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SÃO PAULO – Desde a segunda quinzena de fevereiro deste ano, segundo instrução da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), os fundos destinados a investidores qualificados estão autorizados a alocar recursos, ilimitadamente, em ativos financeiros no exterior.
De olho na oportunidade, o grupo austríaco de investimentos Superfund, que administra um patrimônio de cerca de US$ 1,6 bilhão e prioriza a diversificação global em seus portfólios, está lançando um fundo desta característica no mercado doméstico.
Em entrevista à InfoMoney o diretor do grupo para a América Latina, Lance Reinhardt, detalhou o inusitado sistema de gestão utilizado pelo Superfund que, segundo ele, é totalmente automatizado, “livre da interação e das emoções humanas”, e também revelou algumas posições que a gestora carrega no momento.
InfoMoney – Qual o principal objetivo deste novo fundo que será lançado no Brasil? Como ele será configurado?
Lance Reinhardt – O fundo será estruturado para investidores brasileiros institucionais e qualificados, porque a cota mínima é de R$ 1 milhão, segundo exige a CVM. O fundo irá investir apenas em ativos no exterior, não terá nenhum investimento no Brasil.
Neste momento, ainda não fizemos o registro junto às autoridades locais, estamos estruturando o fundo e procurando adaptá-lo ao cliente brasileiro, num estágio preliminar.
IM – Qual é a estratégia de gestão utilizada pelo Superfund?
Reinhardt – Nossa estratégia é quantitativa. Essencialmente, operamos em mais de 100 tipos de mercados futuros, tanto com contratos financeiros quanto de commodities. Do lado financeiro, operamos derivativos, bônus, juro, moedas e curto prazo. Entre as commodities, operamos contratos de produtos agropecuários, de metais e de energia.
Nossas operações são executadas na CBOT (bolsa de futuros de Chicago), o que nos permite ter uma carteira globalmente diversificada.
Além das estratégias quantitativas usamos também modelos tradicionais, como médias móveis, mas a maioria dos modelos e das fórmulas é ‘da casa’, desenvolvida por nós.
IM – Como funciona o sistema de gestão? Ele é totalmente matemático ou vocês utilizam análise fundamentalista também?
Reinhardt – Não usamos nenhum tipo de análise fundamentalista, temos um sistema totalmente automatizado, operado por um software. Não há interação ou emoção humana envolvida no sistema.
“Nossa gestão é solidamente baseada no sistema. Não há interação ou emoção humana envolvida”
| “Nossa gestão é solidamente baseada no sistema. Não há interação ou emoção humana envolvida” |
Nossa gestão é solidamente baseada no sistema. Nós desenvolvemos nosso próprio modelo quantitativo de operação no começo dos anos 1990 e começamos a usá-lo em 1996. Nossa taxa anualizada de rentabilidade nestes últimos doze anos e meio foi de 18%, descontadas as taxas de administração.
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IM – Em quais mercados o Superfund está apostando agora?
Reinhardt – Os mercados são escolhidos pelo sistema. Os dados que alimentam o sistema permitem que ele identifique tendências. O critério utilizado para entrar ou sair de um mercado é a sua liquidez. Nós permanecemos num mercado enquanto ele nos oferecer a liquidez necessária, o que é um fator prioritário para a seleção do sistema.
O sistema procura oportunidades em mais de 100 mercados distintos, sendo que no momento temos posições em 30 mercados diferentes. Agora, por exemplo, estamos vendidos em gado e comprados em óleo de calefação e ouro. Temos também posições vendidas em títulos de seis anos do tesouro norte-americano.
Com as recentes reviravoltas dos mercados muitas posições foram zeradas, como por exemplo, em petróleo cru. Mas o que importa é que o sistema está sempre procurando oportunidades de compra e de venda.
IM – O acordo entre a BM&F e a CBOT pode beneficiar os fundos que operam globalmente, como é o caso do que será lançado pelo Superfund no Brasil?
Reinhardt – Esse tipo de acordo está se tornando cada vez mais comum em todo o mundo. Eu o vejo como algo muito bom, na medida em que aumenta a liquidez dos mercados envolvidos. Quanto mais volume de negócios, mais fácil fica de operar.
IM – Como é elaborada a gestão de risco dos fundos?
Reinhardt – A gestão de risco está incorporada ao sistema de negociações, então para toda posição em que entramos existe um stop loss. O stop loss é determinado por vários padrões diferentes para cada posição. Um destes padrões é a liquidez do mercado. Em adição, temos um limite de alocação em 80% para cada setor em que estamos expostos.
Mas também existe um limite de intersecção para setores que estão fortemente correlacionados. Por exemplo, petróleo e ouro têm uma grande correlação, então ambos os setores somados não podem ter mais de 80% do portfolio.
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Outro aspecto da gestão de risco é a diversificação, tanto global quanto entre mercados, vale ressaltar.