Subprime: apostas de que o Fed pode cortar juro básico em breve voltam à tona

Para alguns, comunicado mais ameno pode ter sido um "erro" e credibilidade do BC dos EUA pode ser colocada em questão

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SÃO PAULO – A quinta-feira já não inspirou bons ventos e tudo parece sinalizar que a semana vai terminar marcada por mais um dia tenso, volátil e predominantemente “vermelho”. A crise do mercado de crédito subprime, que até chegou a dar uma folga no começo da semana, voltou com força.

O pregão passado ficou agitado depois que o Banco Central Europeu entrou em jogo para dar liquidez aos bancos. Depois, foi a vez do Federal Reserve, em uma operação interpretada por alguns como rotineira e por outro como um claro “socorro”. Mas, não parou por aí, depois disso, chegou a vez dos BCs de Japão, Austrália e, de novo, Europeu.

O clima é tenso, não há dúvida. Muitos já apostam que a sexta-feira reserva novas intervenções das autoridades monetárias mundo afora. OS resultados disso tudo é claro: Bolsas em queda pra todos os lados do globo (e quedas expressivas – aqui, nos primeiro minutos da sessão o Ibovespa caia mais de 2%).

Segurança, por favor

Em contraposição, os preços dos Treasuries avançam em um nítido movimento de flight to quality. Os papéis com maturação em dois anos, por exemplo, têm seu rendimento pressionado para o mais baixo nível em 18 meses, tudo por causa da crise do mercado imobiliário e das respostas – surpreendentes – dos Bancos Centrais.

De uma forma geral, ao passo que até poucos dias ninguém sabia ao certo as proporções e o prazo da crise, começa a ganhar corpo a percepção de que, tão cedo, os mercados não ficarão “em paz”. Também voltam com forças as apostas de que, já na próxima reunião, o Federal Reserve cortará em 0,25 ponto percentual o juro básico dos Estados Unidos, atualmente em 5,25% ao ano.

No mesmo sentido, a chance de que a autoridade monetária corte em 50 pontos base a Fed Funds Rate, antes considerada praticamente nula, também recupera espaço. Ou seja, depois das intervenções realizadas, o mercado espera que a autoridade monetária dos EUA use a política monetária para – ao menos tentar – contornar a crise de liquidez no mercado de crédito.

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Interessante é notar que estas idéias voltam com força poucos dias depois de o Federal Reserve ressaltar eu seu comunicado que a inflação seguirá como o norte de suas decisões sobre a taxa básica de juro da maior economia do mundo. Diante disso, vem a questão: quem estava errado, o mercado ou o Fed?

Neste sentido, um outro aspecto da crise começa a “circular” por aí. Se for o mercado, menos mal. Mas, há quem diga que o tom “ameno” do tão recente comunicado do Fed pode ser interpretado como um indício de que as autoridades monetárias globais sabem tanto sobre o tamanho de crise quando os investidores, ou seja, muito pouco.

Enfim, se a decisão de política monetária desta semana, quando o Fed manteve as Fed Funds em 5,25%, já era esperada com ansiedade, o próximo passo da autoridade monetária da maior economia do mundo poderá gerar ainda mais frisson, especialmente em um momento em que alguns (poucos) já colocam em questão a credibilidade de Ben Bernanke e seu time.