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SÃO PAULO – A semana começou com grande volatilidade, após uma reportagem da revista alemã Der Spiegel ter afirmado que os governos da Alemanha e da França estariam pressionando Portugal a buscar ajuda financeira. Na iminência de leilões para rolagem da dívida do país, os rumores contribuíram para que a emissão de títulos fosse assistida de perto pelo mercado.
As altas que se seguiram foram explicadas pela boa demanda apresentada pelos títulos e pelo prêmio oferecido aos investidores, um pouco menor do que o estimado pelo mercado. Como afirmou Marcelo Varejão, analista da Socopa, os leilões, que também ocorreram com sucesso na Itália e na Espanha, tiraram, ao menos um pouco, a pressão de curtíssimo prazo que existia em relação à Europa.
Mas como no mercado a calmaria geralmente não é muito duradoura, a próxima semana aguarda uma série de dados que terão o poder de mexer com os mercados. A visão dos analistas é positiva, embora as afirmações para o curto prazo sejam sempre muito difíceis, porque dependem do fluxo de notícias internacionais, conforme aponta André Paes, diretor de estratégias e produtos e gestor de renda variável da Infinity.
China pode pressionar de qualquer jeito
Se o holofote não está mais sobre a Europa, agora é a vez da China estar no centro da palco. Na madrugada de quarta para quinta-feira (20), de acordo com o horário de Brasília, o país deverá publicar importantes números relativos à sua economia, tais como PIB (Produto Interno Bruto), produção industrial e inflação.
Para agradar o mercado, esses dados deverão ter que mostrar um delicado equilíbrio, já que a China tem que continuar a crescer e manter-se como locomotiva global ao mesmo tempo em que combate a pressão inflacionária doméstica. Em mais uma tentativa de conter preços, nesta sexta-feira (14) o PBoC (Banco Popular da China), autoridade monetária chinesa, anunciou que vai elevar a exigência de reservas dos bancos em 0,50 ponto percentual.
Nem Paes nem Varejão descartam que a autoridade monetária chinesa pode anunciar, com a divulgação dos novos dados, outras medidas de aperto monetário, tais como outra elevação do compulsório ou mesmo alta dos juros, embora não seja esse o cenário mais provável para o curto prazo.
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“Medidas como aumento gradativo do compulsório são esperadas, e fica a dúvida se as autoridades vão mexer na taxa de juros”, afirmou Varejão da Socopa. Na visão do analista, a combinação de dados que mais agradaria o mercado pode soar controversa, mas faz sentido. “Acho que números em linha ou até um pouco abaixo do esperado para crescimento e produção podem ser mais positivos para a bolsa”, avalia, especialmente se acompanhados de inflação mais comportada.
Aperto monetário também no Brasil
Se na China novas medidas de aperto são dúvida, por aqui o mercado trabalha com a certeza de que o Copom (Comitê de Política Monetária) dará início a um novo ciclo de altas da taxa Selic na quarta-feira (19). Apesar dos analistas não terem considerado a ata da última reunião, em que a taxa básica de juros foi mantida, muito clara, o Relatório Trimestral de Inflação praticamente sanou quaisquer possíveis dúvidas.
No documento, lê-se que é “importante destacar que, no regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções, sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros”. Diante de tal aviso, André Paes acredita que a alta está precificada e não deverá ocasionar volatilidade no mercado.
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Marcelo Varejão também só vê impacto se o ciclo se prolongar muito e começar a roubar atratividade da renda variável, o que por enquanto não é o caso, especialmente por causa da alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que investidores não-residentes encontram na hora de alocar recursos em renda fixa no País.
Dólar: mais medidas?
A elevação do IOF foi uma decisão tomada pelo governo na tentativa de conter a valorização do real. Desde então, outros passos foram dados, tais como aumento do compulsório para as posições vendidas em câmbio das instituições financeiras e, nesta sexta, a realização de um leilão de swap cambial reverso, que não era utilizado pelo Banco Central desde 2009.
“São medidas para amenizar a queda, mas a direção do câmbio depende mais do cenário externo do que de medidas internas”, avalia o gestor da Infinity, para quem inversão dessa relação só ocorreria em casos de atitudes radicais, o que ele não acredita que ocorrerá.
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Marcelo Varejão, por sua vez, também não aposta em medidas drásticas, embora não descarte a possibilidade de elevação de IOF para renda variável, por exemplo. “Acho que o governo está tentando outras formas que não essa, pois a taxação em bolsa seria bastante negativa para o mercado”, aponta.
Nos EUA, referência será balanços de empresas
Para quem sentiu falta dos Estados Unidos, a semana deverá de fato ser um pouco mais tranquila por lá, já que logo na segunda-feira os mercados permanecerão fechados por causa de um feriado. Ao longo da semana, serão divulgados dados de atividade manufatureira em Nova York e Philadelphia e números do mercado imobiliário, que, apesar de importantes, tendem a não ser o principal evento, avalia Varejão.
Assim, ganha relevância a temporada de resultados, que deve contribuir positivamente. A semana conta com dados para todos os gostos. Além de Apple e IBM, grandes bancos como Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup publicarão seus balanços. O JP Morgan, que deu o pontapé inicial para o setor, apresentou bons números e terminou a sessão em alta nesta sexta.
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No entanto, nenhum indicador sozinho deverá definir a tendência. “Acreditamos numa possível alta, mas isso será revisado a cada dia de acordo com os novos dados”, concluiu Varejão, da Socopa.