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SÃO PAULO – A hora de saber como os bancos norte-americanos se saíram no teste de estresse está perto. Citando autoridades do governo, o Wall Street Journal afirmou que os órgãos reguladores dos Estados Unidos começarão a informar as instituições financeiras sobre a performance no teste a partir da próxima sexta-feira (24), antes de abrir as informações ao público, no dia 4 de maio.
Dos 19 grandes bancos que participaram do teste, entretanto, não se espera surpresas. Os resultados dos testes já têm sido ventilados desde o início deste mês, quando o jornal The New York Times afirmou, citando fontes extra-oficiais, que todas as instituições maiores haviam passado na provação. No dia 22, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, deu sinalizações similares.
Diante dessas notícias, porém, o professor da Universidade de Nova York, Nouriel Roubini, afirmou na semana passada que o teste de estresse não era real. Seu argumento maior foi de que até mesmo o cenário mais pessimista do governo é mais otimista do que o atual.
Mais mercadológico do que real
“Os testes de estresse para identificar os bancos insolventes são uma complementação do gerenciamento de risco VaR (Value at Risk) e indicam potenciais de perda em cenários catastróficos”, explica Herbert Kimura, um dos autores do livro Value at Risk – Como Entender e Calcular o Risco pelo VaR.
Conforme a explanação de Kimura, é possível depreender que os cenário utilizados devem ser extremamente pessimistas, o que os testes do governo norte-americano não são. “Eles já estão projetando crescimento para 2010. Em cenários realmente adversos, deveriam projetar declínio nos próximos dois anos”, avalia Kimura.
| Variáveis consideradas pela FDIC | ||||
| Indicador | Cenário Base | Cenário Adverso | ||
| 2009 | 2010 | 2009 | 2010 | |
| Taxa de Desemprego | 8,4% | 8,8% | 8,9% | 10,3% |
| Variação do PIB | -2,1% | +2,0% | -3,3% | +0,5% |
| Preço dos Imóveis | -14% | -4% | -22% | -7% |
Fonte: RGE Monitor
Mesmo considerando esse “pessimismo otimista” dos cenários, as alegações de Roubini podem deixar de fora um dos principais componentes do teste nos Estados Unidos: o mercadológico. Se os cenários fossem realmente catastróficos, alguns bancos poderiam precisar de dinheiro, aumentando a desconfiança do mercado.
Por outro lado, caso os grandes bancos realmente passem, isso pode ser interpretado como uma sinalização de que a crise está controlada, o que elevaria a segurança do mercado. “Porém, isso seria mais mercadológico do que real”, ressalva Kimura.
Os reflexos no plano de Geithner
Tendo em mente que o sucesso do teste de estresse havia sido ressaltado por muitos analistas como um dos primeiros passos para que o plano de Timothy Geithner desse certo, os economistas destacam dois impactos distintos da aprovação dos 19 maiores bancos no teste.
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Impactos para a iniciativa privada
De acordo com a equipe de análise da Socopa Corretora, o desempenho dos bancos nos testes de estresse será um indicativo para a iniciativa privada na precificação dos ativos ilíquidos, já que o plano de Geithner envolve a participação deste setor.
“Não importa quais sejam as hipóteses, a tentativa do teste é mostrar que os bancos, após a ajuda, vão conseguir se virar. Vão desobstruir os canais de crédito, vão conseguir se desalavancar e tudo o mais. Agora isso é um indicativo de expectativa”, argumentou a corretora.
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De acordo com os analistas, o importante é que os testes sejam claros, facilitando a avaliação da viabilidade do plano de ajuda pelo setor privado. E essa transparência parece ser algo procurado pela administração de Barack Obama, que estuda inclusive pedir a divulgação dos planos de capitalização dos bancos que não passarem no teste.
Impactos para instituições financeiras
Por outro lado, se for confirmado que os grandes bancos estão realmente bem-capitalizados, isso pode ter um impacto limitador no PPIP (Programa de Investimento Público-Privado, na sigla em inglês). “Se realmente tiver um efeito, ele não será muito bom. Não digo que irá atrapalhar dramaticamente o programa, mas poderia limitar um pouco o sucesso”, explica a economista da Tendências Consultoria, Alessandra Ribeiro.
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“Se os resultados estivessem ruins, isso seria uma ferramenta do governo para pressionar os bancos a venderem os empréstimos podres que eles têm em carteira. Agora, como eles estão bem-capitalizados, o governo perderia um pouco esse instrumento de pressão”, acrescenta.
Segundo ela, uma das dúvidas em relação ao plano de Geithner é se os bancos realmente vão querer vender os ativos ilíquidos, pois a partir do momento em que for estabelecido um preço no leilão, os bancos terão que marcar esses valores em seus balanços. “Como está bem capitalizada, a instituição pode querer segurar esse papel no seu balanço por um tempo, até ver se ela consegue recuperar uma parte ou ganhar até mais do que conseguiria num leilão hoje”.
Bancos menores
Em relação às instituições menores, no entanto, as perspectivas são mais pessimistas. Em entrevista à agência Bloomberg no início da semana, a analista Meredith Withney afirmou que os bancos regionais terão maiores dificuldades para passar pelo teste de estresse.