Taxas dos DIs sobem com avanço firme dos rendimentos dos Treasuries

As taxas dos DIs subiram após sete sessões de queda, acompanhando o rendimento dos títulos dos EUA em meio à expectativa de aperto monetário pelo Fed e a ruídos políticos locais envolvendo a corrida eleitoral de 2026

Reuters

José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

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SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) – Após os recuos ⁠mais recentes, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a quarta-feira em alta, ⁠em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio à expectativa ‌de alta de juros pelo Federal Reserve ainda este ano.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,095%, com elevação de 11 pontos-base ante o ajuste de 13,983% da ‌sessão anterior. A alta interrompeu uma sequência de sete sessões consecutivas de quedas para a taxa de janeiro de 2028.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,33%, com alta de 16 pontos-base ante o ajuste de 14,171%.

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Os rendimentos dos Treasuries avançaram durante todo o dia, a despeito de alguma desaceleração após dados mostrarem que os empregos no setor privado norte-americano cresceram menos que o esperado ⁠em ‌junho. O indicador da ADP revelou pela manhã a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado ⁠dos EUA no mês passado, abaixo dos 118 mil esperados conforme pesquisa da Reuters.

O relatório da ADP é publicado antes do relatório de emprego payroll de junho, que será divulgado na quinta-feira pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho. O indicador da ADP, porém, tem se mostrado pouco preciso para a estimativa do escritório sobre o número de empregos no setor privado norte-americano.

Comentários no fim da manhã do ​chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que as expectativas e os riscos de inflação nos EUA diminuíram nas últimas semanas, também ajudaram a desacelerar a alta dos Treasuries, mas ainda assim elas se ​mantiveram com ganhos durante a tarde, em meio à perspectiva de alta de juros pelo Fed.

O avanço dos rendimentos dos títulos norte-americanos, conforme operador ouvido pela Reuters, foi o principal fator para a alta das taxas dos DIs ao longo de todo o dia. Além disso, alguns investidores aproveitaram para realizar parte dos lucros após as quedas recentes das taxas.

No noticiário local, um dos destaques foi a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrando o ‌presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vantagem sobre o senador Flávio ​Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.

Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de ⁠95%.

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A candidatura de Flávio também seguia pressionada ​nesta quarta-feira após notícia de ​que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher em função de desavenças com o senador.

De modo geral, Lula ainda é visto ⁠com desconfiança por boa parte do mercado, que projeta ​sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias desfavoráveis a Flávio costumam elevar os prêmios na curva a termo, ainda que momentaneamente.

“Qualquer celeuma ao redor do tema da eleição tende a ganhar ​e a perder relevância muito rapidamente. Ainda é muito cedo”, defendeu Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital. “Se fizer preço, ainda é um elemento de especulação irrelevante”, acrescentou.

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Apesar dos ​receios em relação ao equilíbrio fiscal, ⁠nas últimas semanas os investidores vêm se posicionando para um novo corte da taxa básica Selic pelo Banco Central, em agosto.

Na última segunda-feira — atualização ⁠mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 57,92% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 37,09% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Uma semana antes, em 22 de junho, os percentuais eram de 29% para corte de 25 pontos-base e 67% para manutenção.

No exterior, às 16h43 o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 6 pontos-base, a 4,477%.

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(Edição de Pedro ​Fonseca)

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