Temor com a economia guia virada dos mercados no final do dia e Ibovespa cai 0,20%

Ata do Fed pressiona Wall Street, enquanto ações da Braskem lideram baixas do índice por aqui; dólar recua para R$ 2,025

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SÃO PAULO – Depois de transitarem no campo positivo na maior parte do pregão, os mercados repetiram o movimento da véspera terminaram no vermelho. Desta vez, os temores do Fed com a economia dos EUA preocuparam Wall Street, que também assistiu às tensões envolvendo o setor de cartões de crédito. Por aqui, o Ibovespa não resistiu ao mau humor externo e terminou com recuo pelo segundo pregão consecutivo. De um lado, petroquímicas pressionaram o índice, do outro, petrolíferas limitaram as perdas.

Preocupados com a difícil situação da maior economia do mundo, alguns membros do Federal Reserve sugeriram ampliar o montante de compra de títulos de dívida no mercado além do plano de US$ 1,75 trilhão em aquisições já anunciado. O cenário preocupante fez com que o colegiado reduzisse suas projeções para a atividade econômica do país, esperando agora uma contração de 1,3% a 2,0% no PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano em 2009.

Com 367 votos a favor e 61 contra, a Câmara dos Estados Unidos anunciou a aprovação final da mudança na legislação vigente para administradoras de cartões de crédito. Após o anúncio, o CEO (Chief Executive Officer) da American Express, Kenneth Chenault disse que as mudanças podem reduzir a concessão de empréstimos a “consumidores que precisam deles”, e que elas vão atingir mais seus concorrentes. Estendendo as perdas da véspera, as ações da empresa caíram 3,27%.

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Em contrapartida, a General Motors viu seus papéis dispararem 14,17% após afirmar que recebeu três propostas de compra da unidade Opel na Alemanha, conforme indicado pelo porta-voz Chris Preuss. Voltando ao âmbito econômico, também trouxe cautela a divulgação do PIB do Japão, que teve queda recorde de 4% no primeiro trimestre de 2009, ficando levemente melhor que as expectativas (-4,2%).

Segunda queda consecutiva

Estendendo as perdas da véspera, o Ibovespa acompanhou a trajetória negativa das bolsas norte-americanas e terminou no vermelho. De um lado, o fraco desempenho dos papéis da Braskem penalizou o índice. Do outro, a performance positiva dos papéis da Petrobras e de produtoras de alimentos limitou as perdas da bolsa brasileira.

No destaque negativo do benchmark, as ações da Braskem registraram forte queda pelo segundo pregão consecutivo. Ao contrário das outras projeções ao setor, o Credit Suisse revisou para baixo as perspectivas para o resultado da empresa na véspera, de modo que a expectativa para o Ebitda (geração operacional de caixa) da empresa neste ano foi cortada em 16%.

Em contrapartida, o anúncio da fusão entre Sadia e Perdigão – cujas ações lideraram os ganhos do principal índice acionário do País – novamente ocupou o centro das atenções na esfera corporativa. Depois de analisar a operação, a agência de risco Standard & Poor’s colocou os ratings da Perdigão em revisão negativa, ao contrário dos da Sadia, que podem ser elevados pela instituição.

Ainda no âmbito interno, a agência de classificação de risco Moody’s declarou em teleconferência que o Brasil é um potencial candidato a ter uma elevação em seu rating. Vale lembrar que a Moody’s mantém o Brasil um degrau abaixo do investment grade – diferente de Standard & Poor’s e Fitch Ratings, que concederam a classificação ao País no ano passado.

