Taxas dos DIs descolam do exterior e fecham em queda com eleições no radar

Perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada entre os principais candidatos é bem-vista pelo mercado

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SÃO PAULO, 21 Ago (Reuters) – As ⁠taxas dos DIs fecharam em queda nesta sexta-feira, com ⁠os agentes acompanhando o noticiário eleitoral, em movimento de ajuste descolado do ‌exterior, onde os rendimentos dos Treasuries avançaram.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,865%, ante o ajuste ‌de 13,941% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,54%, ante o ajuste de 14,706%.

Os agentes aguardam a divulgação, no início da noite desta sexta-feira, de uma nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha sobre o cenário para as eleições presidenciais ⁠de ‌outubro. Na última segunda-feira, levantamento BTG/Nexus mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula ⁠da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em empate técnico em um eventual segundo turno, embora o petista continue numericamente à frente.

A perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada, com menor diferença de percentual de intenções de voto entre os principais candidatos, é bem-vista pelo mercado, que vê ​um risco fiscal maior em um eventual próximo mandato de Lula.

‘As reações dos mercados financeiros, no geral, mostram uma preferência pela substituição do governo atual, ​acreditando que a eleição de um outro candidato possa permitir uma política fiscal mais conservadora. Por isso, a perspectiva de menor vantagem de Lula sobre Flávio tem favorecido o apetite por ativos nacionais’, disse Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Os agentes também receberam de forma positiva a ‌informação divulgada no início da tarde de que Lula ​conversou por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump, nesta sexta-feira, e ambos discutiram as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, segundo o Palácio do Planalto.

Enquanto isso, no exterior, os rendimentos dos ⁠Treasuries passaram o pregão operando ​em alta. Às 16h35, ​o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 4 pontos-base, a ⁠4,738%. O retorno do papel de 30 ​anos avançava 4 pontos-base, a 5,278%.

O avanço dos rendimentos dos Treasuries se dá em meio a questionamentos dos investidores em relação aos esforços do Tesouro dos Estados Unidos para acalmar ​os mercados de títulos.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na quinta-feira que poderá aumentar ainda mais as recompras de ​títulos do Tesouro pelo ⁠governo, um dia depois de o departamento ter surpreendido os mercados com a promessa de duplicar o volume ⁠de recompras de dívida de longo prazo para conter os rendimentos dos títulos. Contudo, analistas argumentaram que os esforços para conter os rendimentos de longo prazo podem apenas transferir a pressão para outros setores dos mercados americanos.

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