Tempestade à vista: China desacelera bruscamente e pode prejudicar Brasil

Governo chinês tem tomado medidas recentemente, mas desaceleração ainda preocupa players do mercado; Brasil está na mira

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SÃO PAULO – Uma verdadeira tempestade aparece para o mercado e para a economia mundial: dados da economia chinesa mostram que o gigante está, de fato, desacelerando mais do que o previsto. Esse é um péssimo sinal para o Brasil, que vê no país asiático o seu principal parceiro comercial e pode sofrer efeitos negativos dessa desaceleração. Essa desaceleração já é sentida pelos vizinhos chineses, como a Coreia do Sul e a Índia – que já estão vendo seus indicadores sinalizarem fraqueza na economia.

“Para piorar a sensação, os guarda-chuvas de que as autoridades globais possuem para se proteger neste momento parecem pequenos”, afirma Daniel Cunha, da equipe de análise da XP Investimentos. Apenas a desaceleração das últimas semanas já foi o suficiente para derrubar o preço de uma das principais commodities exportadas pelo Brasil, o minério de ferro – prejudicando uma das principais empresas nacionais, a Vale (VALE3; VALE5) e trazendo dúvidas sobre a continuidade do bom desempenho econômico dos principais vendedores globais de matérias primas metálicas, Brasil e Austrália.

É verdade que o governo chinês tem tentado minimizar os efeitos dessa queda – e recentemente anunciou um pacote de estímulos de US$ 157 bilhões em infraestrutura, fato este que fortaleceu as principais mineradoras brasileiras, como a Vale, CSN (CSNA3) e MMX Mineração (MMXM3). A sensação de alguns participantes do mercado – como listair Thornton e Xianfang Ren da IHS Global Insight -, porém, é que o governo chinês subestimou a queda e está agindo tardiamente. “Pequim precisa promover ajustes para estabilizar o crescimento”, avisa Hongbin Qu do HSBC.

As medidas, porém, podem ser acompanhadas de um afrouxamento monetário em breve: cortes nos juros e redução dos depósitos compulsórios são algumas das medidas que o governo chinês pode tomar em breve, na opinião do mercado. O efeito, porém, provavelmente será desconhecido, já que o mercado perdeu a confiança nos dados chineses, e acredita que a situação por lá possa estar muito pior que o divulgado.

Veja Mais: China corta produção de minério de ferro por preço em queda

Brasil na linha de tiro?
Por enquanto, a desaceleração chinesa e a crise na Europa já jogaram Hong Kong e Singapura em recessões. O Brasil pode, também, seguir esse caminho, se não agir a tempo. “A ausência do impulso externo é relevante para a economia como um todo e mais ainda, para a indústria”, avalia Cunha – chamando a atenção para a sobre-oferta global de produtos industriais, o que retira a competitividade do produto nacional. 

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Nesse meio tempo, o governo de Dilma Rousseff, presidente do País, tem agido através de medidas imediatistas, que visam aumentar a capacidade de consumo do brasileiro – de forma a não deixar que o nível de atividade recue por aqui. “Acredito que políticas baseadas em imediatismo e focadas apenas na expansão da demanda não conseguirão acelerar o crescimento de maneira consistente e ainda geram riscos potenciais de desequilíbrios macroeconômicos, em particular a inflação”, destaca o economista da XP.

Uma outra causa ser atacada: o custo Brasil e toda a ineficiência da indústria nacional, que tem atrasado o crescimento. Neste ponto, Dilma já anunciou um corte nos preços da energia. “Nosso governo se quiser acelerar o crescimento do PIB de modo mais sustentável ,deverá focar em políticas que favoreçam o aumento da produtividade. Os resultados serão lentos, mas garantirão um crescimento muito mais saudável e sustentável no longo prazo”, finaliza Cunha.