Vivo acelera estratégia no setor de banda larga com aquisição integral da FiBrasil

Vivo anunciou a aquisição dos 50% restantes da FiBrasil por R$ 850 milhões, assumindo o controle total da empresa

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

The headquarters of Telefonica SA in Madrid, Spain, on Wednesday, Sept. 6, 2023. Telefonica SA’s shares rose after Saudi Telecom Co. took a stake worth $2.25 billion in the Madrid-based carrier as it prepares to lay out a new strategy for future growth.
The headquarters of Telefonica SA in Madrid, Spain, on Wednesday, Sept. 6, 2023. Telefonica SA’s shares rose after Saudi Telecom Co. took a stake worth $2.25 billion in the Madrid-based carrier as it prepares to lay out a new strategy for future growth.

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A Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, anunciou a aquisição dos 50% remanescentes da FiBrasil por R$ 850 milhões, assumindo controle total da rede neutra. O negócio avalia a companhia em R$ 2,5 bilhões, com múltiplo de 8,3 vezes EBITDA — significativamente abaixo dos 16,5 vezes pagos pela CDPQ em 2021. Às 11h32, a ação subia 0,88%, a R$ 32,28

Com o controle total da FiBrasil, a XP Investimentos avalia que a Vivo ganha mais autonomia sobre um ativo estratégico, o que pode facilitar decisões futuras de alocação de capital e potencialmente acelerar movimentos de fusões e aquisições no segmento de banda larga. “A operação também reduz fricções de governança e reforça o foco da companhia em ser dona de sua infraestrutura, em um momento de maior racionalidade competitiva no setor”, destaca a corretora.

Na visão da XP, o negócio parece financeiramente razoável, considerando o múltiplo da transação (EV por home passed de R$ 535), inferior ao múltiplo pago na operação de 2021, e os relevantes benefícios econômicos envolvidos. A operação permite, desde o início, uma economia estimada de ao menos R$ 40 milhões por ano (considerando o efeito líquido dos valores atualmente pagos à FiBrasil e os Capex e Opex que passarão a ser absorvidos pela Vivo), sem contar as sinergias de Opex, que representam um ganho adicional relevante.

Para XP, o ativo tem grande potencial de aumento na taxa de ocupação (take-up rate), que em 2024 era de 16% (versus 24% da Vivo), o que além de impulsionar a receita, permitirá economias futuras em Opex sobre taxas que a Vivo pagaria por novas casas passadas.

Segundo análise do BTG Pactual, a aquisição da FiBrasil pela Vivo deve gerar uma economia operacional (opex) estimada entre R$ 250 milhões e R$ 270 milhões, já que os pagamentos que a companhia fazia à FiBrasil serão eliminados com a consolidação.

A rede adquirida possui 4,6 milhões de casas passadas (HPs) e 771 mil clientes, com maior concentração em Minas Gerais e Rio de Janeiro. O capex anual, estimado em cerca de R$ 220 milhões, passará a compor o balanço da Vivo, mas os ganhos de eficiência operacional devem compensar.

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Apesar do impacto financeiro limitado — inferior a 1% do valor de mercado da empresa —, o BTG avalia a operação como estratégica, por reforçar a verticalização da infraestrutura da Vivo e preparar o terreno para futuras consolidações no setor. A transação é vista como financeiramente vantajosa e estrategicamente acertada.

O BTG reiterou recomendaçaõ de compra e preço-alvo de R$ 31.

A Ativa Investimentos, por sua vez, comenta que a operação está alinhada à estratégia de reforço em infraestrutura de fibra óptica da Vivo, em um mercado ainda fragmentado (mais de 10 mil provedores e 64% do market share pulverizado). “O modelo de rede neutra da FiBrasil acelera a expansão fora dos grandes centros, com menor necessidade de capex incremental, aproveitando a escala e a marca da Vivo”, explica a corretora. “O deal também simplifica a estrutura societária e facilita movimentos futuros de consolidação ou novos acordos comerciais.”

A Ativa Investimentos avaliou que o preço pago pela Vivo na aquisição da FiBrasil reflete múltiplos que, à primeira vista, parecem razoáveis, considerando os 4,6 milhões de homes passed e o faturamento de R$ 392 milhões em 2024.

Para a casa, a operação está mais voltada ao potencial de crescimento e à racionalização futura do setor, que ainda apresenta múltiplos elevados devido à sua fragmentação. A Ativa também destacou que a entrada do fundo CDPQ foi importante no início do projeto, mas que, neste momento, a Vivo acredita ter capacidade de continuar crescendo de forma independente.

A Ativa Investimentos manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 31,50.

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