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Turnit, scale-up de infraestrutura tecnológica para o setor de transporte de passageiros, acaba de desembarcar no Brasil. Fundada em 2015, na Estônia, a empresa já está presente em mais de 50 operações pela Europa, América do Norte, África e Austrália, e atua com soluções de inventário, vendas e distribuição multimodal.
Entre os concorrentes no Brasil estão o Grupo Guanabara, comandado hoje por Jacob Barata Filho. O conglomerado comanda empresas como a Smart Travel (plataforma de gestão de passagens) e MPlan (gestão operacional da frota e de motoristas), que atuam nos mesmos mercados que a Turnit.
Outro player do setor é a RJ Consultores, dona do software totalBUS, cuja acionista majoritária era a TOTVS, com 80% de participação. Recentemente, a empresa vendeu a sua parte para a Distribusion, uma travel tech alemã. Em 2025, a Clickbus, do Grupo Guanabara, havia tentado comprar a participação da TOTVS na totalBUS, mas a operação foi barrada pelo Cade. O órgão alegou concentração de mercado, já que o grupo já era dono da Smart Travel. Agora, o mercado está prestes a ganhar um novo competidor.
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“Grandes grupos brasileiros de transporte rodoviário investem bastante em tecnologia. Mas são companhias estabelecidas há muito tempo. O desafio é tirar essas empresas da zona de conforto e levá-las a um novo patamar. Isso exige mudanças, e mudanças estruturais podem ser dolorosas, mesmo quando necessárias. Prefiro dizer que minha principal concorrência é a disposição e a coragem das empresas de fazer essa transformação, mais do que as ferramentas disponíveis no Brasil. Em muitos casos, os sistemas existentes ficaram defasados e não evoluíram o suficiente nos últimos anos”, afirma Thiego Paes, Diretor Regional, Latam / BD & Sales da Turnit.
A companhia chega ao país com uma plataforma de software como serviço (SaaS) voltada a operadores de transporte. Globalmente, a tecnologia processa mais de 70 milhões de reservas de passageiros por ano e permite gerenciar inventário, comercializar passagens em diferentes canais e conectar redes de transporte a outros operadores e distribuidores.
A proposta é atacar um dos gargalos do setor rodoviário: a fragmentação dos sistemas e a dificuldade de integração entre empresas. Em vez de concentrar a venda em um marketplace, a Turnit oferece infraestrutura para que os próprios operadores mantenham o controle sobre horários, tarifas, produtos e relacionamento com os passageiros, enquanto ampliam sua distribuição.
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A plataforma Turnit Hub, por exemplo, permite reunir diferentes modalidades de transporte em uma única oferta, incluindo transporte urbano, trens regionais, ônibus de longa distância e linhas intermunicipais.
A empresa também aposta em padrões abertos, como o Open Sales and Distribution Model (OSDM), para facilitar a interoperabilidade entre sistemas. A ideia é permitir que operadores de diferentes portes conectem seus inventários sem necessariamente abrir mão do controle sobre a operação comercial.
Da Europa para a América Latina
A expansão para a América Latina faz parte de uma nova etapa de crescimento da empresa. Entre 2022 e 2025, a receita da Turnit passou de € 4,22 milhões para € 8,15 milhões, alta de 93,1% no período, segundo dados divulgados pela companhia.
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O Brasil foi escolhido como um dos mercados prioritários da região, ao lado do México. O país reúne uma extensa rede de transporte rodoviário de passageiros. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) citados pela companhia, são mais de 101 milhões de passageiros por ano e uma frota superior a 32 mil veículos.
“Começamos esse projeto na América Latina há cinco meses. É uma iniciativa bastante recente. Nosso papel agora é apresentar nossa proposta de valor e conversar com o mercado, tanto no Brasil quanto no restante da América Latina”, explica Thiego.
Segundo ele, um dos pontos mais complexos é a adequação às obrigações fiscais brasileiras. “Esse é um dos aspectos em que estamos concentrando nossos esforços. Já temos conversas em andamento com grandes grupos, mas esse é um processo de construção. Também precisamos fazer investimentos para adaptar a tecnologia às necessidades da América Latina e, especificamente, do Brasil”, diz.
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A empresa ainda não tem uma projeção de faturamento para o mercado brasileiro, mas espera que a chegada ao país ajude a atingir a meta de crescimento global de 25% em 2027.
“A América Latina tem uma grande oportunidade de digitalização. Nossa tese é que digitalizar não significa apenas permitir que o cliente compre online, mas conectar todos os canais de atendimento e operação. Na América Latina, existe uma grande defasagem nesse sentido. É nesse contexto que estamos apostando nos próximos três anos em apoiar o mercado latino-americano, com prioridade para o Brasil, usando a experiência que acumulamos na Europa”, aponta Thiego.