Taxas dos DIs caem pela quarta sessão seguida após acordo entre EUA e Irã

O recuo nos rendimentos globais e no preço do petróleo garantiu a quarta queda consecutiva dos juros futuros no Brasil, enquanto o mercado calibra as apostas para o Copom e absorve a piora nas projeções de inflação do Focus

Reuters

Foto: Unsplash
Foto: Unsplash

Publicidade

SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) – As taxas dos ⁠DIs fecharam a segunda-feira com baixas de mais de 10 pontos-base em vários ⁠vencimentos, em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, após Estados Unidos e ‌Irã chegarem a um acordo para encerrar a guerra.

No fim do dia, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 14,35%, em baixa de 16 pontos-base ante o ajuste de 14,512% da sessão anterior. ‌Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,195%, com recuo de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,268%. Foi o quarto recuo consecutivo das taxas futuras no Brasil.

Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram no fim de semana ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.

Nesta segunda-feira, o presidente ⁠dos ‌EUA, Donald Trump, o vice-presidente, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, assinaram um memorando ⁠de entendimento para pôr fim à guerra. Uma cerimônia formal de assinatura deve ocorrer na sexta-feira, e a expectativa é de que o tráfego pelo Estreito de Ormuz aumente de forma gradual.

Com isso, o petróleo Brent voltou a ceder nesta segunda-feira, para a faixa dos US$83 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuaram.

Na renda fixa brasileira, isso se traduziu em nova queda das taxas dos DIs. Às 10h24, a taxa ​do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 14,090% (-18 pontos-base).

No trecho curto da curva a termo, investidores também ajustavam posições antes da decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Na última ​quinta-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 49,05% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic na próxima quarta-feira, contra 44% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,50%.

Para o encontro seguinte do Copom, em agosto, os percentuais eram de 70% para manutenção e 27% para corte de 25 pontos-base.Já o boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos ‌economistas do mercado para a inflação em 2026 saltou de 5,11% para 5,30% ​e em 2027 foi de 4,03% para 4,10%.

Continua depois da publicidade

Também houve nova elevação da projeção de inflação para 2028, de 3,65% para 3,68%, com o Focus traduzindo uma deterioração das expectativas já percebida nos preços dos ativos nas últimas semanas. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central ⁠é de 3%.

Conforme o Focus, a taxa ​básica Selic esperada para o ​fim de 2026 foi de 13,50% para 13,75% e para o encerramento de 2027 passou de 11,50% para 12,00%. Os economistas no Focus esperam corte ⁠de 25 pontos-base da taxa nesta semana.

Em entrevista a um ​podcast da Warren Investimentos veiculada pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou favorável a uma discussão sobre possíveis ajustes na apuração da inflação no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma defasagem na composição dos índices de preços.

Continua depois da publicidade

Segundo ele, o modelo ​vigente no país “dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente”, enquanto há uma representação menor de itens que ganharam importância nos últimos anos, como serviços de ​streaming e serviços digitais de nuvem.

No ⁠exterior, investidores também aguardam pela decisão de política monetária do Federal Reserve, na tarde de quarta-feira. Os Fed funds precificavam no fim da tarde 98,6% ⁠de probabilidade de manutenção da taxa de referência na faixa entre 3,50% e 3,75%. Além disso, o mercado espera que pelo menos uma alta de juros seja anunciada até o fim do ano.

Às 16h38, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 2 pontos-base, a 4,062%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 2 pontos-base, a 4,469%.

Continua depois da publicidade

(Edição de Pedro ​Fonseca)

Tópicos relacionados