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As atenções do mercado financeiro estarão voltadas nesta quinta-feira, 10, para a reação da Bolsa de Valores e do dólar após o anúncio feito na véspera pelo governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida promete afetar o comércio bilateral e pode causar oscilações nos ativos financeiros brasileiros, com investidores avaliando os desdobramentos da decisão e seu impacto nas empresas exportadoras e na economia como um todo.
Na agenda econômica do dia, o Brasil divulga às 9h o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) referente a junho, indicador que mede a inflação oficial do país. Nos Estados Unidos, às 9h30, serão divulgados os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego e de exportação de grãos. À tarde, os mercados acompanham as falas de Alberto Musalem, presidente do Fed de St. Louis, e Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco. As declarações podem trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos, em meio à cautela com a trajetória de juros e à incerteza sobre a inflação.
O que vai mexer com o mercado nesta quinta
Agenda
Às 9h desta quinta-feira, o presidente Lula tem encontro com o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da República, Marco Aurélio Marcola. Em seguida, às 10h, recebe o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
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Às 10h, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, participa de entrevista coletiva com Barão Entrevista.
Às 10h, o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, participa da 44ª Sessão do Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador (Copas), em Brasília. O evento é aberto à imprensa.
Brasil
9h – IPCA (junho)
EUA
9h30 Auxílio-desemprego (semanal)
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9h30 Exportação de grãos (semanal)
14h15 – Discurso de Waller, membro do Fed
15h30 – Discurso de Mary Daly, Membro do FOMC
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INTERNACIONAL
Tarifas sobre importações brasileiras
Em nova escalada contra o Brasil, Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras e citou Jair Bolsonaro em uma carta enviada ao presidente Lula nesta quarta-feira (9). O ex-presidente dos Estados Unidos classificou o julgamento de Bolsonaro como uma “caça às bruxas” e criticou duramente decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Trump ainda acusou o Brasil de impor barreiras injustas ao comércio e de ameaçar a liberdade de expressão dos americanos. A nova tarifa entra em vigor em 1º de agosto, substituindo a sobretaxa de 10% aplicada desde abril. A medida foi acompanhada da abertura de uma investigação comercial com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O republicano também associou a ação ao papel do Brics, que segundo ele, busca enfraquecer o dólar.
Outras tarifas
Trump divulgou na quarta-feira (9) uma nova rodada de cartas impondo tarifas de importação a seis países, elevando para 20 o número de nações já alvo das medidas. As novas taxas, que entram em vigor em agosto, incluem 30% sobre produtos da Argélia, Líbia e Iraque, 25% sobre itens de Brunei e Moldávia e 20% sobre mercadorias das Filipinas. Segundo o republicano, os países que não fecharem acordos com os Estados Unidos até o prazo final serão tarifados sem exceções. A ofensiva inclui tarifas já anunciadas para Japão (25%), Coreia do Sul (25%), África do Sul (30%), Tailândia (36%), Malásia (25%), Indonésia (32%), Camboja (36%), Bangladesh (35%), Cazaquistão (25%), Tunísia (25%), Sérvia (35%), Laos (40%), Mianmar (40%) e Bósnia-Herzegovina (30%). Até agora, apenas Reino Unido e Vietnã conseguiram fechar acordos e evitar as sobretaxas.
Reunião de emergência
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião de emergência na quarta-feira (9) para discutir a decisão de Donald Trump de elevar para 50% a tarifa sobre produtos importados do Brasil. Estiveram presentes os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Alckmin declarou que a decisão é injusta e prejudica os próprios Estados Unidos, enquanto Márcio Macêdo (Secretaria-Geral) classificou a carta como “estarrecedora” e um reflexo da “estratégia do caos” da nova extrema-direita.
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ECONOMIA
Impactos
O anúncio de tarifas de até 50% pelo governo Trump preocupa setores da Bolsa como siderurgia, automotivo, aeronáutico, químico e derivados de petróleo. Empresas com fábricas no exterior podem amenizar impactos, mas a indústria local sofre forte pressão. A medida pode elevar inflação e juros no Brasil, além de gerar volatilidade no mercado financeiro. Commodities podem ficar parcialmente isentas, reduzindo o impacto nesse segmento.
