Temer busca uma agenda positiva e lança programa de retomada de 1.600 obras paradas

Presidente precisa dar sinais de que vai reanimar a economia, pois a confiança depositada no governo está esmaecendo. E as ações nesse sentido, com as concessões e privatizações, não deslancham.

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O presidente Michel Temer está à procura de uma “agenda positiva” para animar a opinião pública uma vez que os agentes econômicos, tanto entre os cidadãos quanto entre empresários e o pessoal do mercado, dão demonstrações de que a confiança na capacidade do governo de empurrar a economia para frente ainda não voltou totalmente e está até perdendo fôlego.

Aliás, ela arrefeceu depois de alguns meses de animação, como demonstraram as últimas pesquisas periódicas sobre o tema da Fundação Getúlio Vargas no comércio e na indústria. E reafirmou-se ontem com mais um rebaixamento no Boletim Focus das expectativas dos cerca de 100 especialistas consultados pelo Banco Central a respeito do desempenho do PIB de 2016 (de menos 3,30% para menos 3,31%) e 2017 (de mais 1,21% para mais 1,20%). E á quinta queda consecutiva. No Instituto Brasileiro de Economia da FGV o índice de 2016 foi reduzido de menos 3,2% para menos 3,4%.

Do lado dos cidadãos em geral as incertezas se refletem na pouca disposição de retomar o consumo além do essencial. Se m perspectivas de venda, o comércio reduziu as compras e, como mostrou reportagem de ontem de “O Estado de S. Paulo”, as indústrias estão com estoques em seus pátios há pouco menos de dois meses do Natal.

Como disse o economista Samuel Pessoa, do Ibre, “a economia ainda patina”.

Cogita-se de uma reunião ministerial, a segunda que o presidente faria em menos de dois meses, para que Temer, com todos os ministros posando a seu lado, dê demonstrações de que o governo está ativo e não apenas enredado na agenda fiscal, na PEC do Teto de Gastos, na reforma da Previdência, no superávit primário, na discussão sobre a falência financeira dos estados e municípios e sobre o que fazer para cobrir esses rombos.

Ontem Temer procurou animar um pouco a plateia anunciando que o governo selecionou 1.600 obras federais que estão paradas, de mais de 30 mil inativas em vários estágios, para colocá-las novamente em andamento. Os projetos somam R$ 2 bilhões e beneficiariam 1.071 municípios, o que faria girar a economia local e regional. Com um novo lema: “Reforçar para crescer”. O presidente prometeu que depois dessas “formiguinhas” o governo partirá para obras “bem maiores”.

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E é nesse ponto, com críticas que já se houve entre economistas e setores empresariais, que o governo está “patinando”. Mais de seis meses depois de ter ocupado o Palácio do Planalto, com uma secretaria especial para tratar do tema entregue a um de seus homens de mais confiança, o experiente político fluminense Moreira Franco, Temer ainda não conseguiu colocar em marcha o programa de privatizações e concessões que anunciou como uma de suas prioridades, em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias.

AOS AMIGOS TUDO,

AOS INIMIGOS A LEI

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Há balões de ensaios quase diários sobre as propostas, mas nenhum edital na praça, datas para leilões marcadas. Nada de concreto, objetivo. Ao que se sabe, também sem certeza, é que somente no segundo semestre do ano que vem o processo de fato deslanchará, o que significa que investimentos reais, obras em execução de fato, com circulação de dinheiro e entrega de empregos em boa escala, somente em 2018.

É isto que já começa a ser cobrado de Temer. Um governo mais ativo. Não é à toa que no burburinho de Brasília já se começa a falar em reforma ministerial.

Enquanto isso, a Brasília política está cada vez mais povoada pelo movimento para a anistia do Caixa 2, vista com indisfarçável simpatia nas cercanias presidenciais. Isto num momento em que o governo, corretamente, pune exemplarmente irregularidades no Bolsa Família. São graus diferentes para tratar fraudes que podem desgastar o governo politicamente. Parece valer o velho lema de Getúlio Vargas: “Aos amigos tudo, aos inimigos o rigor da lei.”

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Outros destaques

dos jornais do dia

– “Bolsa Família: benefícios de 1,1 milhão são suspensos” (Globo/Estado/Folha)

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– “Governo restringe auxílio-reclusão e limita salário-maternidade” (Valor)

– “Poupança tem saldo negativo de R$ 2,7 bi em outubro e de mais de R$ 53 bi ano” (Globo)

– “ Montadoras registram em 2016 pior produção de automóveis em 13 anos” (Estado)

“Obra de Belo Monte custou R$ 3,2 bi a mais” (Valor)

– “União só paga 5% do previsto para o setor carcerário este ano” (Globo)

– “Correios farão PDV que dá até 35% do salário por 10 anos” (Estado)

– “Enem sob suspeita de vazamento de tema da redação” (Globo)

– “Dívida de R$ 170 milhões com a União bloqueia contas do Rio” (Valor)

– “RJ: Tribunal e MP recorrem contra corte de vantagens” (Globo)

– “Moro aceita Temer e Lula como testemunhas de Cunha” (Globo)

– “Petroleiros rejeitam a proposta de aumento da Petrobras” (Folha)

– “Repatriação tem calote de R$ 4,1 bi e arrecadação cai para R$ 46,8 bi” (Estado/Valor)

LEITURAS SUGERIDAS

1. Editorial – “Sem cortesia” (diz que se o prazo para a repatriação for aberto o mínimo que se deve exigir é que a pena seja maior e que políticos e parentes não possam participar) – Folha

2. José Casado – “Estado autarquia” (diz que Rio tem aposentado de R$ 75,5 mil e servidor ativo de R$ 48,7 mil e aumenta imposto, mas não sabe o valor dos incentivos que deu nos últimos anos) – Globo

3. Raymundo Costa – “A insustentável falta de previsibilidade” (diz que Judiciário não está confortável com a PEC do Teto de Gastos) – Valor

4. Editorial – “Os esclarecimentos de Moro” (a respeito da entrevista do juiz ao jornal domingo diz que foco da Lava-Jato não tem sido propriamente o caixa 2, mas o pagamento de propina) – Estado