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SÃO PAULO – A decisão de taxar as emissões de DRs (Depositary Receipts) com 1,5% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), anunciada na noite da última quarta-feira (18) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, desapontou os analistas da Itaú Corretora, que esperam no curto prazo uma reação negativa dos mercados.
O descontentamento da equipe de análise deve-se à expectativa de que fossem adotadas novas medidas para inibir a valorização do real, dando continuidade à taxação inicial de 2% do IOF sobre investimentos estrangeiros no mercado de renda fixa e variável no Brasil, anunciada há exatamente um mês pelo próprio ministro.
“Embora novas medidas para coibir o câmbio brasileiro são esperadas, nós estamos decepcionados com o anúncio, já que ele não inclui nenhuma medida que torne mais fácil para os brasileiros comprar dólares norte-americanos”, afirmam.
Fechando lacunas
A nova tarifa tem como principal objetivo anular a arbitragem identificada por alguns investidores internacionais nas operações entre DRs e ações no mercado brasileiro. Sendo assim, essa nova medida servirá como complemento da lacuna aberta com a primeira taxação, incorporada em outubro.
Segundo os analistas da corretora, essa lacuna se formou através do processo de cancelamento de DR. O investidor estrangeiro, buscando evitar a taxação sobre investimento externo, comprava o DR de uma empresa brasileira e, depois de adquirida, cancelava esse certificado, ficando com a ação da companhia dentro do mercado doméstico.
Assim, após entrar no mercado brasileiro sem pagar os 2% do IOF, esse investidor retirava seu capital de circulação no Brasil realizando o caminho inverso da operação, ou seja, emitindo um DR referente ao ativo que ele possui na bolsa brasileira. Dessa forma, a nova taxação atuará em cima desta última fase do processo, analisa o time de análise.
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Reação negativa no curto prazo
Além de não agradar aos membros da Itaú Corretora, a medida proposta pelo ministro da Fazenda deverá ter um impacto negativo nos mercados. Segundo a corretora, o receio por novas tarifas adotadas pelo governo pode resultar num movimento de repulsa por parte dos investidores. Porém, no longo prazo, esses efeitos deverão ser pequenos.