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SÃO PAULO – O Ibovespa passou por uma sessão bastante instável nesta quinta-feira (12), pressionado por balanços e noticiário negativo para ações de metais básicos. Os papéis da Vale recuaram pelo sétimo pregão seguido, marcando sua pior sequência de quedas desde 20 de maio.
Contribuiu para a queda do índice também as ações de peso da Petrobras, que recuaram antes da divulgação do balanço, programado para depois do fechamento do mercado.
Do Ibovespa, a Suzano foi a ação que reagiu com mais otimismo ao resultado, figurando como a maior alta do índice, enquanto Copel afundou 9%, seguida por Gol, Oi, Bradespar (que também acompanhou a Vale) e Banco do Brasil. Fora do índice, o destaque após balanço era a ação da IMC, que desabou 18%.
Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:
Petrobras (PETR3, R$ 9,02, -2,59%; PETR4, R$ 7,58, -1,81%)
As ações da Petrobras recuaram antes de divulgação de balanço do terceiro trimestre e acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo brent recuava 2,07%, a US$ 44,86 o barril.
Ainda sobre a companhia, foi divulgado hoje um laudo da Polícia Federal, elaborado em 26 de outubro, que aponta que os desvios de dinheiro na estatal para 27 empresas investigadas na Operação Lava Jato podem chegar a R$ 42 bilhões entre 2004 e 2014 – até agora, estimava-se uma cifra máxima de desvios de R$ 20 bilhões.
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Além disso, ontem, a Petrobras apresentou uma nova proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) aos petroleiros, incluindo reajuste de 9,53% nas tabelas salariais, e disse que aguarda um posicionamento da categoria para o encerramento da greve que já dura quase duas semanas e impacta a produção de petróleo.
Vale (VALE3, R$ 15,05, -1,76%; VALE5, R$ 12,57, -1,02%)
As ações da Vale caíram pelo 7° pregão seguido, acumulando queda de 13% no período, após o minério de ferro atingir menor valor desde julho. Com o movimento, as ações da companhia batem o menor patamar desde 26 de agosto. Essa é a pior sequência de queda desde 20 de maio. Hoje, o minério de ferro caiu 1,6% na China, batendo US$ 47,81 – no menor valor desde 8 de julho.
As ações da Bradespar (BRAP4, R$ 7,15, -2,99%), holding que detém participação na Vale, seguiram o movimento. A companhia divulgou resultado nesta manhã. A companhia registrou aumento de 1.240% no prejuízo líquido no terceiro trimestre, para R$ 279,9 milhões na comparação anual. No mesmo período de 2014, a companhia havia registrado prejuízo de R$ 20,9 milhões.
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O Conselho Deliberativo da Federação Única dos Petroleiros (FUP) marcou reunião para a tarde de quinta-feira para avaliar a proposta da estatal e definir os próximos passos do movimento da categoria. Por enquanto, a entidade manteve a orientação para a continuidade da greve.
Copel (CPLE6, R$ 30,41, -8,65%)
As ações da Copel desabaram após balanço mostrar um lucro sensibilizado pela retração de consumo no seu mercado de atuação, aquém do potencial da empresa. No trimestre, a empresa registrou lucro líquido de R$ 91 milhões, queda de 60,8% ante os resultados do mesmo período do ano anterior. Houve no período diminuição de 2,4% de seu mercado total.
Segundo o BTG Pactual, o resultado veio fraco e, embora a ação esteja barata, a questão hidrológica (tem muita energia descontratada em 2016) pode comprometer os resultados futuros da companhia e, se estiver certo que o preço da energia é para baixo, a empresa terá dificuldade em contratar tanta energia.
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Gol (GOLL4, R$ 3,56, +1,42%)
Dado que as circunstâncias e expectativas já estavam bem baixas, o fraco resultado da Gol não foi uma grande surpresa ao mercado, mas ainda assim as ações viraram para queda depois de abertura positiva. Além do balanço, a companhia revisou sua projeção de margem operacional (Ebit) em 2015 para o intervalo de baixa de 2% a 0%, ante previsão anterior de alta de 2% a 5%, citando a volatilidade cambial, a queda dos preços internacionais do petróleo e a atual conjuntura econômica.
No trimestre, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 2,133 bilhões, alta de quase 8 vezes sobre o prejuízo líquido de R$ 245,1 milhões registrado um ano antes. Segundo a empresa, do total do prejuízo, R$ 1,440 bilhão, ou 67,5%, referem-se às variações monetárias e cambiais líquidas. A receita da Gol cresceu 1,1% no terceiro trimestre, para R$ 2,489 bilhões.