Ibovespa cai 0,20%

Confirmando o segundo recuo consecutivo, o Ibovespa fechou com baixa de 0,20%, nos 51.245 pontos. O volume financeiro do índice totalizou R$ 6,38 bilhões.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
BRKM5 Braskem PNA 7,62 -5,69 +37,30 20,52M
BVMF3 BMF Bovespa ON 10,38 -4,77 +75,95 194,73M
GFSA3 Gafisa ON 18,60 -4,12 +79,21 37,55M
LAME4 Lojas Americanas PN 9,35 -3,81 +49,69 43,12M
JBSS3 JBS ON 6,10 -3,48 +25,16 34,07M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód.AtivoCot R$% Dia% AnoVol1Links
PRGA3 Perdigão ON 36,95 +8,71 +24,24 108,69M
SDIA4 Sadia PN 4,69 +8,56 +25,07 123,08M
ITUB4 Itau Unibanco PN 30,03 +1,97 +16,95 290,51M
USIM3 Usiminas ON 33,96 +1,52 +33,92 14,34M
USIM5 Usiminas PNA 35,72 +1,48 +37,43 150,42M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

CódigoAtivoCot R$Var %Vol1Vol 30d1Neg
VALE5 Vale Rio Doce PNA 33,30-0,03860,20M589,70M 22.329
PETR4 Petrobras PN33,15+1,31801,14M692,84M 16.385
ITUB4 Itau Unibanco PN 30,03+1,97290,51M220,79M 8.699
PETR3 Petrobras ON41,50+1,22239,75M177,40M 4.554
BVMF3 BMF Bovespa ON 10,38-4,77194,73M199,09M 11.117

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar cai

Após atingir no intraday o menor patamar desde o fechamento do dia 1 de outubro de 2008, quando encerrou a sessão valendo R$ 1,925, o dólar comercial amenizou suas perdas no final desta quarta-feira (20) e fechou em queda de 0,49%, sendo cotado a R$ 2,025, terceira desvalorização seguida da divisa frente ao real, renovando assim a sua menor cotação desde o dia 2 de outubro, quando encerrou valendo R$ 2,021.

A moeda norte-americana, que apresentou queda durante toda sessão, viu suas perdas serem amenizadas após a nona compra de dólares consecutiva do Banco Central em leilão no mercado à vista. A taxa aceita ficou em R$ 2,0188 e a operação teve início às 15h17 e terminou às 15h27 (horário de Brasília).

A agenda doméstica contou apenas com o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao segundo decêndio de maio. No período, o indicador apontou deflação de 0,14%, após a variação negativa de 0,33% registrada no mesmo intervalo do mês anterior.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta quarta-feira. O contrato com vencimento em julho de 2009, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,82%, baixa de 0,02 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

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No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 132,05% de seu valor de face, o que representa uma alta de 0,72%.

O risco-Brasil, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 313 pontos-base, baixa de 2 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais

O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, fechou em baixa de 0,62% e atingiu 8.422 pontos.

Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,51% a 903 pontos, da mesma forma, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, caiu 0,39% a 1.728 pontos.

Na Europa, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou alta de 1,60% e atingiu 5.039 pontos; no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris valorizou-se 0,87% a 3.303 pontos. Por outro lado, o FTSE 100 da bolsa de Londres fechou em leve baixa de 0,31%, atingindo 4.468 pontos.

Confira o indicadores previstos para a quinta-feira

Na quinta-feira (21), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga a Pesquisa Mensal de Emprego referente ao mês de abril, documento que descreve o mercado de trabalho no País.

O Banco Central publica a Nota de Mercado Aberto de abril, um relatório sobre as operações financeiras realizadas no mercado aberto pela instituição monetária.

Nos EUA, confira o número de pedidos de auxílio-desemprego (Initial Claims), em base semanal.

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Também por lá, a Conference Board apresenta o Leading Indicators referente ao mês de abril. O relatório compreende vários índices já divulgados, como pedidos de auxílio-desemprego, custo de mão-de-obra e permissões para construção.

Além disso, o Federal Reserve da Filadélfia revela o Philadelphia Fed Index de maio, indicador responsável por mensurar a atividade industrial na região.

Na Ásia, será o primeiro dia da Reunião do BoJ (Banco do Japão), que define a taxa básica de juro japonesa. Neste encontro inicial, os diretores se reúnem para analisar os dados econômicos correntes.