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A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, anunciou a aquisição dos 50% remanescentes da FiBrasil por R$ 850 milhões, assumindo controle total da rede neutra. O negócio avalia a companhia em R$ 2,5 bilhões, com múltiplo de 8,3 vezes EBITDA — significativamente abaixo dos 16,5 vezes pagos pela CDPQ em 2021. Às 11h32, a ação subia 0,88%, a R$ 32,28

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Telefônica Brasil compra fatia de 50% na Fibrasil do grupo La Caisse por R$ 850 mi
Fibrasil estava presente em 151 cidades, com 4,6 milhões de casas passadas
Com o controle total da FiBrasil, a XP Investimentos avalia que a Vivo ganha mais autonomia sobre um ativo estratégico, o que pode facilitar decisões futuras de alocação de capital e potencialmente acelerar movimentos de fusões e aquisições no segmento de banda larga. “A operação também reduz fricções de governança e reforça o foco da companhia em ser dona de sua infraestrutura, em um momento de maior racionalidade competitiva no setor”, destaca a corretora.
Na visão da XP, o negócio parece financeiramente razoável, considerando o múltiplo da transação (EV por home passed de R$ 535), inferior ao múltiplo pago na operação de 2021, e os relevantes benefícios econômicos envolvidos. A operação permite, desde o início, uma economia estimada de ao menos R$ 40 milhões por ano (considerando o efeito líquido dos valores atualmente pagos à FiBrasil e os Capex e Opex que passarão a ser absorvidos pela Vivo), sem contar as sinergias de Opex, que representam um ganho adicional relevante.
Para XP, o ativo tem grande potencial de aumento na taxa de ocupação (take-up rate), que em 2024 era de 16% (versus 24% da Vivo), o que além de impulsionar a receita, permitirá economias futuras em Opex sobre taxas que a Vivo pagaria por novas casas passadas.
Segundo análise do BTG Pactual, a aquisição da FiBrasil pela Vivo deve gerar uma economia operacional (opex) estimada entre R$ 250 milhões e R$ 270 milhões, já que os pagamentos que a companhia fazia à FiBrasil serão eliminados com a consolidação.
A rede adquirida possui 4,6 milhões de casas passadas (HPs) e 771 mil clientes, com maior concentração em Minas Gerais e Rio de Janeiro. O capex anual, estimado em cerca de R$ 220 milhões, passará a compor o balanço da Vivo, mas os ganhos de eficiência operacional devem compensar.
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Apesar do impacto financeiro limitado — inferior a 1% do valor de mercado da empresa —, o BTG avalia a operação como estratégica, por reforçar a verticalização da infraestrutura da Vivo e preparar o terreno para futuras consolidações no setor. A transação é vista como financeiramente vantajosa e estrategicamente acertada.
O BTG reiterou recomendaçaõ de compra e preço-alvo de R$ 31.
A Ativa Investimentos, por sua vez, comenta que a operação está alinhada à estratégia de reforço em infraestrutura de fibra óptica da Vivo, em um mercado ainda fragmentado (mais de 10 mil provedores e 64% do market share pulverizado). “O modelo de rede neutra da FiBrasil acelera a expansão fora dos grandes centros, com menor necessidade de capex incremental, aproveitando a escala e a marca da Vivo”, explica a corretora. “O deal também simplifica a estrutura societária e facilita movimentos futuros de consolidação ou novos acordos comerciais.”
A Ativa Investimentos avaliou que o preço pago pela Vivo na aquisição da FiBrasil reflete múltiplos que, à primeira vista, parecem razoáveis, considerando os 4,6 milhões de homes passed e o faturamento de R$ 392 milhões em 2024.
Para a casa, a operação está mais voltada ao potencial de crescimento e à racionalização futura do setor, que ainda apresenta múltiplos elevados devido à sua fragmentação. A Ativa também destacou que a entrada do fundo CDPQ foi importante no início do projeto, mas que, neste momento, a Vivo acredita ter capacidade de continuar crescendo de forma independente.
A Ativa Investimentos manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 31,50.
