Temor com crise europeia continua e mercados internacionais caem

Em pregão de poucos indicadores, noticiário econômico europeu deve se manter em foco e analistas sugerem cautela

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SÃO PAULO – Em um pregão no qual não estão previstos indicadores econômicos de grande relevância para o mercado tanto na Europa quanto nos EUA e no Brasil, os temores com relação à trajetória da economia global não se dissipam nessa sexta-feira (23), como pode ser observado no desempenho negativo dos principais mercados acionários ao redor do globo.

“(…) a agenda externa vazia deixa os mercados na dependência de notícias relacionadas aos fatores atuais de tensão. Não há, por ora, sinais de reversão do nervosismo, o que garante a manutenção da volatilidade nos próximos dias”, argumenta Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

Neste contexto, ganha atenção um comunicado emitido pelo G-20 na noite de quinta-feira, o qual reafirmou o seu compromisso em sustentar o crescimento econômico e em assumir riscos para combater as fragilidades do sistema financeiro e o fraco desempenho da economia.

Grécia continua no radar
Após o anúncio, alguns dos principais índices acionários da Europa chegaram a alcançar o campo positivo, mas logo passaram para o vermelho, pressionados pelo corte no rating de oito bancos gregos pela Moody’s, a qual ainda reiterou a sua perspectiva negativa para as notas.

A agência citou como argumentos os problemas de liquidez que as instituições financeiras gregas enfrentam, bem como a probabilidade de aumento na inadimplência e nas perdas decorrentes de títulos públicos da dívida grega.

Destaca-se também a declaração do ministro de finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, o qual traçou alguns cenários para o futuro do país, sendo que o cenário mais otimista seria uma reestruturação da dívida, a qual implicaria um perdão de 50% da dívida por parte dos credores, segundo o jornal local Ta Nea. 

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Por outro lado, Venizelos, em nota, ressalta que o país toma todas as medidas necessárias para implantar as medidas acordadas na reunião de 21 de julho, sendo que qualquer outro rumor acerca do assunto não é benéfico para o atual cenário.

Momento é de cautela
Portanto, os analistas sugerem aos investidores que evitem correr riscos excessivos. “Recomendamos muita cautela no curtíssimo prazo, já que a palavra de ordem é ‘desalavancagem’”, alerta Marco Melo, head de análise da Ágora Corretora.

“Diante desta conjuntura global completamente instável e com variáveis e desfecho imprevisíveis, a nossa recomendação aos clientes que não podem ou não querem correr riscos é (…) dividir os fechamentos em vários lotes em momentos e taxas diferentes, de tal forma que, qualquer que seja o desfecho da crise, consiga ‘uma média’ nas cotações de seus negócios”, complementa Tavares.

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Inflação recua
Por aqui, a agenda de indicadores – apesar de ofuscada pelo cenário internacional, como já ressaltado anteriormente – traz alguns dados, como o recuo de 0,11 ponto percentual do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) na terceira medição de setembro, aos 0,58%. É aguardada também a nota ao setor externo, a ser publicada pelo Banco Central.