Superávit do setor público ajuda a assegurar acordo do Brasil com FMI

Conteúdo do Portal InfoMoney - Editoria Mercados

Publicidade

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira o superávit primário de R$ 3,5 bilhões para as contas do setor público consolidado referente ao mês de junho. Com este resultado, o superávit acumulado pelas contas públicas no primeiro semestre de 2001 atingiu R$ 30,4 bilhões ou 5,2% do PIB. Este resultado apura uma folga de R$ 8,9 bilhões em relação à meta estipulada junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para o período e também supera a meta até setembro, que é de R$ 29,674 bilhões de superávit. Este superávit pode significar mais um bom incremento ao poder de barganha da missão do governo brasileiro que está no FMI tratando de um novo acordo, que deverá financiar o déficit em conta corrente do Brasil neste e no próximo ano.

Do superávit primário acumulado em junho, 3,7% do PIB referem-se ao Governo Central (Governo Federal, Banco Central, INSS e empresas estatais federais), enquanto os 1,5% restantes referem-se ao superávit apurado pelos governos estaduais e suas empresas estatais. Deste modo, o superávit do Governo Central no primeiro semestre de 2001 é de R$ 21,5 bilhões, e o dos governos regionais e estatais estaduais atinge R$ 8,9 bilhões.

O comportamento do câmbio em junho contribuiu para o superávit primário. A taxa de câmbio é medida pela PTax, que é calculada pelo BC, e em junho registrou uma valorização cambial de 2,3%, reduzindo os juros incidente sobre a parcela de 26,4% do total da dívida mobiliária federal indexada ao câmbio. Deste modo, os juros nominais apropriados em junho ficaram em R$ 3,0 bilhões, comparativamente aos juros de R$ 15,8 bilhões em maio.

O governo brasileiro registrou em junho novo déficit em conta corrente, ao mesmo tempo em que foi apurada a saída de capital externo, com a queda dos investimentos diretos, que era a principal fonte de financiamento para este déficit. Sendo assim, a necessidade do Brasil firmar um novo acordo com o FMI expressa justamente esta lacuna registrada com o montante de capital externo que sai do país ou ainda que deixa de entrar e o saldo negativo das contas federais. Sendo assim, com o superávit do primeiro semestre de 2001 e os anúncios do governo de cortes dos gastos públicos do Orçamento da União deste ano, a missão brasileira que tenta acordar uma linha de financiamento junto ao FMI deve garantir a confiança no país.

Tópicos relacionados