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SÃO PAULO – Combinar opções pode ser uma estratégia útil não somente para aqueles que desejam apostar na alta ou na baixa do mercado. Investidores que não identificam uma tendência direcional dos ativos – de alta ou baixa -, mas acreditam que estes apresentarão pouca volatilidade podem obter bons ganhos por meio de uma estratégia denominada spread butterfly (ou spread borboleta).
Por meio desta operação, o investidor ganha se o ativo base, uma ação, por exemplo, não se afastar em excesso de um determinado preço, mas, por outro lado, perde em situações de grande variação nas cotações do papel.
Como montar a estratégia
Uma das formas de se montar um spread borboleta envolve a compra de duas opções de compra, ou calls, com preços de exercício diferentes (X e Y), e a venda de duas opções de compra com preços de exercício iguais (Z), sendo que “Z” deve estar situado entre “X” e “Y”. Fica bem mais fácil entender a operação olhando para um exemplo prático. Veja na tabela a seguir uma suposição do prêmio e do preço de exercício com três opções de compra: Neste exemplo, o investidor poderia desenvolver o spread borboleta através da compra das opções de compra com preço de exercício de R$ 55 e de R$ 65, e da venda de duas opções com preço de exercício de R$ 60. Desta forma, seu desembolso inicial seria equivalente a R$ 10 (prêmio pago pela opção de compra com preço de exercício de R$ 55) + R$ 5 (prêmio pago pela opção de compra com preço de exercício de R$ 65) – R$ 14 (prêmio recebido da soma das duas opções de compra com preço de exercício de R$ 60). Ou seja, haveria uma saída líquida prévia de R$ 1. Vale notar que, necessariamente, o prêmio da opção será maior quanto menor for o preço de exercício da call, pois o direito de comprar um ativo por um preço menor deve ser mais alto. Perfil do retorno da estratégia
Dentro deste cenário, se, na data do vencimento, o preço do ativo objeto for inferior a R$ 55, nenhuma opção será exercida e o retorno final da estratégia será equivalente ao desembolso inicial, neste caso de R$ 1. Já se o preço do ativo for superior a R$ 65, todas as opções serão exercidas e o retorno final também será de R$ 1. No entanto, caso o ativo esteja cotado entre R$ 55 e R$ 60 – por exemplo R$ 58 -, na data do vencimento, o investidor deve lucrar. Nesta situação, será exercida apenas opção de compra com preço de exercício de R$ 55 e o retorno da estratégia será de R$ 3 (R$ 58 – R$ 55). Como houve um desembolso preliminar de R$ 1, o resultado final será positivo em R$ 2. Finalmente, se, no vencimento, o ativo valer algo entre R$ 60 e R$ 65 – por exemplo R$ 63 -, as opções com preço de exercício de R$ 55 e de R$ 60 serão exercidas. Como o investidor é titular da call com preço de exercício de R$ 55, ele exercerá seu direito e poderá lucrar R$ 8,00. No entanto, as outras duas opções de compra por ele vendidas também serão exercidas, e o agente incorrerá em um prejuízo de duas vezes R$ 3 (R$ 63 – R$ 60). Portanto, neste caso, a estratégia oferecerá um retorno de R$ 2 (R$ 8 – R$ 6). Dado que o investidor havia pago anteriormente R$ 1 para montar o spread borboleta, o resultado final será positivo em R$ 1. Desta forma, o retorno da operação ficaria, grosso modo, da seguinte maneira: De forma análoga, o spread borboleta pode ser criado com opções de venda. Para isso, o investidor deve comprar uma opção de venda com preço de exercício baixo e outra com preço de exercício alto. Vendem-se, então, duas opções de venda com preço de exercício intermediário. A lógica da operação e seu perfil de retorno são equivalentes ao spread butterfly montado a partir de opções de compra.
Preço de Exercício
Prêmio
R$ 55
R$ 10
R$ 60
R$ 7
R$ 65
R$ 5
Utilizando opções de venda