Stiglitz: nova flexibilização do Fed será custosa e trará poucos benefícios aos EUA

Vencedor do Nobel observa perda de relevância de políticas monetárias diante da necessidade de estimular economia

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SÃO PAULO – A política do Federal Reserve de cortar a taxa básica de juro norte-americana para um mínimo histórico culminou menos em um impulso à economia e mais na perda de relevância da autoridade monetária dos EUA. Essa é a visão do Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, que não espera grandes mudanças no quadro com a iminência da adoção de novas rodadas de flexibilização quantitativas,.

“É provável que as novas medidas sejam quase tão ineficazes para revitalizar a economia dos EUA como qualquer outra coisa que o Fed tenha tentado nos últimos anos”, comenta. “Pior, é provável que pacote tenha um custo elevado ao contribuinte, enquanto prejudica a eficácia do Fed nos próximos anos”.

Keynes dá a lição
O economista observa que os conceitos de John Maynard Keynes de que as políticas monetárias foram ineficientes durante a Grande Depressão se encaixam na atual conjuntura economia da maior economia do globo.

“Os Bancos Centrais são melhores para dominar a irracionalidade dos mercados em uma bolha – limitando a disponibilidade de crédito e aumentando as taxas de juros para conter a economia – do que em promover o investimento em uma recessão”, comenta, observando a baixa eficiência do Fed em estimular investimentos.

“Em 2011, baixar as taxas de juro pareceu funcionar, mas não do modo que deveria – ao invés de impulsionar os investimentos, ajudou a inflar a bolha imobiliária”, escreve o economista. Entretanto, Stiglitz reconhece que a política monetária preveniu que o colapso do Lehman Brothers tivesse consequências mais graves. “Mas não é possível afirmar que as baixas taxas de juro aumentaram os investimentos”, completa. 

Medidas benéficas
Quanto aos possíveis benefícios das novas medidas quantitativas, Stiglitz aponta duas delas: a primeira refere-se ao aumento da competitividade norte-americana com uma possível depreciação do dólar; enquanto a segunda trata da redução das taxas hipotecárias – “que auxiliaria a sustentação dos preços dos imóveis”.

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mas…
Dois pontos positivos à economia, “mas significativos custos potenciais ofuscam os pequenos benefícios”, conclui pessimista, prevendo custos não proporcionais à expansão econômica. “Levar as taxas de juro de curto prazo para quase zero já falhou. A esperança é que derrubando as taxas de juro de longo prazo vá estimular a economia. As chances de sucesso são quase nulas”.