Taxa de risco Brasil alcança pontuação recorde

O temor do mercado de que o governo não consiga fechar novo acordo com o FMI fez com que o C-Bond despencasse e o risco Brasil disparasse

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SÃO PAULO – O risco-país é um dos principais indicadores de desconfiança dos investidores frente um país, medindo o quanto o investidor exige em termos de prêmio sobre as taxa de mercado para investir em uma carteira de ativos do país em questão.

Índice é medido com base nos títulos do Tesouro dos EUA

O índice é apurado pelo banco norte-americano JP Morgan, e é medido com base nos títulos do Tesouro norte-americano, que são os títulos da dívida dos EUA, considerados de baixíssimo risco. Se o risco Brasil estiver avaliado, como hoje, em 2.194 pontos, isto significa que os títulos da dívida brasileira pagam 21,94% acima do rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA.

Por isso, o risco Brasil tem uma forte ligação com a cotação do C-Bond, numa relação inversa, uma vez que C-Bond é o mais líquido instrumento de dívida externa do Brasil. Dessa forma, assim como o preço do C-Bond, o risco Brasil é muito sensível às expectativas, refletindo muito do estado psicológico do mercado, e muitas vezes ignorando fundamentos da economia do país.

Dessa forma, com clima de incerteza frente ao futuro do Brasil com o advento das eleições, e com o aumento da dívida pública, muitos investidores temem que a posse de um candidato de oposição possa acarretar em significativas mudanças, que prejudicaria seus investimentos, o que fez com que o preço do C-Bond caísse e o risco Brasil subisse consideravelmente nos últimos tempos.

Com o principal referencial de credibilidade do país deteriorado, a capacidade do governo e das empresas brasileiras de obter crédito no exterior diminuiu, fazendo com que muitas liquidassem parte do endividamento, muitas vezes em dólar, pressionando a cotação da moeda norte-americana.

Alta do dólar prejudica risco Brasil

Com a alta do dólar, o temor de que o governo não consiga renovar sua dívida, que em parte está atrelada à divisa norte-americana, se torna ainda maior, refletindo num aumento do risco Brasil, diminuindo ainda mais a capacidade do próprio governo e das empresas de renovarem suas dívidas, fechando um circulo vicioso.

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Nesse contexto, entra a necessidade de que o governo feche um novo acordo com o FMI, expectativa que foi o principal determinante da maior pontuação do risco Brasil já observado na história do país nesta segunda-feira, quando o índice alcançou 2.194 pontos, e da forte queda de 8,62% na cotação do C-Bond, que fechou cotado a 53,00% do seu valor de face.
O mercado ficou bastante pessimista com a declaração do secretário do Tesouro norte-americano Paul O’Neill de que não pretende conceder apoio financeiro ao Brasil em sua visita ao país, o que diminui a possibilidade do governo obter apoio do FMI, uma vez que os EUA são o maior acionista do fundo.