Temor com montadoras e bancos volta a tona e bolsa recua junto a commodities

Wall Street sente as tensões e cai forte, contagiando o Ibovespa, que tem Petrobras e Vale entre destaques de baixa; dólar sobe

Publicidade

SÃO PAULO – Envolto pelas tensões quanto à saúde dos setores financeiro e automotivo dos EUA, o primeiro pregão desta semana foi de duras perdas para os mercados. Wall Street foi contaminada pelas tensões, ao passo que na Europa pesou também a queda nos preços das matérias-primas. Para a bolsa brasileira não foi diferente, mesmo com os estímulos anunciados pelo governo. Sob forte pressão de Vale e Petrobras, o Ibovespa terminou com queda de 2,99%.

“Mudanças mais dolorosas” para reduzir suas respectivas bases de custo, declarou o presidente dos EUA Barack Obama se referindo à situação de GM e Chrysler. E elas parecem já ter começado: Rick Wagoner, CEO da (Chief Executive Officer) da General Motors, foi destituído de seu cargo sob forte pressão do governo, enquanto a Chrysler se antecipou ao prazo de 30 dias para negociar uma união ou parceira com a italiana Fiat e anunciou acordo.

Este acordo prevê que a Fiat fique com pouco menos dos 35% em ações da Chrysler anteriormente mencionados, além de não poder estender sua fatia para mais de 49% após o pagamento dos aportes do governo dos EUA. O plano foi aceito pela Cerberus Capital Management, controladora da empresa norte-americana.

Os ativos do setor financeiro também estiveram entre os destaques de baixa nas bolsas norte-americanas. Tim Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, declarou que “existem alguns bancos que ainda necessitarão de grandes montantes de assistência” em programa na rede televisiva ABC. Como reflexo dos temores sinalizados, as ações de Bank of America e JPMorgan Chase registram baixas respectivas de 17,85% e 9,31%, enquanto os papéis do Citigroup apontam queda 11,83%.

As atenções no plano doméstico se voltaram ao anúncio do ministro da Fazenda. Guido Mantega divulgou novas medidas de estímulo econômico, dentre as quais se destaca a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido para carros. A temporada de resultados corporativos também chamou a atenção dos investidores, com destaque para os números de CSN e Eletrobrás.

Vale e Petrobras pressionam

Guiado por perdas generalizadas nas bolsas globais, o Ibovespa fechou com forte desvalorização. Amparada pela forte baixa no preço das commodities, a acentuada queda dos papéis de Vale e Petrobras também penalizou o índice.

Continua depois da publicidade

Além da forte queda no preço dos metais, em especial cobre e prata, os papéis da Vale tiveram a pressão do corte de recomendações feito por HSBC e Santander. O fraco desempenho de seus pares externos, como BHP Billiton (-7,4%) e Rio Tinto (-5,6%), também pressionou.

Mesmo depois de ter notificado à ANP (Agência Nacional do Petróleo) uma nova descoberta de indícios de hidrocarbonetos na bacia de Potiguar, que abrange os estados do Rio Grande do Norte e Ceará, as ações da Petrobras fecharam com forte baixa, na esteira da expressiva desvalorização de mais de 7% dos preços do petróleo.

Em destaque na temporada de resultados, o lucro líquido da CSN no quarto trimestre de 2008 somou R$ 3,93 bilhões, cerca de oito vezes os R$ 500 milhões contabilizados em igual período de 2007. Contudo, os resultados ficaram abaixou das expectativas da Brascan. Os papéis da siderúrgica foram influenciados pelo mau humor externo e fecharam no vermelho.

