Telefónica quer reduzir metade da dívida atual em três anos

Forte geração de caixa operacional possibilitará à empresa reduzir drasticamente seu endividamento até 2004

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SÃO PAULO – A Telefónica, a maior companhia de telecomunicações da Espanha e uma das maiores do setor no mundo, divulgou hoje um plano para reduzir à metade seu endividamento atual num prazo de até três anos. Isto significa diminuir em 13,4 bilhões de euros o peso de sua dívida até 2004. Para que isso ocorra, a operadora está renegociando a maior parte dos contratos junto a fornecedores de equipamentos de telecomunicações, de forma a reduzir em pelo menos 10% os preços pagos pelos equipamentos.

Plano inclui revisão de investimentos e custos

A empresa espanhola detém uma expressiva participação no setor de telecomunicações no Brasil e quer colocar em prática um plano de revisão de investimentos e controle de gastos para os próximos anos, que incluem negociações de contratos com provedores. O objetivo é ter uma dívida de 16,2 bilhões de euros em 2004. Em 2001, a operadora deve fechar o exercício com uma dívida de 29,61 bilhões de euros, 3,2 bilhões de euros a menos do que em 2000. Assim, várias subsidiárias já foram comunicadas que devem reduzir custos. A única exceção é a Telefónica de España, que manterá seu plano de crescimento para fazer frente à concorrência em telefonia fixa no país.

Investimento deve cair para 15% do faturamento total

Segundo analistas de mercado, os investimentos do grupo, que até agora representavam um terço do faturamento total, cairão para algo entre 12% a 17% do faturamento total até 2004. Isso já considerando naturalmente a elevação do faturamento nos próximos anos, já que a empresa continua a crescer em ritmo moderado, principalmente na América Latina. Neste sentido, os investimentos na América Latina, que em 2000 chegaram ao nível máximo, deverão ser reduzidos a 12% das vendas totais.

Telefónica elevou endividamento para financiar aquisições na AL

Na verdade, quando a companhia se encontrava sob o comando de Juan Villalonga, a estratégia da empresa se focou, sobretudo, na América Latina com a aquisição de 100% de várias subsidiárias na região, o que gerou uma forte elevação no nível de endividamento da empresa. Com a desaceleração da economia mundial e da expansão do setor de telecomunicações, as oportunidades de ganho no setor diminuíram, assim como o nível de investimentos.

Forte geração de caixa operacional possibilitará redução do endividamento

Entretanto, a geração de caixa operacional do grupo ainda mostra tendência ascendente, principalmente por conta da maturação dos investimentos feitos na América Latina, e em especial no Brasil, que já responde por mais da metade da geração de caixa do grupo todo. Desta forma, a empresa vai se aproveitar deste caixa para amortizar parte do endividamento contraído para a expansão pela América Latina, diminuindo assim o nível de alavancagem da empresa e conseqüentemente o seu risco. A forte geração de caixa proveniente da América Latina é que possibilitará ao grupo reduzir drasticamente o nível de endividamento nos próximos anos.