SPB: Comércio tenta se adaptar à redução do piso da TED para R$ 5 mil

Novo piso da TED pode gerar problemas com gerencimanento de fluxo de caixa; empresário tem poucas opções

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SÃO PAULO – A partir desta segunda-feira, dia 29, todos os pagamentos e transferências que envolverem cifras superiores a R$ 5 mil puderam ser efetuados através da TED (Transferência Eletrônica Disponível). O novo sistema, que consiste na transferência on-line de valores, faz parte das novidades introduzidas pelo novo SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), em vigor desde 22 de abril deste ano.

O piso da TED, inicialmente em R$ 5 milhões, foi sendo gradativamente reduzido pelos bancos e, ao patamar de R$ 5 mil, já deve ser utilizada por um número superior de correntistas, fazendo assim parte da vida de boa parte da população.

Comércio terá que se adaptar

Ao estipular reduções gradativas do piso da TED, o Banco Central permitiu não somente que fossem identificados erros nos processamentos eletrônicos, mas também deu tempo tanto aos bancos como aos correntistas para se adaptarem ao novo sistema de transferências. No entanto, alguns setores da sociedade podem enfrentar dificuldades nos primeiros dias.

Nesse sentido, a indústria e principalmente o comércio, tais como drogarias, postos de gasolina, supermercados, confecções, lojas de calçados, perfumes, podem sofrer com problemas de fluxo de caixa. Isso porque comercializam produtos que dificilmente superam o valor de R$ 5 mil, enquanto compram de seus fornecedores elevados montantes, geralmente acima do novo piso da TED.

Empresários têm poucas opções

Ao mesmo tempo em que o dinheiro é debitado da conta das empresas para pagamento de fornecedores, os recursos das vendas podem demorar até dois dias úteis para serem creditados, no caso de pagamento em cheque. Nesse sentido, apenas os pagamentos em dinheiro poderão minimizar os problemas com fluxo de caixa, mas desde que sejam depositados no mesmo dia.

Outra opção seria antecipar a fatura do cartão de crédito, mas devido aos juros que a administradora pode cobrar, tal saída pode se tornar inviável. Finalmente, alguns empresários podem optar por parcelar o pagamento aos fornecedores em prestações inferiores a R$ 5 mil. Porém, como o uso do cheque está sendo desestimulado pelo BC, é possível que essa alternativa possa também se tornar inviável no futuro.

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Tarifas elevadas

Além do problema com a gestão de fluxo de caixa, muitas empresas devem ser prejudicadas pelas elevadas tarifas cobradas pela TED. Nesse sentido, a taxa cobrada pela transferência eletrônica de valores chega a R$ 15, superior à cobrada para realização de um DOC (Documento de Operação de Crédito). Vale lembrar que, em termos operacionais, os custos para realização da TED são inferiores àqueles relativos à compensação de um DOC, o que não justificaria a manutenção de tarifas tão elevadas para a transferência on-line introduzida pelo novo SPB.

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