Superávit primário cai e déficit nominal atinge o maior nível desde a adoção do câmbio flutuante

O Banco Central anunciou um superávit de R$ 2,71 bilhões em julho no resultado primário consolidado para o setor público não-financeiro, o que segundo o governo reafirma a continuidade do ajuste das contas públicas. Este resultado é menor que o saldo positivo de R$ 3,45 bilhões registrado no mês passado. Ao mesmo tempo, o BC […]

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O Banco Central anunciou um superávit de R$ 2,71 bilhões em julho no resultado primário consolidado para o setor público não-financeiro, o que segundo o governo reafirma a continuidade do ajuste das contas públicas. Este resultado é menor que o saldo positivo de R$ 3,45 bilhões registrado no mês passado. Ao mesmo tempo, o BC divulgou que o déficit nominal brasileiro atingiu R$ 14,34 bilhões em julho, o que reflete a variação cambial do período.

Com o superávit primário de julho, o saldo positivo acumulado neste ano atinge R$ 33,1 bilhões, o que representa 4,9% do PIB. No resultado do ano, o Governo Central (governo federal, Banco Central, INSS e estatais federais) foi superavitário em R$ 22,9 bilhões, ou 3,4% do PIB. Do mesmo modo, os governos regionais e suas empresas estatais registraram saldo positivo de R$ 10,2 bilhões, ou 1,5% do PIB.

O déficit público atingiu o maior volume desde o inicio de 1999, quando o sistema cambial passou a ser flutuante e foi registrada uma forte desvalorização para o real, e o segundo maior desde a implantação do Plano Real, há sete anos. O resultado decorre principalmente da escalada do dólar e da elevação das taxas de juros. O resultado nominal brasileiro em julho reverteu o superávit de R$ 461 milhões registrado em junho, para o déficit de R$ 14,34 bilhões. A desvalorização cambial de 5,5% do real frente ao dólar em julho foi o principal motivo para o aumento do déficit.

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Com o resultado de julho, o déficit nominal acumulado de janeiro a julho deste ano já atinge R$ 43,13 bilhões, ou 6,3% do PIB, comparado com o déficit de R$ 20,38 bilhões, ou 3,3% do PIB, referente aos mesmos sete meses de 2000. Este resultado inclui os gastos do governo brasileiro com o serviço da dívida pelo pagamento de juros nominais.

Os resultados fiscais de julho demonstram a necessidade do governo brasileiro em se financiar, ao mesmo tempo em que demonstra uma certa tranqüilidade para atender à exigência do FMI em função do novo empréstimo de US$ 15 bilhões ao Brasil. Segundo o acordo, o Brasil deve registrar neste ano até setembro, um superávit primário do setor público consolidado de R$ 34,4 bilhões.

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