Para o BTG, como as expectativas já estavam bem baixas, o resultado veio até um pouco melhor do que o esperado, com margem Ebit levemente positiva em 0,4%. Além disso, a revisão no guidance da margem Ebit também ficou em linha com a expectativa, reiterando corte de capacidade para o ano, que para o quarto trimestre significa 5% a 7%, o que é uma notícia positiva.
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No mais, a empresa anunciou que vai ajustar a frota para os próximos dois anos (ao invés de 15 aeronaves esperadas para 2016 e 2017, vai receber 4), o que é positivo, já que mostra a racionalização adicional de capacidade. “Como esperado, apesar de bem alavancado, perfil de liquidez do balanço está sólido, com mais de R$3 bilhões em caixa”, comentaram os analistas do banco.
Suzano (SUZB5, R$ 18,15, +5,89%)
As ações da Suzano subiram após resultado forte, na visão do BTG Pactual, com ajuda do câmbio e melhores preço de celulose. A companhia encerrou o trimestre com Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 1,476 bilhão, mais do que o dobro dos R$ 615 milhões registrados um ano antes. Analistas esperavam, em média, Ebitda ajustado de R$ 1,338 bilhão.
Por conta do câmbio, a empresa teve um prejuízo de R$ 959 milhões no período, salto ante o resultado líquido negativo de R$ 362 milhões no mesmo período do ano anterior. Analistas esperavam prejuízo de R$ 1,042 bilhão, segundo previsões compiladas pela Reuters.
Segundo o BTG Pactual, o papel tem sofrido por conta do câmbio e correção dos preços na China, mas a parada da Cenibra pode ajudar a sustentar os preços no nível atual. “Resultado de hoje pode ajudar o papel a recuperar momento”, comentaram os analistas. Do topo registrado dia 1° de outubro até agora, as ações caíram cerca de 11%.
Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,21, -0,29%)
As ações do BB caíram forte, após balanço do 3° trimestre mostrar menor ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) e alta da inadimplência. O banco registrou lucro líquido de R$ 3,06 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 10,1% sobre o mesmo período de 2014. Em bases recorrentes, o lucro do BB foi de R$ 2,881 bilhões, praticamente estável ante os R$ 2,885 bilhões de um ano antes. A previsão média de analistas consultados pela Reuters era de que o lucro excluindo efeitos extraordinários seria de R$ 3,017 bilhões.
Para o BTG Pactual, a primeira leitura é um resultado fraco, com lucro líquido ajustado abaixo do estimado. Mesma visão da XP Investimentos, que ressaltou que o lucro abaixo do projetado contribuiu para um ROE de 13,3%, contra 16,1% no mesmo trimestre do ano passado. Além disso, destaque negativo ainda para o aumento da inadimplência, que passou de 4,8% para 5,2% em um ano.
O resultado abaixo das expectativas, em termos de lucro, fez o banco rever o guidance de ROE para o ano, pois o guidance de ROE em 2015 era entre 14% e 17%, enquanto que no ano está até o momento na casa de 13,7%. Assim, o banco revisou o guidance para entre 13% e 16% de ROE. Também foi revisado projeções de crescimento da carteira de crédito da pessoa jurídica este ano para 5% a 9%, ante 7% a 11% estimados anteriormente.
Kroton (KROT3, R$ 10,57, -0,28%)
As ações da Kroton avançaram após resultado do terceiro trimestre divulgado nesta manhã. Ontem, os papéis da companhia já subiram forte (+6%), em meio às expectativas pelo número e em pregão de euforia generalizada no mercado.
A Kroton encerrou o 3° trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 407,4 milhões, crescimento de 33,7% sobre o resultado do ano passado. A empresa apurou em Ebitda (geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 508,2 milhões, alta de 27,4%. Analistas esperavam, em média, lucro líquido de R$ 367,7 milhões e Ebitda de R$ 471 milhões.
Para o BTG Pactual, o resultado operacional veio muito bom e um pouco melhor do que o esperado. As provisões com devedores duvidosos também trouxeram boas notícias para margem, enquanto do lado da receita, o ticket médio presencial, que era o grande foco, cresceu 4% na comparação anual, o que, apesar de mostrar uma desaceleração, não foi tão ruim quanto os analistas esperavam.
A XP Investimentos ressaltou que, apesar do crescimento da receita ter ficado abaixo do esperado (+7,8%), os ganhos de margem continuam suportando bons resultados para a empresa, que deve superar o guidance de 2015.
Com o resultado, a Kroton aprovou distribuição de dividendos mínimos obrigatórios de R$ 74,3 milhões, a serem pagos em 18 de novembro.