Continua depois da publicidade

Ibovespa sobe 2,99%

O Ibovespa acompanhou o fraco desempenho das bolsas norte-americanas e europeias e fechou com queda de 2,99%, aos 40.653 pontos. O volume financeiro do índice totalizou R$ 3,58 bilhões nesta sessão.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
TAMM4 TAM PN N2 13,20 -6,52 -30,85 9,89M
GOAU4 Gerdau Met PN 16,35 -6,30 -18,29 15,14M
GGBR4 Gerdau PN 12,54 -6,28 -16,45 109,74M
CRUZ3 Souza Cruz ON 44,80 -6,28 +6,41 40,14M
USIM3 Usiminas ON 25,61 -6,09 +0,99 21,23M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Continua depois da publicidade

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
TLPP4 Telesp PN 47,49 +2,57 +7,69 3,80M
GFSA3 Gafisa ON 11,34 +2,16 +8,10 19,04M
BTOW3 B2W Varejo ON 21,69 +1,83 -8,23 11,75M
SDIA4 Sadia PN 3,06 +1,66 -18,40 45,58M
ELET3 Eletrobras ON 25,55 +1,63 -1,31 29,80M

No destaque negativo do índice figuraram os papéis da TAM. Entre outros fatores, os ativos foram pressionados pelo recente anúncio de que a agência de classificação de risco Standard & Poor´s alterou a perspectiva dos ratings atribuídos à companhia de estável para negativa, em virtude do “ambiente operacional desafiador” que a empresa enfrenta.

Já no destaque positivo do índice apareceram as ações da Telesp, se recuperando das perdas verificadas no último pregão. Também entre as poucas valorizações do índice, as ações da Sadia reagiram à possibilidade de uma reestruturação da companhia sinalizada por seu chairman Luiz Furlan. O executivo declarou que até junho deverá haver uma conclusão.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Continua depois da publicidade

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
VALE5 Vale Rio Doce PNA 26,66 -4,07 532,64M 547,68M 21.951
PETR4 Petrobras PN 28,78 -2,77 481,85M 739,41M 16.228
VALE3 Vale Rio Doce ON 30,43 -5,64 217,55M 130,70M 10.073
RDCD3 Redecard ON 27,55 -3,33 196,59M 71,75M 7.400
PETR3 Petrobras ON 35,78 -3,43 147,87M 196,98M 5.175

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar sobe

Sustentando movimento de forte alta por todo o dia, o dólar comercial fechou essa segunda-feira com valorização de 1,66%, sendo cotado a R$ 2,332, sendo esta a segunda alta consecutiva da moeda norte-americana frente ao real.

Na agenda econômica, o Banco Central divulgou a edição atualizada do relatório Focus, tendo a mediana das projeções compiladas indicado crescimento nulo para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009. Já o saldo da balança comercial é estimado em US$ 14 bilhões no acumulado do ano, menor que os US$ 13,02 bilhões de superávit sinalizados no relatório anterior.

O Bacen divulgou também seu Relatório Trimestral de Inflação. A retração da demanda mundial e as reduções projetadas para os preços no atacado de produtos industriais proporcionaram uma desaceleração do ritmo da inflação para este ano, sendo estimado que o valor fique abaixo dos 4,5% estipulados como meta da CMN (Conselho Monetário Nacional).

Renda fixa

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 126,05% de seu valor de face, o que representa uma queda de 0,19%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 421 pontos-base, alta de 12 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais

O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou; em forte baixa de 3,48% e atingiu 788 pontos.

Seguindo esta tendência, o índice Dow Jones desvalorizou-se 3,27% a 7.522 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 2,81% a 1.502 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou forte baixa de 5,10% e atingiu 3.989 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 4,27% chegando a 2.719 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 3,49% a 3.763 pontos.

Confira os indicadores previstos para a terça-feira

A FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga a Sondagem Industrial referente ao mês de março, que reúne informações sobre a evolução da atividade da indústria nacional. O Banco Central anuncia a Nota de Política Fiscal do mês de fevereiro, que revelará os gastos públicos realizados durante o período.

Nos EUA, a agência de classificação de risco S&P (Standard & Poor’s) divulga o S&P/Case-Shiller Home Price de janeiro. O indicador denota a trajetória dos preços das casas nos EUA por meio de uma média móvel trimestral.

Sai também o Consumer Confidence referente ao mês de março. O índice é responsável por medir a confiança dos consumidores norte-americanos. Será publicado ainda o Chicago PMI referente ao mês de março, que mede o nível de atividade industrial na região.