Publicidade
O mercado global de cobre enfrenta seu maior choque em um ano marcado por surpresas de política comercial, oscilações violentas de preços e uma desorganização inédita no comércio internacional.
O presidente Donald Trump confirmou a aplicação de tarifas de 50% sobre as importações de cobre, mas isentos os metais refinados, que são a base do comércio internacional da commodity. A decisão provocou um tombo recorde nos preços nos EUA, após um período de lucros elevados para traders que haviam acelerado o envio de metal ao país antes da entrada em vigor das tarifas. O prêmio que os contratos futuros de Nova York tinham sobre Londres simplesmente desapareceu.

Ânimo voltou? Até onde Ibovespa e dólar podem ir após ‘plot twist’ com tarifaço
Analistas projetam recuperação para o mercado brasileiro, mas ainda veem incertezas no radar

De sanção a Moraes a decreto de Trump: o dia de viradas que fez Ibovespa subir 0,95%
Noticiário foi bastante movimentado na política e economia – trazendo também impactos para a Bolsa brasileira
“Isso fugiu completamente das expectativas do mercado”, afirmou Li Xuezhi, chefe de pesquisa da Chaos Ternary Futures Co., ligada a um fundo de hedge de commodities em Xangai. Segundo ele, quem apostou na alta dos preços nos EUA “desperdiçou todo o esforço” e os fluxos globais de cobre devem voltar ao normal.
Oportunidade com segurança!
Os contratos futuros na Comex em Nova York despencaram mais de 22% — a maior queda já registrada —, à medida que os operadores recalibraram o valor do metal nos EUA em comparação ao restante do mundo. Com as cotações na London Metal Exchange (LME) caindo bem menos, o contrato de referência da Comex passou de um prêmio de mais de 30% há uma semana para ser negociado com desconto em relação ao preço de Londres.
A decisão de isentar o cobre refinado deve abalhar o comércio global do metal, essencial para a economia mundial devido ao uso maciço em fiação elétrica. Agora, grandes volumes estão armazenados nos EUA, e já há especulação sobre possíveis reexportações.
Corrida do cobre
Quando Trump indicou no início do ano a possibilidade de tarifas, os preços nos EUA dispararam em relação ao mercado internacional e grandes traders correram para enviar cargas aos portos americanos, num movimento que veteranos do setor chamaram de o maior de suas carreiras.
Continua depois da publicidade
No início de julho, Trump anunciou que a tarifa seria de 50%, acima do esperado, aumentando ainda mais o potencial de ganhos. Isso levou a uma corrida final, com pelo menos um navio carregado de cobre a caminho do Havaí antes do fim do mês.
“Houve muitos participantes vendendo o spread Comex-LME”, disse Zhou Xiaoou, analista da Zijin Tianfeng Futures Co.
Analistas do Goldman Sachs afirmaram estar “surpresos” com as isenções, mas não acreditam que isso altere os fundamentos do mercado nem que haja reexportações em grande escala a partir dos EUA. A expectativa é que os preços na Comex se mantenham pelo menos em linha com os da LME.
Na manhã desta quinta-feira (horário de Londres), o cobre caía 0,6% na LME, a US$ 9.642 por tonelada, enquanto na Comex recuava 22%, a US$ 4,37 por libra.
Segurança de abastecimento
O anúncio do presidente — feito menos de 48 horas antes do início previsto das tarifas — mostra seu estilo agressivo de negociação, mas também evidencia as dificuldades para revitalizar a indústria de metais dos EUA. Parte do setor de cobre americano argumentava que o país simplesmente não tem capacidade para substituir todas as importações rapidamente.
A tarifa de 50% anunciada na quarta-feira incidirá sobre produtos semielaborados, como tubos, fios, hastes, chapas e bobinas, além de bens que utilizam muito cobre, como conexões, cabos, conectores e componentes elétricos. Produtos menos processados — como minério, concentrados, mates, cátodos e ânodos — ficarão de fora.
Continua depois da publicidade
Ainda assim, a possibilidade de tarifas sobre o cobre refinado não foi totalmente descartada. O Departamento de Comércio recomendou apenas adiar a medida, começando com uma taxa de 15% em 2027 e aumentando para 30% em 2028. Trump pediu que o órgão apresente uma nova avaliação do mercado de cobre dos EUA até junho de 2026.
“Embora estejamos surpresos com a quase total reversão das tarifas propostas para o cobre, acreditamos que isso mostra que o governo Trump continua focado na segurança de abastecimento”, disseram analistas do Goldman.