Suzano X Klabin: BBA reduz projeções, mas tem compra para ações; qual é a preferida?

Recomendações são de compra para as duas ações, com SUZB3 tendo preço-alvo reduzido de R$ 70 para R$ 58 e KLBN11 de R$ 23 para R$ 21

Lara Rizério

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O Itaú BBA atualizou seus modelos para Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), com uma visão mais cautelosa para o setor de papel e celulose.

Do lado da oferta, os analistas do banco apontam para os impactos dos movimentos recentes de verticalização na China e dos novos projetos de celulose esperados para o setor até 2030. “A partir de agora, avaliamos com mais cautela os preços da celulose”, destaca a equipe de análise do BBA.

A projeção para o preço médio para o período entre 2026 e 2028 ficou em US$ 570 por tonelada, ante US$ 620/t (tonelada) anteriormente. A recomendação de compra foi mantida para ambas, mas reduziram o preço-alvo para SUZB3 de R$ 70 para R$ 58 ao fim de 2026. Da mesma forma, cortaram o preço-alvo para KLBN11 de R$ 23 para R$ 21. A preferência no setor segue pela Suzano.

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Para a Suzano, a recomendação de compra foi mantida devido às métricas de valuation ainda atrativas, com potencial de valorização de aproximadamente 22% e rendimento de dividendos de 2%. O principal motivo para a redução do preço-alvo foi o menor nível esperado para os preços da celulose nos próximos anos.

A nova projeção de resultado operacional (Ebitda) para 2026 é de aproximadamente R$ 25 bilhões, praticamente inalterada em relação à estimativa anterior, de R$ 24,8 bilhões, com melhor desempenho de custos compensando os preços realizados da celulose ligeiramente menores esperados para 2026. O BBA projeta geração de fluxo de caixa livre próxima de zero em 2026, ao considerar o desembolso de R$ 9,4 bilhões para a compra de 51% na joint venture a ser formada com a Kimberly Clark (KC).

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Para 2027 e 2028, projeta rendimento médio de fluxo de caixa livre (FCF) de cerca de 14%, com aproximadamente R$ 16,3 bilhões em geração de FCF. A estimativa é de que a Suzano esteja negociando a cerca de 5,3 vezes seu lucro operacional projetado (EV/Ebitda) para 2026 e cerca de 4,7 vezes em 2027; ▪

Já com relação à Klabin, a recomendação seguiu como compra, com métricas de valuation atrativas e potencial de alta de aproximadamente 19% das ações. Porém, o preço-alvo foi reduzido devido à expectativa de resultados mais fracos na divisão de celulose.

“Caso o cenário macroeconômico melhore, a empresa segue bem-posicionada em papel e embalagem”, aponta o BBA.

A Klabin negocia a cerca de 6,0 vezes seu lucro operacional projetado (EV/Ebitda) para 2026, abaixo do múltiplo justo entre 7,0 e 8,0 vezes. A projeção é de rendimento de FCF (fluxo de caixa livre) médio de aproximadamente 12% entre 2026 e 2030, o que permite redução de alavancagem e pagamento de dividendos.

Além disso, destaca para a trajetória de desalavancagem financeira, apoiada por geração de caixa resiliente e pelos negócios florestais anunciados em 2025 (R$ 3,6 bilhões em desinvestimentos, sendo R$ 2,1 bilhões já recebidos e R$ 1,5 bilhão esperado no 4T25).

O banco espera menor volatilidade nos preços da celulose nos próximos anos, com níveis estáveis entre US$ 550/t e US$ 600/t, reflexo da integração vertical das fabricantes de papel na China. Essa estratégia permite produzir internamente quando os preços estão altos e comprar no mercado quando estão baixos.

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O BBA cortou sua projeção para 2026 para US$ 570/t (de US$ 580/t anteriormente), com celulose de fibra curta (BHKP) entre US$ 535/t e US$ 545/t ao fim de 2025, patamar insustentável para parte dos produtores do Hemisfério Norte. “Apesar do cenário desafiador no curto prazo, acreditamos que a pior fase já passou e vemos melhora gradual durante 2026 e 2027, apoiada por menor expansão integrada na China e ausência de novas plantas na América Latina até 2028”, avalia.

Monitora, porém, a entrada da fábrica OKI II na Indonésia entre 2026 e 2027.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.