Recuperação

Stablecoin Tether (USDT) restabelece pareamento com dólar após dois meses

O criptoativo havia perdido a indexação com a moeda norte-americana após o colapso do ecossistema Terra

Por  CoinDesk -

A Tether (USDT), maior stablecoin do mundo em valor de mercado que deveria valer um dólar, encontrou estabilidade pela primeira vez em dois meses.

A criptomoeda retomou sua indexação à moeda norte-americana em 20 de julho e permaneceu estável desde então. Isso não acontecia desde o colapso da stablecoin algorítmica TerraUSD (UST), agora chamada de TerraClassicUSD.

A UST, então terceira maior stablecoin do mundo, afundou em 12 de maio, estimulando o pânico e a venda em massa de outros criptoativos atrelados a moedas fiduciárias. O pareamento da USDT, por exemplo, quebrou e caiu para US$ 0,92 em algumas exchanges. Em junho, o valor médio da moeda digital foi de US$ 0,99.

Por causa da crise gerada no mercado cripto, a capitalização da Tether despencou de US$ 65 bilhões para US$ 16 bilhões em dois meses – ou seja, os detentores do ativo digital fizeram enormes resgates da cripto. Apesar das dúvidas de parte da comunidade sobre as reservas do negócio, a empresa conseguiu honrar com os bilhões de dólares em retiradas.

Há tempos, a Tether vem sendo criticada pela falta de transparência sobre a natureza dos ativos que apoiam a sua stablecoin. Ao conseguir lidar com o momento de baixa, portanto, a firma passou no teste de estresse do mercado, resistindo a resgates em condições voláteis e recuperando o pareamento de sua moeda.

“Os últimos dois meses definitivamente foram um teste de estresse para as stablecoins após o colapso da UST e a forte contração no valor de mercado da USDT”, disse Clara Medalie, diretora de pesquisa da provedora de dados sobre o mercado cripto Kaiko. “A Tether provou sua capacidade de processar bilhões em resgates, apesar das dúvidas persistentes sobre a composição de suas reservas”.

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Resta saber se a recente resiliência da Tether reforça a confiança dos investidores na stablecoin. O trader e analista Alex Kruger, por exemplo, ainda está cético sobre a força da moeda. “A Tether passou mais uma vez no teste de estresse sob condições extremas de mercado”, disse ele. “No entanto, não prevejo que o FUD (Medo, Incerteza e Dúvida, na sigla em inglês) da Tether diminua de forma significativa até que uma regulamentação sobre emissão de stablecoins esteja em vigor e a empresa passe a aderir (a tal regulamentação que ainda não existe)”.

A Tether afirma há muito tempo que o valor de sua stablecoin é 100% lastreada em ativos para garantir a estabilidade ao dólar na proporção de 1:1. Em maio, a empresa publicou um atestado de participações da auditoria de fundos independente MHA Cayman, que mostrava no caixa US$ 39,2 bilhões em títulos do Tesouro, US$ 4,1 bilhões em depósitos bancários, US$ 6,7 bilhões em fundos do mercado monetário e US$ 3,1 bilhões em empréstimos garantidos.

Uma potencial perda de confiança na Tether provavelmente resultaria em um grave choque de liquidez no mercado de criptomoedas mais amplo, de acordo com o JPMorgan. Isso porque a USDT é muito usada em negociações de Bitcoin (BTC) e nas finanças descentralizadas (DeFi).

Enquanto a USDT é supostamente totalmente garantida, a UST é uma stablecoin algorítmica apoiada por sua cripto irmã, chamada Terra (LUNA), cujo valor está vinculado à própria stablecoin. A configuração torna a UST e stablecoins algorítmicas vulneráveis a corridas bancárias, como a vista em maio.

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