem quanto para o doméstico, o risco do Irã pode aumentar e precisa ser monitorado, comentaram em relatório os analistas Fernando Ferreira e Isabella Simonato do BofA.

Segundo uma reportagens da Folha de São Paulo, alguns exportadores brasileiros de carne e aves foram interrompidos na fronteira iraniana por até três semanas sem nenhuma explicação.

O texto sugere que o governo do Irã talvez tenha revisado seu acordo bilateral com o Brasil, negociado durante o governo do presidente Lula, em retaliação a atual política brasileira da presidente Dilma Rousseff, que é contra o programa nuclear do país. Contudo, o resultado desse bloqueio será limitado, já que as exportações de aves em 2011 para o Irã representaram apenas 1%.

Minerva é a mais prejudicada
A Minerva deve ser a maior prejudicada, segundo os analistas do banco, já que as exportações da companhia para o Oriente Médio representaram 21% do resultado do terceiro trimestre de 2011, ou 12% da receita bruta. Desse total, o Irã representa 50% das exportações da companhia para o Oriente Médio, ou 7% de sua receita consolidada. Por sua vez, a companhia não observou nenhuma interrupção dos seus negócios com o país. 

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Por outro lado, a Marfrig e a JBS são as menos expostas ao Oriente Médio devido à sua maior diversificação geográfica e de produto. No terceiro trimestre de 2011, a Marfrig registrou 16% de suas exportações para o Oriente Médio, enquanto as da JBS foram de 14%, incluindo a África. Estes números podem ser traduzidos para 5% e 3% de exposição da Marfrig e JBS ao Irã, respectivamente. Porém, o impacto é limitado para ambas as companhias com menos de 1% da receita. 

Recomendação
Diante desse quadro, o BofA reafirmou sua recomendação overweight 30% – o que significa um bom desempenho, mas é esperado um pequeno spread – para os bonds da Marfrig, enquanto a JBS e Minerva tem call underperform para os seus bonds – o que pode ser traduzido como pouco atrativos. 

Além disso, o banco permaneceu com preço-alvo de R$ 9,60 e R$ 5,60 para as ações da Marfrig e Minerva, respectivamente, configurando um potencial de valorização de 18,81% e 8,53%, em relação ao fechamento da última segunda-feira (23). Por sua vez, o target dos papéis da JBS é de R$ 5,70, o que implica um potencial de desvalorização de 2,06%.