Taxas de DIs avançam, mas longe das máximas após isenção de produtos de tarifaço

Mercado reage às exclusões de produtos brasileiros do tarifaço americano, enquanto investidores aguardam decisão do Copom e acompanham desdobramentos da política monetária global

Reuters

Notas de 200 reais
02/09/2020. REUTERS/Adriano Machado
Notas de 200 reais 02/09/2020. REUTERS/Adriano Machado

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As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira em alta, mas distantes das máximas da sessão, após os Estados Unidos excluírem uma série de produtos brasileiros do tarifaço de 50%, com investidores ainda aguardando a decisão sobre juros do Copom.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 estava em 14,22%, ante o ajuste de 14,151% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2028 marcava 13,52%, ante o ajuste de 13,457%.

Entre os contratos longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 13,64%, ante 13,611% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 13,76%, ante 13,734%.

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As taxas futuras haviam registrado picos no início da tarde no Brasil, com investidores aguardando as decisões sobre juros do Federal Reserve, às 15h, e do Banco Central do Brasil, após as 18h30. Os agentes monitoravam ainda notícias sobre o tarifaço dos EUA sobre os produtos brasileiros, cujo anúncio estava previsto para sexta-feira.

Pouco depois das 15h, a Casa Branca informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia assinado o decreto oficializando a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros.

Em reação, o dólar disparou ante o real e as taxas dos DIs voltaram a ganhar força, em uma primeira reação negativa à notícia.

Mas as informações de que os EUA haviam excluído uma série de produtos brasileiros do tarifaço fizeram o dólar despencar ante o real logo depois, com a moeda virando para o negativo, e as taxas dos DIs de alguns vencimentos também passaram a cair.

Após atingir 13,820% (+9 pontos-base) às 15h10, logo após o anúncio sobre o decreto, a taxa do DI para janeiro de 2033 despencou para 13,720% (-1 ponto-base) às 15h44, depois que começou a ser divulgada a lista de exceções.

Entre os produtos excluídos da tarifação estão suco de laranja, aeronaves civis e peças, celulose, produtos petrolíferos, fertilizantes, produtos de energia, ferro gusa e metais preciosos.

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No entanto, carne e café — dois produtos importantes da pauta exportadora do Brasil para os EUA — ficaram fora da lista de exceções.

Até o fechamento, as taxas recuperaram parte do fôlego, mas ficaram distantes dos picos do dia, com investidores aguardando a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Perto do fechamento, a curva brasileira precificava em 97% a probabilidade de manutenção da Selic em 15% na noite desta quarta-feira.

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Na terça-feira — atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 96,22% de chances de manutenção da Selic, contra 2,85% de probabilidade de nova alta de 25 pontos-base.

A questão do tarifaço dos EUA sobre o Brasil acabou por ofuscar outro evento importante do dia: a decisão do Fed sobre juros. A instituição manteve a taxa de juros na faixa de 4,25% a 4,50%, mas a decisão de seus membros foi dividida (9 a 2).

Neste cenário, às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 4 pontos-base, a 4,372%.