Suspensão de reajuste pode mudar percepção de risco sobre rodovias, diz HSBC

Embora não afete fortemente os resultados das empresas, bancos estimam que poderá haver uma alteração na visão do mercado quanto ao risco do setor

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SÃO PAULO – Após a suspensão do reajuste tarifário das rodovias paulistas, a estabilidade do setor, considerado defensivo, começa a ser posta em dúvida. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, garantiu que o governo não tem intenção de quebrar contratos e que irá reduzir os custos de operação das concessionárias afim de rebalancear os contratos.

Segundo a equipe de análise do HSBC, a resolução não trará impacto significativo no fluxo de caixa das companhias, como Arteris (ARTR3), CCR (CCRO3) e Ecorodovias (ECOR3), nem no Ebtida (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), mas o setor corre o risco de ser encarado com ceticismo. “O impacto no resultado não será significativo, mas a medida afeta consideravelmente a percepção de risco.”

Para o HSBC, um dos principais riscos de queda continua sendo a intervenção regulatória. “Acreditamos que a possível continuidade da interferência do governo cria o potencial para desequilíbrios econômicos no futuro”, diz a equipe de análise.

A estimativa apontada no relatório é de que, na ausência de reajuste tarifário, o Ebtida da Arteris, CCR e Ecorodovias irá cair 3,6%, 3,5% e 2,4%, respectivamente. “Embora o impacto pareça limitado para um ano, sem a compensação, esse impacto pode ser composto ao longo da duração da concessão”, diz o HSBC.

Medidas compensatórias
Já a Fator Corretora acredita que o mercado não deve ver novamente o forte impacto após regulação de setores, como visto ano passado entre as companhias elétricas, mas que haverá impacto negativo em outros setores e pode ocorrer um desequilíbrio econômico nas empresas no período até as medidas compensatórias entrarem em vigor.

As medidas para proteger a TIR (taxa interna de retorno) de cada projeto devem abranger redução de tarifas da ARTESP (Agência de Transporte de São Paulo) de 3% para 1,5% e do ônus fixo; cobrança do eixo suspenso dos caminhões – até agora, o valor cobrado dos caminhoneiros é calculado com base na quantidade de eixos que toca o chão, ignorando os suspensos – e penalização das concessionárias por atraso em obras.