Taesa (TAEE11): com dividendos atrativos apesar de alavancagem, BBA sobe recomendação

BBA prevê um rendimento de dividendos de 6% para 2024, 8% para 2025 e 2026, e níveis de dois dígitos após 2027

Felipe Moreira

Linha de transmissão de energia
27/07/2022 (Foto:
REUTERS/Wolfgang Rattay)
Linha de transmissão de energia 27/07/2022 (Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay)

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O Itaú BBA elevou recomendação para ação da Taesa (TAEE11) de underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) e elevou preço-alvo de R$ 35,90 para R$ 36,70, pois agora vê a companhia elétrica sendo negociada a uma taxa interna de retorno (TIR) real mais atraente de 7,8% somado a altos rendimentos de dividendos de um dígito nos próximos anos, não fazendo sentido operar vendido na ação.

A ação da Taesa caiu 4% no ano, em linha com o Ibovespa, movimento atribuído à alta nas taxas de juros de longo prazo e ao fraco IGP-M, que está ligado a cerca de 60% das receitas da empresa.

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Com relação aos proventos, o BBA prevê um rendimento de dividendos de 6% para 2024, 8% para 2025 e 2026, e níveis de dois dígitos após 2027. A empresa anunciou uma redução no payout (percentual do lucro em pagamento de dividendo) para 2024 para 75%, devido à maior alavancagem, mas espera que aumente para 90% em 2025 e 100% em 2026.

O banco comenta que um alto rendimento de dividendos é fundamental para o desempenho da ação, dado que 55% da sua base de acionistas são investidores de varejo. Investidores internacionais representam 30% da base acionária da Taesa, enquanto investidores institucionais brasileiros compõem apenas 15%.

Em termos de endividamento, o BBA disse não estar muito preocupado com a aparentemente alta alavancagem da Taesa, dado seu modelo de negócios de baixo risco e a perspectiva positiva para a geração de fluxo de caixa.

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Nesse contexto, analistas projetam uma dívida líquida proporcional/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 4,1 vezes para o final de 2024, 3,9 vezes para 2025, 3,7 vezes para 2026 e 3,2 vezes para 2027.

Já as receitas em termos reais devem aumentar com o início dos projetos em construção. O banco estima que a Taesa investirá aproximadamente R$ 3,2 bilhões em projetos greenfield (novos) e brownfield (já existentes) entre 2024 a 2027, o que adicionará cerca de R$ 550 milhões em receitas uma vez que comecem as operações comerciais. A Taesa tem uma excelente classificação de crédito (AAA), e não há covenants em nenhuma das dívidas emitidas pela empresa.

Segundo o relatório, a Taesa expressou interesse em participar do leilão de transmissão de setembro, dado que os desembolsos de capex para esses projetos só se tornarão significativos a partir de 2027, quando sua alavancagem deve ser muito menor. A empresa participou de vários leilões de transmissão, vencendo seus lotes mais recentes em 2022.

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Para o lucro líquido, o BBA elevou as estimativas em mais de 15% para 2024 e 2027, principalmente devido a uma taxa de imposto de renda efetiva mais baixa.

A equipe de análise também espera que a taxa de imposto efetiva caia para cerca de 7 e 8% nos próximos cinco anos, devido à aceleração do uso de prejuízos fiscais após a incorporação de subsidiárias na holding, ao benefício fiscal SUDAM/SUDENE, ao pagamento de juros sobre capital próprio, e à menor taxa de imposto para concessões sob o regime de lucro presumido.

Para 2029 em diante, o banco projeta uma taxa de imposto efetiva média de cerca de 15%. No modelo anterior, o BBA incorporava uma taxa de imposto efetiva mais alta de 25%, pois não considerava o benefício fiscal do JCP (juros sobre capital próprio) devido às expectativas de uma mudança na legislação, que não ocorreu.