Publicidade
SÃO PAULO – Apesar da alta de 0,57% do principal índice de ADRs (American Depositary Receipt) brasileiros em Nova York, os contratos futuros de Ibovespa com vencimento em outubro recuam 0,03%, aos 74.380 pontos, às 9h21 (horário de Brasília) desta sexta-feira (8). O motivo pode estar no fato do Ibovespa Futuro ter subido cerca de 350 pontos nos últimos 40 minutos de pregão na última quarta-feira (6), entre 17h20 e 18h00, horário este que o Ibovespa “à vista”, que fecha às 17h00, já havia paralisado as negociações.
O índice Brazil Titans 20, que reúne os principais ADRs de empresas nacionais negociados em Wall Street, registrou alta de 0,57%, aos 23.822 pontos, descolando-se do movimento registrado nas bolsas dos EUA, que ficaram próximas da estabilidade, e mais próximo da alta vista na Europa após a fala do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, sobre a força do euro e os estímulos à economia. Por conta disso, mesmo com o Ibovespa Futuro esteja operando perto da estabilidade, é provável que o Ibovespa à vista (que abre às 10h00) inicie o pregão em alta.
No mesmo momento, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 registravam baixa de 3 pontos, cotados a 7,59%, enquanto os contratos de janeiro de 2021 recuavam 5 pontos, negociados a 8,90%. O dólar futuro com vencimento em outubro registrava desvalorização de 0,35%, aos 3.097 pontos.
Bolsas mundiais
O dia é de queda para os principais índices acionários na Europa e Ásia. No velho continente, os investidores seguem digerindo as palavras do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, que disse que a autoridade monetária está monitorando como a força da moeda está afetando a inflação e o crescimento. Muitos vêem a apreciação do euro como uma das principais razões pelas quais o BCE se absteve de anunciar a redução dos estímulos à economia ontem, o que levou a moeda a uma nova disparada em relação ao dólar. Na Ásia, a sessão foi de leves perdas, mesmo com dados melhores que o esperado na China. As exportações da segunda maior economia do mundo cresceram 5,5% na comparação anual, tendo como referência o dólar. Às 9h21, este era o desempenho dos principais índices: *CAC-40 (França) -0,23% *FTSE (Reino Unido) -0,44% *DAX (Alemanha) +0,05% *Hang Seng (Hong Kong) +0,53 (fechado) *Nikkei (Japão) -0,63% (fechado) *Petróleo WTI -0,39%, a US$ 48,90 o barril *Petróleo brent +0,15%, a US$ 54,57 o barril *Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -2,73%, a 535 iuanes Decisão do Copom Segundo o economista do Banco Pine, Marco Caruso, a autoridade já deixou bem claro qual caminho irá seguir. “Ao usar a palavra ‘gradual’ no comunicado, o BC deixa bem claro que o próximo corte será de 75 pontos-base”. Nesta linha, a redução na última reunião do ano seria de mais 50 pontos-base, mas o BC mostrou que está confortável com a Selic em 7% no fim deste ano. Caruso explica que estes cálculos são feitos com base nas projeções do BC, que usa o Boletim Focus como referência. Atualmente, a projeção para a inflação está em 3,30%, mas isso pode mudar. “Após o IPCA de hoje e outros dados recentes, essa inflação parece alta”, afirma o economista, que projeta uma taxa na casa de 2,80%. “Caso o Focus comece a seguir para esta linha próxima da minha projeção, acredito que o BC terá espaço para cortar mais os juros”, continua Caruso. A mesma linha de opinião foi usada por Sérgio Goldenstein, sócio da Flag Asset e ex-chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do BC: “cenário base é de Selic a 7% no fim do ano, mas, como cenário alternativo, há probabilidade maior de Selic ficar abaixo de 7% do que acima, já que riscos positivos têm grande probabilidade de se materializar e riscos negativos são bastante improváveis”, disse ele para a Bloomberg. Radar político
O mercado também deverá digerir o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci, que disse que Lula firmou um “pacto de sangue” com os executivos da Odebrecht, que consistia no pagamento de propinas e outras vantagens indevidas. A defesa do petista sustenta que o depoente não assumiu compromisso em falar a verdade na ocasião e que suas falas confrontam depoimento dado por ele anteriormente, o que sinalizaria um interesse em apresentar um discurso que facilitasse a efetivação de um acordo de colaboração premiada. Também sobre o ex-presidente, chama atenção a nova denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que também envolveu a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro Aloizio Mercadante em uma suposta tentativa de obstruir as investigações da Lava Jato. Merece destaque também a revogação da imunidade concedida ao empresário Joesley Batista, após a entrega de novos áudios à PGR, no âmbito do acordo de colaboração firmado previamente, além da prisão preventiva do ex-ministro Geddel Vieira Lima, após descoberto em seu apartamento R$ 51 milhões. Além disso, segundo a “Veja”, a delação premiada de Lúcio Funaro promete revelar que Michel Temer recebeu R$ 13,5 milhões em propina. Radar corporativo
O anúncio de mais um corte na Selic fez os bancos Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander reduzirem suas taxas. Em meio ao terremoto que assolou a empresa após a revelação de novos áudios de conversas entre seus executivos, a JBS aderiu ao acordo de leniência celebrado pela holding J&F. Do lado da Petrobras, destaque para a decisão do TRF-5, que manteve a venda da Termo Bahia. A Marcopolo ampliou a suspensão de atividades até 15 de setembro, enquanto a Natura anunciou a conclusão da aquisição de 100% das ações da Body Shop. O Ibovespa Futuro é um bom termômetro de como será o pregão, mas nem sempre prevê adequadamente movimentos na Bolsa a partir do sino de abertura.
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em reduzir a Selic em 100 pontos-base na última quarta-feira (6) não foi surpresa para ninguém. Mas apesar do Banco Central deixar claro quais serão seus próximos passos, há quem acredite que há espaço para mudanças na condução da política monetária.