Destaques da Bolsa

Suzano dispara 7% e Cemig salta 4% após anunciar venda de ações; Petrobras ‘ignora’ más notícias e sobe

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta quinta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa subiu nesta quinta-feira (1) puxado pelas ações ligadas a commodities, como Petrobras e Vale. Afastados dos preços do petróleo, os papéis da estatal avançaram após o BTG Pactual elevar a recomendação da empresa para compra. Chamouo atenção também as empresas do setor de papel e celulose, que subiram forte beneficiadas pela alta do dólar. Suzano figurou como a maior alta do Ibovespa, com ganhos de 7%. 

Destaque nesta sessão também para a Cemig, que disparou 5% após anunciar que vai vender suas units que detém na Taesa. A operação vai liberar cerca de R$ 950 milhões para a elétrica mineira. 

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 14,87, +0,88%; PETR4, R$ 13,00, +1,17%)
As ações da Petrobras perderam fôlego temporário nesta tarde com notícia de que a estatal vai deixar de receber R$ 1 bilhão da SBM. A notícia, no entanto, não foi suficiente para limitar a alta diária da ação, assim como a queda do petróleo, sustentada por uma elevação de recomendação pelo BTG Pactual. Lá fora, o preço do petróleo Brent registrava queda de 2,45%, a US$ 45,74 o barril, enquanto o contrato WTI caía 2,73%, a US$ 43,48 o barril. 

CGU (Controladoria Geral da União) informou nesta tarde que não foi homologado o acordo de leniência firmado entre autoridades brasileiras, Petrobras, SBM Offshore e SBM Holding. O acordo envolveu, além do Ministério Público do Rio de Janeiro, o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle e a AGU (Advocacia-Geral da União). O acordo de leniência, firmado em 15 de julho deste ano, previa o pagamento de US$ 162,8 milhões e compensação de US$ 179 milhões a Petrobras; US$ 6,8 milhões ao MPF e US$ 6,8 milhões ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). 

Nesta manhã, o BTG revisou a recomendação da Petrobras de neutra para compra, enquanto o preço-alvo do ADR (American Depositary Receipt) da companhia passou para US$ 9,50, em relatório chamado “O poder do desconhecido”. Os analistas destacaram a notícia da véspera de que o governo federal busca renegociação dos valores do contrato da cessão onerosa com a Petrobras e que ela poderia até receber valores ao invés de pagar. “Tudo depende dos parâmetros (que estão sendo negociados)”, afirmou o diretor do Departamento de Políticas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, José Botelho Neto a jornalistas na véspera. 

“Muitos investidores estão nos perguntando se o governo do Brasil tem o dinheiro para compensar a empresa. As leis atuais estabelecem que a Petrobras pode fazer um pagamento, reduzindo o volume extraído desses campos. Se o governo tiver que fazer um pagamento, ele pode fazê-lo em dinheiro, títulos do Tesouro ou de outra forma ‘acordada entre as partes’. Em nossa opinião, o caminho natural para o governo seria transferir campos adicionais para a empresa e, mudando as regras do pré-sal, deixá-la vender os blocos depois. O regulamento vigente prevê que os campos relacionados a transferência de direitos não podem ser transferidos pela empresa, mas não temos certeza se isso poderia ser alterado a critério do governo. A legislação adicional pode ser necessária se o objectivo é capitalizar a Petrobras. Se as alterações forem aprovadas, podemos ver um enorme valor potencial de desbloqueio”, afirmam os analistas. 

Ainda no radar da estatal, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a companhia conta com a adesão de 8 mil empregados ao Programa de Incentivo à Demissão Voluntária (PIDV), que se encerrou à meia noite de quarta-feira (31). Segundo fonte da empresa, até a última sexta-feira (26), mais de 7 mil tinham aderido ao programa. Um novo balanço ainda não foi feito, porque a expectativa era de que muitos funcionários, até então em dúvida, se manifestassem no último momento.

Um número concreto das demissões apenas será conhecido em maio do ano que vem, prazo final para que todos os funcionários confirmem se querem, realmente, aderir ao PIDV. Os desligamentos acontecerão gradativamente. Ao optar pela adesão, o empregado é imediatamente informado sobre a data de saída, que deve ser entre setembro deste ano e maio do ano que vem. Cada um deles tem até essa data para desistir da demissão.

Suzano e Fibria
As ações do setor de papel e celulose Suzano (SUBZ5, R$ 10,91, +6,96%), Fibria (FIBR3, R$ 22,88, +3,95%) e Klabin (KLBN11, R$ 17,25, +1,47%) dispararam em dia de alta do dólar frente ao real. O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,63%, a R$ 3,4282 na compra e R$ 3,2495 na venda. 

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Ontem, durante o programa “Tendências”, o analista técnico Bo Williams, da Clear Corretora, indicou compra para day trade de Suzano, acima do patamar dos R$ 10,10. A operação, ainda aberta pelo analistas, tem como alvo a região dos R$ 11,29, o que daria um ganho de 11%. O “stop gain” está nos R$ 10,50. O programa vai ao ar de segunda a quinta-feira, das 17h30 às 18h (horário de Brasília), na InfoMoneyTV. 