JBS (JBSS3, R$ 14,26, +0,71%)
O ganho com derivativos para proteção cambial e o melhor desempenho operacional no Brasil levou a JBS a registrar seu maior lucro trimestral de sua história. O frigorífico viu seu lucro aumentar em quase 3 vezes, indo para R$ 3,44 bilhões no terceiro trimestre. No ano anterior, a JBS fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,092 bilhão.
Os ganhos com derivativos já eram esperados pelo mercado e resultam da política dehedge da empresa, que visa proteger 100% da sua exposição cambial, incluindo as operações fora do Brasil, que geram receita em dólar.
A receita líquida da companhia avançou 40%, atingindo os R$ 43 bilhões. Já o Ebitda fechou a R$ 3,80 bilhões, com alta de 6% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda da empresa caiu de 11,8% para 8,9%.
O BTG Pactual comentou que, do lado operacional o resultado veio em linha com as projeções revisadas (depois do resultado da Pilgrim’s), enquanto a alavancagem ficou em 2,5 vezes (medida pela dívida líquida/Ebitda), patamar confortável dadas as recentes aquisições. O banco reiterou recomendação de compra da ação.
IMC (MEAL3, R$ 3,97, -19,64%)
A small cap IMC, dona das redes de restaurantes Viena e Frango Assado, viu suas ações desabarem na Bolsa hoje e renovarem mínima histórica, após divulgação de balanço. O papel tem também sua pior sessão da história. No terceiro trimestre, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 11,3 milhões, revertendo lucro de R$ 4,3 milhões em igual período de 2014.
Segundo o BTG Pactual, o resultado veio fraco novamente, com as vendas no Brasil caindo 2,3%, sendo que vendas “mesmas lojas” de aeroportos recuaram 1,2% e 1,8% em shoppings, contra alta de 3,9% em rodovias. No consolidado, o resultado operacional de Brasil (que representa 49,7% do total) caiu 44%, por conta de custos, aluguel e despesas de vendas mais altos.
No geral, comenta o BTG, a companhia está alavancada, com dívida líquida/Ebitda em 4,2 vezes, e anunciou aumento de capital, via emissão de ações, de R$ 100 milhões a R$ 575 milhões, com a ideia de fortalecer o balanço e reduzir o endividamento, assim como buscar melhora operacional no Brasil, cujo custo de aluguel subiu 17%. Para os analistas, o aumento de capital vem em boa hora, mas eles mantêm recomendação neutra para a ação, por falta de visibilidade do case e risco macroeconômico.
TIM (TIMP3, R$ 8,20, -2,38%)
O presidente da Telecom Italia, Marco Patuano, afirmou nesta quinta-feira que teve conversa informal com representante da LetterOne antes da empresa russa de investimentos ter iniciado negociações com a Oi (OIBR4, R$ 2,02, -3,81%).
Falando durante uma conferência do Morgan Stanley para investidores em Barcelona, na Espanha, Patuano reafirmou que a empresa será racional e pragmática ao considerar uma eventual venda de sua operadora no Brasil, a TIM. Segundo ele, um movimento de consolidação do setor no país pode ocorrer em 2016, mas um acordo continua sendo difícil de ser alcançado.
Brasil Pharma (BPHA3, R$ 0,41, -6,82%)
Depois de abertura positiva, chegando a disparar 11%, as ações da Brasil Pharma viraram para queda. Hoje cedo a companhia anunciou a venda da unidade Drogaria Mais Econômica para a Mobius Health, afiliada da Verti Capital, por R$ 44 milhões. O anúncio confirma informação divulgada na véspera pela Reuters. A Brasil Pharma é controlada pelo BTG Pactual.
Além da venda da unidade, a companhia também anunciou que seu Conselho de Administração aprovou a realização de uma oferta pública de ações com esforços restritos de entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões.
Oi (OIBR4, R$ 2,02, -3,81%)
A Oi teve prejuízo líquido de R$ 1,021 bilhão no terceiro trimestre, revertendo resultado positivo de R$ 5 milhões registrado no mesmo período do ano passado. A companhia apurou queda anual de 3,6% na geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), para R$ 2,178 bilhões.
A dívida líquida somou ao final de setembro R$ 37,2 bilhões, alta de 7,5% sobre o segundo trimestre deste ano, mas queda de 22% na comparação anual.
Em teleconferência, o presidente da Oi, Bayard Gontijo, a Oi e a LetterOne esperam ter proposta cedo ou tarde e que trabalha em proposta factível para fusão com a TIM. O presidente disse que vem conversando sobre regulação desde que começou no cargo.
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