Inflação
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que quase 60% dos itens do índice de inflação estão acima do teto da meta, que é de 4,5%. Em audiência na Câmara, destacou que 45% dos preços ultrapassam o dobro da meta central de 3%. Ele ressaltou que o BC não pode flexibilizar a meta e seguirá agindo para cumprir o mandato legal. Galípolo também afirmou que a inflação está alta sob diversos ângulos, como núcleos e alimentos. A Selic está em 15% ao ano e deve ser mantida na próxima reunião do Copom.
Audácia financeira
O Brasil ocupa o 7º lugar no ranking global de “audácia financeira”, segundo levantamento da BrokerChooser com dados do Google Trends e do Banco Mundial. A pesquisa aponta alto interesse por investimentos de risco, apesar da fragilidade financeira: quase 60% dos brasileiros enfrentam dificuldades para lidar com imprevistos. O país tem baixa taxa de poupança (3,44 pontos) e forte dependência de ajuda externa (4,44), mas aparece em 15º nas buscas por criptomoedas. Segundo o estudo, essa ousadia reflete a tentativa de superar a insegurança econômica, embora envolva riscos que podem aprofundar a vulnerabilidade.
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POLÍTICA
Reciprocidade
Em resposta às recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a soberania do Brasil e a independência de suas instituições. “Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da lei brasileira de reciprocidade econômica”.
Recusa
O governo Luiz Inácio Lula da Silva avisou nesta quarta, que devolve a carta por meio da qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou a imposição unilateral de tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil.
Nesta noite, o encarregado de negócios Gabriel Escobar, chefe da embaixada dos Estados Unidos em Brasília, foi convocado pela segunda vez no dia a comparecer ao Itamaraty. A embaixadora Maria Luisa Escorel, secretária de Europa e América do Norte, comunicou a Escobar que o presidente não receberia a carta, divulgada informalmente por Trump na rede Truth Social.
Sem justificativa
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou “preocupação e surpresa” com a imposição de tarifas de 50% sobre produtos do Brasil vendidos aos Estados Unidos.“Não existe qualquer fato econômico que justifique uma medida desse tamanho, elevando as tarifas sobre o Brasil do piso ao teto. Os impactos dessas tarifas podem ser graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano”, avaliou Ricardo Alban, presidente da CNI.
Responsabilidade
O deputado federal atualmente licenciado e morando nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro, afirmou, em nota, que a responsabilidade da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump é do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ampliação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quarta-feira (9) que o Brasil quer ampliar o comércio com a Indonésia, incluindo setores como aviação civil, defesa e carne bovina. Em declaração conjunta com o presidente indonésio, Prabowo Subianto, em Brasília, Lula destacou o interesse em contribuir com a segurança alimentar do país asiático por meio da exportação de carne brasileira. Ele também anunciou que o Mercosul, sob presidência do Brasil, vai retomar as negociações para um acordo comercial com a Indonésia.
Indispensável
Ministros do governo Lula reuniram-se em Brasília para informar aos presidentes da Câmara e do Senado que o decreto que aumentou o IOF é indispensável, defendendo sua constitucionalidade. O tema será discutido em audiência no STF no dia 15, convocada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações. O governo quer evitar que a questão do IOF se misture à do Imposto de Renda na negociação política. Lula determinou que o debate sobre o IOF fique restrito à instância judicial, buscando concentrar a discussão na constitucionalidade do decreto. A equipe econômica e parlamentares retomam conversas para negociar medidas tributárias, mantendo a cautela até a decisão do STF.
Novo vídeo
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) continua tentando interferir no processo da trama golpista de 2022, na qual seu pai é réu. Moraes incluiu em inquérito um vídeo publicado por Eduardo na rede social X, onde ele defende sanções contra o ministro. O inquérito, que apura crimes como coação e obstrução, foi prorrogado por 60 dias para continuidade das investigações. A embaixada dos EUA no Brasil declarou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, gerando a convocação do chefe da missão americana pelo Itamaraty para esclarecimentos.
(Com Agência Brasil, Estadão e Reuters)
