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A presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministra Maria Thereza de Assis Moura, negou um pedido de habeas corpus feito pela defesa de Francisley Valdevino da Silva, conhecido como “Sheik do Bitcoin” ou “Sheik das Criptomoedas”. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (16).
Silva foi preso no final do ano passado no âmbito da Operação Poyais da Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de chefiar um esquema fraudulento com ativos digitais que teria deixado um prejuízo de R$ 4 bilhões para vítimas no Brasil e no exterior.
Na decisão, a ministra disse que não pode acolher o pedido porque os advogados do Sheik já entraram com outro habeas corpus, que ainda não foi analisado.“A presente pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário”, escreveu.
Nova tentativa de golpe
A defesa do acusado tenta libertá-lo alegando que a ordem de prisão do ano passado foi baseada apenas em antigas “trocas de mensagens” entre o Sheik com “indivíduos também investigados na operação”.
A ministra disse, no entanto, que a afirmação não se sustenta. A investigação, disse, mostra que Silva criou “novas empresas fictícias para captação de outras vítimas e reprodução do esquema, com modus operandi idêntico ou similar ao das operações anteriores” após a determinação da prisão.
“Os documentos juntados pela autoridade policial”, conforme trechos citados pela ministra, “revelam que FRANCISLEY vem descumprindo as medidas cautelares fixadas ao desenvolver novas empresas com atividades diversas, dentre elas aquelas relacionadas a captação de clientes para negociações com criptoativos, demonstrando descaso com a administração da Justiça”.
Império da fraude
Silva começou a criar empresas fictícias no segmento cripto no final de 2016. Só no Brasil ele abriu pelo menos 100 CNPJ’s. Antes de entrar no mundo do crime, ele trabalhava como vendedor de aquários e também foi empresário do ramo de marketing multinível.
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Para atrair suas vítimas, ele fazia promessas mirabolantes de lucros mensais de até 13,5%, algo que não é usual no mercado de criptoativos, conhecido por sua volatilidade extrema. Dois de seus clientes famosos foram Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa, e o marido dela, João Figueiredo.
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O negócio do Sheik começou a ruir no ano passado, no momento em que ele não conseguia mais honrar os pagamentos aos clientes.