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O superávit da balança comercial brasileira referente à quarta semana de outubro foi de US$ 176 milhões, segundo anunciado pelo Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior. Esse resultado foi considerado muito bom por dar continuidade à tendência de queda das importações, ignorando as expectativas de que as importações crescessem no último trimestre com o aumento do consumo no final do ano.
Com o resultado da terceira semana de outubro, o superávit acumulado no mês é de US$ 173 milhões, bem mais animador que o saldo negativo de US$ 523 milhões referente a outubro de 2000. Mesmo que no período tenha havido uma queda das exportações, o recuo das importações indica que o país caminha acima das expectativas do mercado, que espera para este ano um superávit na balança de US$ 1,05 bilhão. No acumulado do ano, o superávit da balança comercial já atinge US$ 1,42 bilhão.
Exportações crescem em termos anuais
Na comparação entre as médias diárias registradas pela venda dos produtos brasileiros ao exterior podemos notar um aumento de 1,9%, passando de US$ 220,9 milhões em outubro de 2000 para US$ 225,1 milhões neste mês de 2001. Este aumento é sustentado pela maior venda de produtos agrícolas brasileiros ao exterior em detrimento da queda nas vendas dos produtos manufaturados.
O aumento nas exportações reflete a ampliação de 23,3% na venda de produtos básicos, que subiram de US$ 50,3 milhões em outubro de 2000, para US$ 62,1 milhões em outubro de 2001, acumulado até a quarta semana. Os principais aumentos do grupo foram a soja em grão e em farelo, carnes de frango e bovina, óleos brutos de petróleo e milho em grão. Os semimanufaturados também colaboraram para este quadro com um aumento de 0,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, crescendo de US$ 33,0 milhões para US$ 33,3 milhões. Notou-se uma significativa melhora nas exportações de açúcar bruto, madeira, couros e peles.
Em contrapartida, as vendas para o exterior de produtos manufaturados reduziram-se 5,8%, caindo de US$ 133,8 milhões para US$ 126,0 milhões. A diminuição na compra de aviões, automóveis, calçados, autopeças, suco de laranja, pneumáticos por parte dos outros países foi a responsável pela queda.
Importações continuam em queda
As importações registraram um novo recuo da média diária, já que em outubro deste ano a média diária das importações atinge US$ 215,90, enquanto em outubro do ano anterior ficou em US$ 246,30. Segundo os dados do ministério, os produtos que possuem substitutos nacionais ou que são supérfluos registraram as principais quedas.
Entre os produtos que mais deixaram de ser importados estão o algodão (-70,9%), leite e derivados (-67,9%), cereais (-40,2%) e papel (-36,5%), devido ao aumento da produção interna destes produtos. A importação de cobre recuou 29,2% e poderá ficar ainda menor com os investimentos da Vale do Rio Doce na exploração do minério.
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Resultado do ano pode se ainda mais positivo
A expectativa era que no último trimestre houvesse um aumento do déficit comercial do Brasil com os outros países. Especialmente porque as festas do final do ano fazem o consumo aumentar, aumentando as importações para atender a demanda. Contudo, com a alta acumulada pelo dólar próxima de 40% em 2001, os produtos estrangeiros ficaram caros para o brasileiro, que pode procurar substituto no mercado interno.
Neste sentido, a redução das importações pode ser ainda maior, dependendo de fatores externos, como o desenrolar da guerra e da crise na Argentina e o aumento das exportações também pode crescer dependendo do desenrolar do tratado entre o Mercosul e a União Européia. Além disso, o comportamento do dólar frente ao real até o final do ano poderá ser um dos fatores chaves para o comportamento da balança comercial em 2001.
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