Sustentabilidade é bom negócio, mas faltam incentivos ao produtor

Roberto Rodrigues e Luis Carlos Guedes Pinto, ministros da agricultura do governo Lula, defendem a necessidade de estímulo financeiro para o avanço de uma produção mais sustentável

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SÃO PAULO – A incorporação de boas práticas socioambientais à atividade agropecuária faz bem às finanças do produtor rural, colocando o seu negócio na trilha do desenvolvimento sustentável. Entretanto, a sustentabilidade ainda é restrita a um grupo mais elitizado de produtores do ponto de vista de profissionalização e gestão, bem como de patrimônio e/ou acesso ao crédito.

Foi o que destacaram dois ex-ministros da Agricultura em evento realizado nesta terça-feira (12), na Esalq/USP, relativo ao lançamento de estudo, elaborado pelo Cepea, Imaflora e Raborank, que correlaciona desempenho socioambiental da atividade agropecuária, com ganhos financeiros e aumento de competitividade.

Segundo o ex-ministro Roberto Rodrigues, é inegável que um negócio sustentável acarreta em mais renda para o produtor rural, mas isso demanda tempo, e faltam estímulos financeiros, primeiramente de políticas públicas, para a adoção de boas práticas socioambientais no campo.

“Temos mais políticas de comando e controle do que de incentivo para a adoção da sustentabilidade”, disse ele, que acrescentou: “o CAR (Cadastro Ambiental Rural) é um exemplo deste pensamento. Ou o produtor faz, ou fica sem crédito”. Por outro lado, de acordo com Rodrigues, o programa de Agricultura de Baixo Carbono é uma boa iniciativa, mas que precisa ser mais bem divulgada. “Poucos produtores realmente conhecem.”

Luis Carlos Guedes Pinto, que sucedeu Rodrigues no Ministério da Agricultura, acentuou, assinalando que ao invés de punições é necessário estímulo para que a sustentabilidade avance junto a mais produtores rurais, já que atualmente, com base até no que mostra o estudo, as práticas sustentáveis estão restritas a uma elite produtiva.

De acordo com o levantamento, o crédito pode influenciar a adoção e apoiar a implantação de boas práticas, gestão e sustentabilidade na agropecuária. “Uma política de concessão de crédito baseada em requisitos de sustentabilidade e calcada em incentivos e apoio para mudanças pode induzir um processo de melhoria contínua do desempenho socioambiental do produtor rural”, pontua o documento.

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Ainda, segundo os ex-ministros, além do suporte por meio de recursos, a expansão de práticas sustentáveis no campo requer também a necessidade de esforços de assistência técnica e extensão rural, área hoje extremamente frágil no guarda-chuva das políticas públicas.