São Martinho e Minerva 
O BTG Pactual incluiu as ações da São Martinho (SMTO3, R$ 50,54, +0,60%) e Minerva (BEEF3, R$ 9,61, +1,80%) em sua carteira para o mês de setembro. A equipe de análise do banco, chefiada por Carlos Sequeira, decidiu substituir as ações da Cosan pelas da São Martinho para manter exposição ao setor de açúcar e álcool, por um ativo mais barato. Já Minerva foi adicionada em meio à melhora no ciclo do gado e valuations competitivos. Por fim, os analistas decidiram também elevar exposição ao Itaú Unibanco, cujo peso passou de 10% para 15%, após aumento de confiança para o setor de bancos em 2017. 

Cemig e Taesa
As units da Taesa (TAEE11, R$ 22,10, -4,74%) afundaram nesta sessão após a Cemig (CMIG4, R$ 9,12, +4,23%) ter informado, ontem à noite, que seu conselho de administração deliberou autorizar a monetização, de até 40.702.230 units da Taesa. As units correspondem a 40.702.230 ações ordinárias e 81.404.460 ações preferenciais de propriedade da Cemig. Ao preço de fechamento dos papéis, o montante equivale a cerca de R$ 950 milhões. A Cemig disse, em comunicado enviado ao mercado, que manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados sobre atualizações relacionadas ao tema. 

Além disso, a Cemig informou nesta data que firmou convênio de R$ 4,2 milhões com agência do governo dos Estados Unidos. O presidente da Cemig, Mauro Borges Lemos, enalteceu a desenvolvimento de estudos e pesquisas com o suporte da United States Trade and Development Agency (USTDA). “A realização de projetos em parceria com a agência trouxe resultados expressivos para a Cemig anos atrás, que contribuíram para tornar mais eficientes diversos processos. Sem dúvida, a Cemig é a empresa certa para colocar em prática novas ideias e experimentar novas tecnologias por meio desses convênios. Fica claro que o compartilhamento de conhecimento entre a USTDA e a Cemig vai auxiliar no crescimento da empresa e trazer mais qualidade aos serviços prestados”, destacou Mauro Borges.

Ambev (ABEV3, R$ 19,67, +2,50%)
A produção de cerveja no Brasil em agosto caiu cerca de 1% sobre o mesmo período do ano passado, mas avançou quase 13% na comparação com julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Receita Federal. O setor produziu 10,856 milhões de hectolitros de cerveja no mês passado ante 10,977 milhões no mesmo período do ano passado e 9,6 milhões em julho. Com isso, no acumulado dos dois primeiros meses do terceiro trimestre, a indústria tem queda de 1,6% no volume produzido sobre o mesmo período do ano passado, a 20,5 milhões de hectolitros. 

Vale (VALE3, R$ 17,44, +2,95%; VALE5, R$ 14,90, +2,97%)
As ações da Vale e Bradespar (BRAP4, R$ 10,46, +1,75%) tiveram o primeiro dia de alta após caírem forte por dois pregões seguidos. Apesar do movimento, o minério de ferro iniciou setembro com queda de 1% no porto de Tianjin, na China, indo a US$ 58,4 a tonelada seca, de acordo com o insumo com pureza de 62%.

Já as siderúrgicas tiveram dia misto. A CSN (CSNA3, R$ 8,80, +2,33%) conseguiu virar para alta, mesmo após ter seu rating rebaixado pela S&P, enquanto Gerdau (GGBR4, R$ 8,95, -1,43%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,61, -2,70%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,45, -0,58%) encerraram o pregão no campo negativo. 

A S&P rebaixou o rating da CSN de B para CCC+, em escala global, e cortou a classificação em escala nacional de brBB- para brCCC+. A perspectiva é estável. A agência afirmou que o rebaixamento é um reflexo de suas expectativas de que “a CSN vai continuar a queimar dinheiro nos próximos trimestres, como resultado de sua pesada carga de juros e fracos resultados operacionais”.

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Segundo a XP Investimentos, o cenário segue extremamente desafiador para a companhia, com elevado endividamento. “Seguimos não recomendando exposição ao ativo. No setor siderúrgico, preferimos exposição à Gerdau”, disseram.

BRF (BRFS3, R$ 53,18, -1,24%)
O FTSE Global, índice que serve como referência para muitos fundos estrangeiros, promoverá no dia 16 de setembro o rebalanceamento de seu carteira. Segundo os dados divulgados nesta madrugada, a única ação do Brasil que sofrerá uma saída relevante de recursos é BRF, de mais de US$ 150 milhões. De acordo com levantamento feito pelo Credit Suisse, a menor exposição ao papel (que corresponderá a uma saída de US$ 157,2 milhões), corresponde a 4,6 dias de negociação da ação.