Temor com bancos volta a pairar sobre os mercados e Ibovespa recua 2,94%

Wall Street sente a pressão por realização e contamina o índice, que é penalizado pela queda das commodities; dólar sobe 2,28%

Publicidade

SÃO PAULO – No primeiro pregão desta semana, nem mesmo o resultado melhor que o previsto de mais uma instituição financeira foi suficiente para animar os mercados, que responderam à queda das commodities e aos indícios de piora na economia dos EUA com fortes perdas. Contagiado pelo mau humor externo, o Ibovespa foi puxado por blue chips e produtoras de celulose e terminou com forte recuo de 2,94%.

O Bank of America – que perdeu três quartos do seu valor de mercado no ano passado – reportou números trimestrais melhores que o previsto ao anunciar um lucro líquido de US$ 4,24 bilhões no primeiro trimestre de 2009. Porém, o incremento das reservas para devedores duvidosos não agradou os investidores e fez com que seus papéis desabassem 24,3% nesta sessão. Agravando as preocupações com o setor, o Goldman Sachs disse que as perdas de crédito do Citigroup crescem numa “taxa rápida”.

As atenções dos investidores também se voltaram para o setor de tecnologia. O resultado da IBM, que viu seu antigo alvo para aquisição – a Sun Microsystems – acertar sua venda para a Oracle por US$ 7,4 bilhões, foi aguardado com ansiedade pelos investidores. Neste sentido, também ganha destaque a oferta de US$ 6 bilhões realizada pela PepsiCo para compra de participação em algumas de suas distribuidoras.

No âmbito econômico, o Leading Indicators – que compila os principais indicadores sobre a economia do país – veio pior que o esperado pelo mercado ao registrar variação negativa de 0,3% em março. Por aqui, a sessão foi marcada pelo vencimento dos contratos de opções, que movimentou R$ 2,34 bilhões em abril, segundo dados da BM&F Bovespa. Até o momento, esta é a maior cifra registrada no ano.

Blues chips e produtoras de celulose

Acompanhando as perdas verificadas nas bolsas norte-americanas, o Ibovespa fechou com acentuada desvalorização, sob pressão dos papéis de blue chips e produtoras de celulose. O fraco desempenho do setor de consumo e varejo também alimentou o pessimismo nos negócios da bolsa brasileira.

Enquanto os papéis da Vale foram pressionados pela forte queda nas cotações do metais, as ações da Petrobras sentiram a desvalorização verificada nas cotações de petróleo. Já para o setor de siderurgia pesou a notícia de que os preços do aço na China registraram queda de 9% desde fevereiro, segundo o Beijing Antaike Information Development.

Continua depois da publicidade

Já no setor de papel e celulose, as ações de Aracruz e VCP registraram forte perdas nesta sessão. Depois do UBS rebaixar a recomendação aos papéis, o Deutsche Bank afirmou na última sexta-feira (17) que a demanda da China por papel e celulose pode não ser sustentável. e também reduziu as sugestões.

As ações da Sadia também se destacaram entre perdas desta sessão. No domingo, o presidente da companhia, Luiz Fernando Furlan, admitiu que, entre outras opções, está considerando a emissão de ações como uma das hipóteses para sua recapitalização, após o prejuízo de R$ 2,49 bilhões registrado em 2008.

Ibovespa cai 2,94%

Estendendo o movimento declinante do último pregão, o Ibovespa fechou com queda de 2,94%, aos 44.433 pontos. O volume financeiro do índice totalizou R$ 5,61 bilhões nesta sessão.

Continua depois da publicidade

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
CSAN3 Cosan ON 11,50 -8,00 +2,31 48,22M
VCPA4 VCP PN 13,47 -7,10 -24,87 12,22M
CYRE3 Cyrela Realty ON 10,97 -6,64 +19,24 22,76M
ARCZ6 Aracruz PNB 1,88 -6,00 -24,50 13,85M
GFSA3 Gafisa ON 14,15 -5,85 +34,89 31,77M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
NETC4 Net PN N2 16,25 +2,20 +22,39 27,46M
GOLL4 Gol PN N2 7,43 +0,95 -25,03 8,34M
BNCA3 Nossa Caixa ON 71,50 +0,28 +5,60 5,62M
CGAS5 Comgas PNA 32,69 +0,12 -1,15 1,22M

O destaque negativo do índice ficou para os papéis da Cosan, que desabaram pelo terceiro pregão consecutivo em meio às tensões envolvendo a queda nos preços de combustíveis.

Continua depois da publicidade

Na outra ponta, os ativos da NET se destacaram entre os ganhos do índice, que voltam a recuperar parte das perdas sofridas com o anúncio do cancelamento da cobrança do ponto-extra para a TV a cabo.

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 28,80 -2,44 587,98M 661,13M 16.142
VALE5 Vale Rio Doce PNA 29,13 -2,25 501,71M 522,82M 12.816
PETR3 Petrobras ON 36,20 -3,08 166,80M 184,70M 5.426
BVMF3 BMF Bovespa ON 8,66 -1,37 144,57M 138,42M 5.138
ITAU4 Itau Unibanco PN 27,28 -3,60 138,07M 177,95M 6.576

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Continua depois da publicidade

Dólar em forte alta

Os mercados globais não resistiram às referências preocupantes desta segunda-feira (20). Embalado pelo clima tenso visto nas principais bolsas globais, o dólar comercial encerrou a primeira sessão da semana com forte alta de 2,28%, cotado a R$ 2,244 na venda. Esta foi a maior valorização percentual desde 27 de março.

Dados publicados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) mostraram que a balança comercial brasileira teve saldo superavitário de US$ 328 milhões na terceira semana de abril, resultado de US$ 2,756 bilhões exportados e US$ 2,428 bilhões importados. O saldo acumulado no ano avançou para US$ 4,677 bilhões.

Os investidores também se atentaram às mudanças presentes na edição atualizada do relatório Focus do Banco Central. A mediana para as projeções do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2009 caiu pela sétima semana consecutiva, ficando em -0,49%. Também sofreu nova queda a projeção para a produção industrial, que, pelas expectativas compiladas pelo BC, deve recuar 3,75% este ano.

Renda Fixa

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 127,10% de seu valor de face, o que representa uma queda de 0,85%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 402 pontos-base, alta de 21 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais

O índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em forte baixa de 4,28% e atingiu 832 pontos.

Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 3,88% a 1.608 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 3,56% a 7.842 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou forte baixa de 4,07% e atingiu 4.486 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 3,96% chegando a 2.969 pontos e o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 2,49% a 3.991 pontos.